Certamente não existe no Brasil quem desconheça o sentido dessa expressão, empregada em diversos segmentos de atividade para nomear a forma como usualmente são decididas as disputas que apresentam, ao seu término, dois competidores em igualdade de condições. Seja no campo esportivo ou no de divertimentos, no de jogos simples como par ou impar, de palitinhos, ou porrinha, sinuca, ou jogos de azar como buraco, escopa, truco e outros mais, a disputa da negra tem sempre sua hora e vez de ser realizada quando a série melhor de três, ou de cinco, normalmente usada para definir o impasse, também não consegue apontar um vencedor. Não há quem não conheça esse sistema.
Nos campeonatos de vôlei, por exemplo, onde os jogos podem ser disputados em três e cinco sets, ou partidas, é declarado vencedor quem conseguir pontuar 2x0, ou 3x1, respectivamente. Mas se a contagem ficar em 1x1, ou 2x2, então uma terceira partida, no caso a negra, será necessária para apontar o ganhador, embora hoje em dia os praticantes desse esporte prefiram chamá-la de tie-break. No tênis acontece ...
Continue a leitura...
Judas Iscariotes foi um dos doze apóstolos de Jesus Cristo e o traidor que o entregou aos inimigos. Filho de Simão Iscariotes, era ele, segundo o Evangelho, o depositário da bolsa destinada ao sustento do Messias e seus principais discípulos. Sabedor de que os sacerdotes procuravam um meio de se apoderar de Jesus, Judas prometeu entregá-lo mediante o pagamento de trinta moedas de prata, e para cumprir o compromisso resistiu aos apelos do Mestre, especialmente durante a Última Ceia, comparecendo depois, acompanhado de várias pessoas, para saudá-lo na noite de quinta-feira santa, dando-lhe então o beijo que era o sinal combinado. Logo em seguida Jesus foi preso pelos soldados romanos, e mais tarde, quando de sua condenação, Judas, atormentado pelo remorso, enforcou-se após ter atirado de volta ao templo o dinheiro que o seduzira. Os inimigos de Jesus ficaram em dúvida sobre se deveriam retornar as moedas ao tesouro sagrado, e por isso compraram com elas um terreno para sepultura dos estrangeiros. Esta é uma das interpretações dadas à passagem bíblica da traição de Judas.
Na ...
Continue a leitura...
O verbo simular significa fazer a representação ou imitação de certo fato, ou seja, ele expressa o ato de alguém tentar transformar em coisa real aquilo que não o é. Na vida cotidiana isso acontece com freqüência em todos os segmentos onde a sociedade exercita suas atividades, e por isso a legislação de vários países estabelece uma série de normas pelas quais devem ser julgados os casos de simulação passíveis de punição, como nos atos jurídicos viciados por essa atitude, nos casamentos realizados com o engano de outra pessoa, e assim por diante. Os códigos militares também prescrevem penas para os que simulam incapacidade física com o fim de evitar o serviço nas fileiras, e parece que foi exatamente isso o que originou o surgimento dessa expressão, segundo explicam alguns estudiosos da nossa língua.
No princípio do século passado, Portugal vivia um momento de agitação política iniciado em 1906, quando o rei Carlos I e o príncipe herdeiro foram assassinados e Dom Manuel subiu ao trono. Mas isso não acalmou os opositores da realeza, que ...
Continue a leitura...
Natural de Florença, Nicolau Maquiavel (1469-1527), escritor, diplomata, administrador e pensador político italiano, tem em O Príncipe sua obra mais famosa. Escrita entre os anos de 1513 e 1516, mas publicada postumamente em 1532, ela reflete seus conhecimentos da arte política dos antigos, bem como dos estadistas de seu tempo, e expressa claramente a mentalidade que vigorava na época.
No texto desta obra, ao formular uma série de conselhos ao príncipe, o autor expõe uma norma de ação autoritária, no interesse do Estado, amparada no princípio de que “os fins justificam os meios”. As obras de Maquiavel, que incluem Sobre o Modo de se Tratar os Povos Rebelados de Val de Chiana, O Asno de Ouro, Histórias Florentinas e As Decenais, entre outras, além de canções e poesias diversas, foram a princípio bem recebidas pelo público, mas depois de incluídas no Index da Igreja Católica, tornaram-se motivo para críticas severas, sendo denegridas sistematicamente e consideradas como expressão máxima do cinismo político. Daí o surgimento de termos com sentido pejorativo, como maquiavélico, identificando o homem ardiloso, velhaco, e ...
Continue a leitura...
GENGIBRE
A utilização do gengibre na culinária tem suas origens nas mais antigas civilizações. Os chineses já a usavam no século 6 a.C., e os comerciantes árabes, antes do primeiro da nossa era, introduziram a especiaria na região do Mediterrâneo. O gengibre é originário da ilha de Java - a segunda maior em tamanho, mas a principal ilha da Indonésia porque é nela que se situa Jacarta, a capital do país – e de lê se difundiu pelo mundo. Quando chegou à Europa vindo do Oriente Médio com as Cruzadas, em pouco tempo já era um ingrediente presente em quase todas as receitas de um livro de culinária datado de 1390, da corte da rainha da Inglaterra.
Os colonizadores espanhóis trouxeram o gengibre para o Novo Mundo no século 16, mas hoje ele é cultivado principalmente na faixa litorânea do Espírito Santo, Santa Catarina, Paraná e no sul de São Paulo, em razão das condições de clima e de solo mais adequadas. Trata-se de uma planta perene da ...
Continue a leitura...
A manhã era bonita, de um céu tão azul que encantava até mesmo os que nele não prestavam maior atenção. Por um vale cercado de altas montanhas corria um pequeno córrego cujas águas límpidas mais pareciam um espelho, e ao lado dele, acompanhando seu curso, uma estrada de terra que desaparecia lá na frente, entre dois montes separados por estreita garganta.
Por essa estrada um cachorro seguia apressado. Ele carregava na boca o pedaço de carne que abocanhara sabe-se lá onde e como, e certamente procurava algum canto onde pudesse saborear sossegado o petisco preso firmemente entre seus dentes. Rapidamente ele chegou à ponte de tábuas que ia de uma à outra margem do curso d’água, mas tão logo começou a atravessá-la, viu sua própria imagem refletida na água que deslizava devagar por debaixo da passagem de madeira.
Na mesma hora o cão imaginou estar diante de um outro cachorro que também levava um pedaço de carne na boca, só que, aparentemente, esse era bem maior e, portanto, mais apetitoso. Então ...
Continue a leitura...
O amigo pegou o outro no banheiro, urinando sentado no vaso sanitário. Ele estranhou ao ver seu velho companheiro esvaziando a bexiga daquele jeito, e por isso perguntou meio cabreiro:
- Mas o que é isso, cara? O que foi que houve com você?
E o outro, desconcertado por ter sido apanhado no flagra, explicou:
- É que você não sabe o que foi que me aconteceu. Na segunda-feira passada eu saí com uma loira de 1,80m, seios fartos e uma bunda inacreditável, mas na hora "H" eu brochei. Na terça sai com uma morena de 19 anos, ninfetinha maravilhosa, mas na hora H... brochei de novo. Na quarta, com uma ruiva daquelas sem defeito, também brochei. Na quinta, com uma coroa gostosona, brochei outra vez...
Sem entender o por que das coisas, o amigo perguntou:
- Tudo bem, tudo bem, porque brochar faz parte. Mas o que é que isso ...
Continue a leitura...
FLOR DO MARACUJÁ, A
Catulo da Paixão Cearense
Encontrando-me com um sertanejo / Perto de um pé de maracujá / Eu lhe perguntei: / Diga-me caro sertanejo / Porque razão nasce roxa / A flor do maracujá?
Ah, pois intão eu lhi conto / A históra que uvi contá / A razão pruque nasce roxa / A frô do maracujá:
Maracujá já foi branco / Eu posso inté lhe ajurá / Mais branco qui caridadi / Mais branco do qui o lua..
Quando a frô brotava nele / Lá nos confim do sertão / Maracujá até parecia / Um ninho de argodão.
Mas um dia, há muito tempo / Num meis que inté num mi alembro / Si foi maio, si ...
Continue a leitura...
Na mitologia grega, Tanatos era a própria personificação da morte, enquanto Hades (Plutão) reinava sobre os mortos no submundo. Tanatos era irmão gêmeo de Hipnos, o Sono e filho de Nix, a Noite e Érebo, as trevas.
Inimigo do gênero humano, odioso mesmo aos deuses, morava no Tártaro, ou conforme outras versões, tinha como habitação a porta dos Infernos. Hércules o amarrou com laços de diamantes quando foi libertar Alceste, primogênita de Pélios e mulher de Admeto, rei de Feres. Mas, segundo outros relatos, Febo (Apolo) conseguira das Parcas que estas poupassem a vida de Admeto se alguém quisesse morrer em seu lugar; Alceste ofereceu-se para isso, e esta sua dedicação comoveu Proserpina, esposa de Hades (Plutão), que a libertou.
Tanatos teria coração de ferro e entranhas de bronze. Os gregos representavam-no com a figura de uma criança de cor preta, com os pés tortos, acariciada pela Noite, ou, ainda, com o rosto desfeito e emagrecido, coberto por um véu, os olhos fechados e com uma foice na mão. Esse atributo ...
Continue a leitura...
As muralhas constituíram, desde a antiguidade, um importante meio de defesa. Erguiam-se ora em torno de cidades, ora para vedar uma passagem natural, ora em torno de um palácio ou impedindo e dificultando a caminhada de homens e animais em regiões montanhosas, mas com maior freqüência nas regiões planas, sem defesas naturais.
A Muralha da China, também conhecida como a Grande Muralha, é uma delas. Constituindo uma impressionante estrutura construída por várias dinastias ao longo de dois mil anos, suas diferentes partes distribuem-se entre o mar Amarelo (nordeste) e o deserto de Gobi e a Mongólia (a noroeste), com um comprimento total de milhares de quilômetros, dos quais muitos trechos resistiram à passagem do tempo e chegaram aos nossos dias.
Sua construção teve como objetivo a formação de um sistema defensivo capaz de impedir o avanço dos nômades mongóis em território chinês, e assim, serpenteando através de chapadas, desertos, planícies e montanhas, a grande muralha foi avançando por 7.000km, segundo alguns autores, no sentido leste-oeste. Tudo começou por volta de ...
Continue a leitura...
Horácio (65-8 a.C.), que muitos críticos consideram como o mais completo poeta romano, foi também, segundo eles, um lírico que escrevia sátiras, um estóico que celebrava o vinho e o amor, um moralista que sempre fazia o que lhe parecia melhor, mas acima de tudo, um homem preocupado com os problemas do mundo e dos seus semelhantes. Em 44 a.C. ele ingressou no exército e foi nomeado tribuno militar e comandante de legião, mas após uma experiência militar mal sucedida, resolveu dedicar-se inteiramente à literatura.
Começou com Épodos, poemas satíricos que retratam numerosas personagens políticas e literárias da época, e prosseguiu com Sátiras, onde são feitas criticas a sociedade do seu tempo, fustigando os ridículos e excessos de seus contemporâneos. Nessas obras Horácio fala das pessoas acostumadas a conversar segurando e puxando o cotovelo dos ouvintes, para lhes chamar a atenção, e essa referência não foi esquecida, atravessando os tempos até chegar aos dias de hoje.
“Falar pelos cotovelos” é a expressão com que se costuma identificar os que ...
Continue a leitura...
Cipriano José Barata de Almeida (Salvador, 26/09/1762 - Natal, 07/06/1838), nasceu em uma família abastada. Apesar de diplomado em Medicina pela Universidade de Coimbra, em Portugal. foi no exercício do jornalismo que ele, um homem irrequieto e combativo, no dizer de seus biógrafos, mas de firme posicionamento liberal e republicano, despontou como importante líder intelectual dos que representavam o pensamento radical no Brasil do seu tempo.
Em 1798 participou da Conjuração Baiana, sendo detido quando da repressão que se seguiu a esse movimento rebelde, envolvendo-se posteriormente na Revolução Pernambucana, em 1817. Em 1821 foi deputado pela Província da Bahia às Cortes Constitucionais em Lisboa, identificando-se com a ala mais radical da deputação ao personificar um nativismo exaltado, o que enfureceu os deputados portugueses.
Diante dessa reação Cipriano Barata preferiu retornar ao Brasil, mas como não lhe deixaram desembarcar em Salvador, estabeleceu-se no Recife. O fim da censura, em 1821, não havia impedido que a Corte se valesse da imprensa para tentar manter a colônia sob seu domínio, e assim, para ...
Continue a leitura...
As informações sobre a vida de Camões são confusas e repletas de dados duvidosos. Segundo diz o seu contemporâneo Manuel Correia, numa das edições comentadas de “Os Lusíadas”, Camões nasceu em Lisboa por volta de 1524. Seus primeiros biógrafos colocam-no como membro de uma família nobre, e o próprio poeta, em algumas composições, arroga-se a condição de nobre, embora pobre.
Mesmo assim teve educação esmerada, e a cultura revelada em suas obras atesta que teria estudado letras e artes, o que viria facilitar seu acesso à corte e aos prazeres nela existentes. Foi quando se apaixonou pela filha de um rico e poderoso fidalgo, o que acabou provocando seu desterro para a África, onde perdeu o olho direito numa expedição contra os mouros.
Retornando a Lisboa voltou à vida de aventuras e novos amores, até que ao procurar defender um amigo que o acompanhava, feriu o encarregado dos arreios do Paço, sendo preso, condenado e perdoado pela justiça um ano depois, mas com a condição de que se exilasse. Partindo ...
Continue a leitura...
Os maiores assassinos marinhos, os tubarões, encontram-se em seu atual estado de perfeição evolucionária há cerca de 63 milhões de anos. A uma distância de 1,6km, ou mais, ele pode ouvir e localizar precisamente sons de baixa freqüência que indicam uma agitação na água, como um peixe se debatendo. A cerca de 400m pode farejar baixas concentrações de sangue, ou outros fluidos corporais na água, e seguir o cheiro até a sua fonte (na ilustração ao lado, um tubarão-martelo).
Utilizando a fila de detectores ao longo dos lados de seu corpo, ele compara mínimas diferenças no fluxo da corrente e nada em direção a ela para localizar sua vítima. Seus olhos são dez vezes mais sensíveis à luz fraca que os dos homens e, mesmo na escuridão quase total, ele pode ver o movimento da presa a oito metros de distância. Quando está se dirigindo rapidamente para a superfície, pode desativar seu sistema de adaptação ao escuro e acostumar-se instantaneamente à claridade. Mas ao aproximar-se para o ataque, o tubarão nada quase cego, pois, conforme a espécie, ...
Continue a leitura...
Durante as três primeiras décadas do século 19 a província da Bahia foi palco de várias rebeliões de escravos. Uma delas ocorreu quando negros muçulmanos pertencentes às tribos dos haussás e nagôs, e denominados “malês” porque liam e escreviam no idioma árabe, se insurgiram contra a escravidão e a imposição da religião católica. Na época, metade da população residente na cidade de Salvador era composta por negros de culturas e procedências africanas diferentes, com a maioria deles formada pelos chamados "negros de ganho", aqueles que realizavam tarefas por dinheiro e por isso tinham mais liberdade que os negros das fazendas. Eles exerciam pequenos ofícios rentáveis, como o de alfaiates, carpinteiros, vendedores ambulantes e acendedores de lampião; podiam circular com certa facilidade pelas ruas; e alguns, economizando parte dos ganhos que recebiam, conseguiam comprar a própria alforria. No entanto, mesmo libertos, os negros continuavam sendo tratados com desprezo pelos brancos, e não tinham qualquer possibilidade de ascensão social.
Esta situação levou-os a se revoltarem contra os dominadores e seus subordinados mulatos, promovendo em janeiro de 1835 a mais importante dessas ...
Continue a leitura...