Eco era uma ninfa muito bonita que amava os bosques e os montes, onde se dedicava a distrações campestres. Era a favorita de Ártemis (Diana), e sempre a acompanhava em suas caçadas. Tinha um defeito, porém: falava demais, e em qualquer conversa ou discussão, queria sempre dizer a última palavra.
Um dia a deusa Hera (Juno) saiu à procura do marido, de quem desconfiava, e com razão, que estivesse se distraindo entre as ninfas. Mas Eco conseguiu entretê-la com sua conversa, até as ninfas fugirem. Percebendo isso, Juno a condenou com essas palavras: “Só conservarás o uso dessa língua com que me iludiste, para uma coisa de que gostas tanto: responder. Continuarás a dizer a última palavra, mas não poderá falar em primeiro lugar”.
O tempo passou, até que certa manhã a ninfa viu Narciso, um belo jovem que perseguia a caça na montanha. Apaixonou-se de imediato por ele, e por isso começou a seguir os seus passos, desejando ardentemente poder dirigir-lhe a palavra, dizer-lhe frases gentis e agradáveis, para assim ...
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Esse aparelho de tortura consistia em uma prancha de madeira com formato triangular, na qual a vítima era deitada. Essa espécie de cama tinha orifícios em alguns pontos de sua beirada, através dos quais eram passadas cordas que apertavam os membros superiores e inferiores do infeliz submetido ao suplício, principalmente os antebraços, braços, coxas e as panturrilhas, que por serem as partes mais carnudas eram as preferidas pelos algozes. Durante a sessão de tortura as cordas eram apertadas cada vez mais por meio de peças giratórias colocadas nas laterais do aparelho e acionadas por manivelas, e que funcionavam assim como se fossem uma espécie de torniquete, provocando um aperto terrivelmente dolorido e lacerante para o infeliz que estivesse sendo castigado com ele.
A legislação espanhola que regulamentava a aplicação de torturas especificava que somente cinco voltas poderiam ser dadas nas manivelas que provocavam o aperto nas cordas, porque essa era a forma de garantir que o réu, na hipótese de ter sua inocência devidamente comprovada, não levasse para casa seqüelas irreversíveis. Mas como os interrogadores não se importavam com a lei, estimulavam os carrascos a darem ...
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Paranaguá, litoral da província do Paraná, tornara-se um dos principais centros de contrabando de escravos no Brasil. Naquele labirinto natural de ilhas costeiras, os traficantes utilizavam algumas delas para desembarques clandestinos. Essa informação também era do conhecimento da Royal Navy. No dia 29 de julho, o HMS Cormorant se aproximou da costa paranaense. Utilizando-se de um pescador local, o navio transpôs a Barra de Paranaguá e atingiu o porto do Alemão, na Ilha de Cotinga. Neste porto estavam fundeados seis navios mercantes.
Sem aviso prévio, os invasores atacaram e dominaram o brigue Dona Ana, seguido do brigue Serea. Vendo o ataque aos mercantes, o comandante do terceiro brigue, o Astro, resolveu afundá-lo para evitar que a "carga" (dezenas de escravos oriundos da África) fosse pilhada e o navio apreendido. O navio de 176 toneladas ficou apenas com os três mastros para fora d’água. Após o ataque, os ingleses foram vistoriar os porões dos navios, mas ficaram surpresos ao constatar que ali existiam apenas víveres. Tomado pela cólera, o capitão inglês descontou o seu ódio nas autoridades ...
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VIAJANTES E A ÁRVORE, OS
Esopo
Dois viajantes estavam exaustos após terem caminhado desde que amanhecera. Àquela altura, o escaldante sol do meio-dia praticamente os intimava a descansarem à sombra da frondosa árvore que aparecia bem à sua frente, distante poucos metros de onde se encontravam. E eles aceitaram a agradável intimação.
Após deitarem-se e ajeitarem o corpo sob a oportuna e refrescante sombra que os acolhia, eles examinaram com mais cuidado o lugar onde estavam. Um dos viajantes, ao reconhecer que tipo de árvore era aquela, disse para o seu companheiro de viagem:
- Como é inútil esse Plátano! Não produz nenhum fruto, e só serve para sujar o chão com suas folhas.
Na mesma hora uma voz grossa, pausada e de tom severo lhe respondeu, vinda da árvore:
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Certo dia a mosca desentendeu-se com a formiga e por isso lhe disse presunçosa:
- Olha como falas comigo! Enquanto eu vivo livre e desimpedida nas alturas, tu caminhas somente pelo chão, e mesmo assim com grande esforço, porque precisas lutar a todo instante com os obstáculos que encontras pela frente. Eu moro em palácios e mansões, enquanto tu te escondes em uma cova escura e abafada. Minha alimentação é farta, rica e variada, enquanto tu tens que roer os grãos duros do trigo e da cevada para continuar vivendo. Em outras palavras, minha vida é boa e confortável, enquanto a tua é toda ela de muito trabalho e extrema fadiga.
Ouvindo isso, a formiga respondeu:
- Ora, dona mosca, essa tua mania de grandeza não tem o menor sentido, pois que importância tem que eu viva cá por baixo andando pelo chão, ou então que me esconda em uma cova, como dizes? Não te esqueças que essa cova é minha, pois ...
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MACACO VELHO NÃO METE A MÃO EM CUMBUCA
A árvore sapucaia, também conhecida como castanha-sapucaia ou cumbuca-de-macaco, é encontrada na floresta amazônica e Mata Atlântica. Ela pode atingir até 30 metros de altura - embora a maioria fique entre os 5 e 15 metros -, possui copa densa e produz frutos arredondados e de casca dura, com formato de urna, ou cumbuca (cabaça grande com boca estreita).
Estas encerram uma boa quantidade de amêndoas aromáticas e oleaginosas, que podem ser consumidas cruas, cozidas ou assadas, podendo substituir, em igualdade de condições, as nozes, amêndoas ou castanhas comuns européias, sendo aproveitadas, também, como ingrediente para doces, confeitos e pratos salgados. Vazios, os receptáculos das amêndoas são transformados pelo homem em objetos de uso e de ornamento: cumbucas, caçambas, vasos, potes, pratos, marmitas e o que mais for preciso (na ilustração abaixo, uma sapucaia)
Quando o fruto amadurece, as castanhas – com o balançar ...
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Uma víbora costumava beber água em um manancial, mas a cobra d’água que morava lá não concordava com isso porque achava que a primeira, além de reinar no campo, também pretendia assumir o seu domínio. E tão indignada ficou que desafiou sua vizinha para um combate, cuja única regra era a de que quem ganhasse ficaria com tudo.
Assim sendo, no dia combinado as duas se apresentaram para a luta, e as rãs, que não gostavam da cobra d’água, foram apoiar a víbora, incentivando-a e garantindo que colaborariam com ela no que fosse possível. Então a briga começou, e as rãs, como não podiam fazer outra coisa, só gritavam e aplaudiam calorosamente a sua preferida, e quando tudo terminou com a vitória da víbora, esta reclamou que as rãs, ao invés de ajudá-la, não haviam feito outra coisa senão gritar. E elas responderam:
- Nossa ajuda, cara amiga, não está em nossos braços, mas sim em nossas vozes.
Moral da história: Na ...
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RAPOSA E O MACACO, A
Esopo
Quando os animais se reuniram para escolher um novo líder, o macaco foi convidado a fazer sua apresentação. E ele se saiu tão bem com suas cambalhotas, caretas e guinchos, que os demais, entusiasmados, o elegeram como o rei da floresta.
A raposa não concordava com a escolha, e aborrecera-se com o fato dos outros votantes terem entregado a liderança do reino a quem, a seu ver, não possuía qualificação para isso.
Dias depois, ao encontrar na floresta uma armadilha com um pedaço de carne, ela procurou o rei e lhe contou que acabara de descobrir um tesouro. E que não tocara nele por reconhecer que esse direito cabia ao macaco, a maior autoridade entre os animais.
Envaidecido com a importância que lhe fora dada pela raposa, mas ...
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O alho é uma planta da família Liliaceae. A espécie mais conhecida é a Allium sativum, cujo bulbo (cabeça de alho) é composto por bulbilhos (dentes de alho). A sua utilização como medicamento ou recurso culinário advém de civilizações antigas, anteriores a Cristo, tais como a chinesa, grega, romana e babilônica. Segundo historiadores, os egípcios consumiam alho em abundância. Durante a Segunda Guerra Mundial, os britânicos utilizavam o alho para impedir que os soldados tivessem infecção.
É uma planta vivaz, bulbosa, que atinge entre 30 cm e 1 m de altura, com flores cor-de-rosa claras ou verde-esbranquiçadas. A temperatura média mensal ideal do desenvolvimento e produção varia de 14 a 24º C. Quando a temperatura cai abaixo de 15º C, estimula a formação dos bulbos. O fotoperíodo (tempo de exposição da planta ao meio ambiente propício) exerce influência sobre a bulbificação e, nesse aspecto, cada cultivar tem sua exigência própria. Em condições de fotoperíodo insuficiente, ocorre crescimento vegetativo, sem formação de bulbos. O espaçamento mais indicado no plantio do alho é de 25 a 30 cm entre as fileiras por ...
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Ente misterioso do qual se diz habitar as matas e capoeiras de diversas regiões do Brasil, o pé-de-garrafa praticamente não é visto pelas pessoas quando está andando pelo mato. Os poucos relatos feitos a seu respeito o dão como sendo de coloração negra, tendo corpo de homem, todo coberto de pêlos, um único olho e um chifre que fica bem no meio da testa. Além disso, essa estranha criatura possui apenas um braço, com os dedos da mão terminados em grandes garras, e somente uma perna, mas esta não possui pé, e sim um toco com formato de fundo de garrafa, que vai deixando vestígios inconfundíveis pelos lugares por onde passa. Daí a razão do seu nome.
Segundo a lenda, ele costuma gritar esperando que alguém lhe responda, e assim poder seguí-lo. Diversos depoimentos testemunham que as pessoas ouvem seus gritos que ora parecem ameaçadores, ora familiares, e quando procuram o dono da voz, na certeza de que se trata de algum caçador perdido na mata, quanto mais voltas dão em busca do local de onde vem o som, menos ele ...
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- Aqui jaz a minha sogra: descanso em paz.
- Aviso funerário: se sua sogra é uma jóia, nós temos a caixinha.
- Digo para todo mundo que minha sogra caiu do céu. Sua vassoura quebrou justamente quando ela voava sobre a minha casa.
- Em dia de tempestades e trovoadas o local mais seguro é perto da sogra, pois não há raio que a parta!
- Faz quase dois anos que não falo com minha sogra: ela não deixa!
- Minha sogra destruiu meu casamento. Minha mulher voltou para casa mais cedo e me pegou na cama com ela.
- Minha sogra é muito esclarecida, Ela sabe reclamar sobre qualquer assunto.
- Minha sogra fala tanto que quando vai à praia bronzeia até a língua.
- Sogra é como onça: todos temos que preservar, mas ninguém quer ter em casa.
- Sogra é esse parente afastado que se torna cada vez mais próximo.
- Única sogra que ...
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O ratinho que morava no campo convidou seu primo da cidade para passar alguns dias com ele, o que foi aceito de muito bom grado. Assim que chegou o visitante achou tudo muito bonito, tudo muito calmo e tranqüilo, mas na hora do jantar, quando o dono da casa lhe serviu grãos de cevada e algumas raízes estranhas com gosto de terra, o ratinho urbano não agüentou e comentou:
- Meu primo, estou com pena de você. As coisas por aqui podem ser muito bonitas lá fora, mas sua casa e sua comida certamente não devem ser invejadas por quem quer que seja. Por isso lhe aconselho a deixar essa vida no campo e vir morar comigo na cidade, onde certamente nós dois vamos viver bem e comer do bom e do melhor.
O ratinho roceiro aceitou a oferta que lhe era feita e foi embora com seu primo para o lugar onde ele morava na cidade, em uma despensa cheia de mantimentos variados. Chegando lá, o novo morador mal acreditou ...
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O dia era 27 de novembro de 1830, e o lugar a capela das Irmãs Filhas da Caridade de São Vicente de Paula. Em certo momento, enquanto Catarina Labouré meditava naquele local, ela teve a visão da Virgem Maria de pé sobre um globo, tendo entre as mãos outro globo menor, encimado por uma cruzinha de ouro. Dos seus dedos, anéis com pedras preciosas emitiam raios luminosos em todas as direções, e Nossa Senhora, num gesto de súplica, oferecia ao Senhor o pequeno globo que segurava.
Ao detalhar a visão, Catarina declarou o que a Virgem Santíssima lhe dissera: “Este globo que vês representa o mundo inteiro(...) e cada pessoa em particular. Eis o símbolo das graças que derramo sobre as pessoas que as pedem”.
Continuando, disse a irmã que nesse momento o globo que Nossa Senhora segurava desapareceu e que suas mãos inclinaram-se para a terra em atitude amorosa, ao mesmo tempo em que um quadro oval formou-se em volta dela, dentro do qual podiam ser ...
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Na melancolia de teus olhos
Eu sinto a noite se inclinar
E ouço as cantigas antigas
Do mar.
Nos frios espaços de teus braços
Eu me perco em carícias de água
E durmo escutando em vão
O silêncio.
E anseio em teu misterioso seio
Na atonia das ondas redondas.
Náufrago entregue ao fluxo forte
Da morte.
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Em Toledo. Lá fora, a vida tumultua
E canta. A multidão em festa se atropela...
E o pobre, que o suor da agonia enregela,
Cuida o seu nome ouvir na aclamação da rua.
Agoniza o voador. Piedosamente, a lua
Vem velar-lhe a agonia através da janela.
A febre, o Sonho, a Glória enchem a escura cela,
E entre as névoas da morte uma visão flutua.
“Voar ! varrer o céu com asas poderosas,
Sobre as nuvens ! correr o mar das nebulosas,
Os continentes de ouro, o fogo da amplidão!..."
E o pranto do luar cai sobre o catre imundo...
E em farrapos, sozinho, arqueja moribundo
Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão.
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