O cangaço foi um fenômeno que ocorreu no nordeste brasileiro de meados do século 19 ao início do século 20, originado por questões sociais e caracterizado por ações violentas de grupos que, sem residência fixa, perambulavam pelo sertão. E como seus integrantes conheciam bem o território transformado por eles em esconderijo, principalmente onde encontrar as fontes de água, os locais com alimento, rotas de fuga e lugares de difícil acesso, dificilmente eram apanhados pelas autoridades.
O mais famoso de todos eles foi Virgulino Ferreira da Silva, conhecido como Lampião, que atuou durante as décadas de 1920 e 1930 em praticamente todos os estados nordestinos. Para as autoridades ele era o símbolo da brutalidade e do mal, embora encarnasse para uma parte da população do sertão, valores como a bravura, o heroísmo e o senso da honra. Essa situação só chegou ao fim quando o presidente Getúlio Vargas decidiu extinguir os focos de desordem no território nacional, e em conseqüência, no dia 28 de Julho de 1938, na localidade de Angicos, em Sergipe, o rei do cangaço foi finalmente apanhado e ...
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A bela sociedade, a sociedade alegre, composta de rapazes e de raparigas, estava reunida em roda da larga mesa da sala de jantar, convertida em mesa de jogo. A velha mãe das raparigas, a gorda Sra. Manuela Matias, bem sabia que aquelas noitadas de víspora e chá lhe custavam os olhos da cara... Mas que havia de fazer a Sra. Manuela Matias? Morrera-lhe o marido deixando-lhe aquelas seis filhas, e - com todos os diabos! - era preciso casar as raparigas, pois não era? E ali estava a boa viúva à cabeceira da larga mesa da sala de jantar, embrulhada no seu xale de ramagens, vigiando as filhas que, ao lado dos namorados, iam cobrindo com os grãos amarelos do milho os cartões do víspora.
Cacilda, a mais velha, (vinte anos, dizia ela; vinte e cinco, diziam as más línguas) estava ao lado do louro Eduardo, um janota que, às vezes, no flerte inocente com meninas solteiras, descansava das aventuras mais práticas com as casadas. Juntos, juntinhos, inclinados sobre os cartões, tão juntinhos que de quando em quando as suas cabeças se tocavam e seus hálitos se ...
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1844 - TARIFA ALVES BRANCO, A
Na primeira metade do século 19 as finanças públicas do Império estavam em baixa. A balança comercial apresentava um déficit quase que constante, visto que o valor das exportações era superado pelo das importações. Por outro lado, o orçamento governamental também se mostrava deficitário.
Na época a receita do Governo provinha dos impostos, mas a arrecadação fiscal era muito falha, o que provocava uma receita muito pequena. O imposto territorial, que poderia ser uma fonte de recursos substancial, não era cobrado, pois contrariava os interesses dos donos de escravos e de terras.
O problema das finanças públicas era também agravado pelas constantes revoltas nas províncias, que muitas vezes se recusavam a enviar ao Rio de Janeiro os tributos arrecadados.
Assim, os tributos alfandegários tornaram-se a principal fonte da receita orçamentária nesse período. No entanto, os impostos sobre a ...
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Legislador, estadista, poeta, filósofo, e considerado um dos sete sábios da Grécia, Solon nasceu na ilha de Salamina, perto de Atenas, aproximadamente em 640 a.C., e morreu em 558 a.C.. Pertencendo a uma família nobre, mas empobrecida, ele dedicou-se ao comércio no início da sua vida adulta, e depois viajou muito, retornando rico à sua terra, aos trinta anos de idade, aproximadamente.
Encontrou a Ática esfacelada por facões políticas e ameaçada de revolução, a aristocracia tirânica e dividida, o povo oprimido pelas dívidas e os campos despovoados. Como o estado demonstrava grande fraqueza nas relações com os reinos vizinhos, e Atenas parecia ter renunciado de vez à ilha de Salamina, que se encontrava sob o domínio de Mégara, Sólon, com seus cânticos patrióticos, incitou o povo a reagir, o que foi essencial para a reconquista do território invadido.
Prestigiado por essa liderança ele assumiu o cargo de primeiro magistrado em Atenas (arconte), adotando, então, as medidas que considerava como as mais necessárias: a redução dos juros, a diminuição do ...
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CAVALO E O JAVALI, O
Fedro
Todos os dias o cavalo selvagem saciava sua sede em um ponto do córrego situado pouco além do local procurado pelo javali para fazer a mesma coisa. Só que este, ao se dessedentar, removia com as patas e o focinho o barro do fundo do leito, sujando em conseqüência a água que descia correnteza abaixo. O cavalo então lhe pediu que fosse mais cuidadoso, mas o javali se irritou com a recomendação e acabou falando o que não devia. Então os dois se estranharam e passaram a olhar um para o outro como os inimigos costumam fazer.
Inconformado, o cavalo procurou o homem para lhe pedir ajuda, e este lhe disse: - Eu vou enfrentar esse criador de casos, mas para tanto será preciso que você me deixe montar em seu lombo.
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As Musas eram cada uma das nove divindades que, para os antigos, presidiam as Ciências e as Artes Musicais. Segundo a lenda, eram filhas de Zeus (Júpiter para os romanos), o deus maior, com Mnemósine, a deusa da memória, filha de Urano e Geia e irmã de Cronos e Réia. Elas habitavam preferentemente a região de Pieria, no golfo de Salônica, antiga Macedônia, situada perto do Olimpo, mas desde tempos remotos também eram veneradas em uma região da Grécia antiga (Beócia), onde seus seguidores as festejavam a cada quatro anos.
Embora no passado os poetas e estudiosos da Grécia antiga atribuíssem campos de atividades diferentes a cada uma delas, às vezes a mesma área de trabalho era considerada como da competência de duas ou mais, ao mesmo tempo. Sendo assim, mesmo não havendo concordância plena quanto ao assunto, diz-se que Calíope cuidava da poesia épica ou trágica; Clio, da história e da arte de tocar harpa; Melpômene, da tragédia ou a mesma arte da harpa; Euterpe, da tragédia, a arte da harpa e a poesia lírica; Erato, a poesia de ...
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Guerrilha, ou pequena guerra, é um tipo de guerra não convencional no qual o principal estratagema é a ocultação e extrema mobilidade dos combatentes, chamados de guerrilheiros. Em geral, os grupos guerrilheiros são especializados em assaltos de surpresa através de emboscadas, combates rápidos e sabotagem, e suas táticas são usadas, em geral, por uma parte mais fraca contra uma mais forte.
Já a emboscada é o ato de esperar às escondidas pelo inimigo, para atacá-lo de surpresa. Ou seja: o atacante esconde-se entre os arbustos e pedras que formam o cenário natural do local escolhido para a ação, pretendendo com isso apanhar desprevenida a pessoa, ou pessoas visadas por ele. Tal procedimento deu origem ao verbo amoitar, que significa, entre outras coisas, entrar em moita, meter-se em moita, ficar na moita, esconder-se. A moita, corruptela de mata, é traduzida então como sendo o conjunto de plantas arborescentes, rasteiras e densas, esconderijo ideal para quem não quer ser percebido.
Os ladrões, assaltantes à mão armada, agressores sexuais e outros tipos ...
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Independentemente de seu tamanho e aparência, os animais podem representar sério perigo para os humanos, razão porque nunca é demais relembrar, em relação a estes, as recomendações embutidas em alguns velhos ditados populares. Como, por exemplo, “é melhor prevenir do que remediar”, ou “cautela e caldo de galinha nunca fizeram mal a ninguém”. Cada um desses potenciais agressores do homem é capaz de machucar, mutilar e matar de uma forma diferente: às vezes de maneira tão imperceptível que a vítima pode nem perceber o que aconteceu; de outras feitas, ofendendo-a de surpresa, em investida rápida e certeira que poucos conseguem evitar; ou, então, a agredindo com violência, fazendo valer o seu peso, a sua força e as armas de ataque que possui, dentes e garras que rasgam e dilaceram corpos com a maior facilidade.
Diante de fatores como a enorme disparidade de formas físicas existentes entre essas feras, dos locais que habitam serem mais ou menos invadidos por pessoas, da sua agressividade natural e, principalmente, da oportunidade e reações que os levam a matar gente, sua periculosidade é medida pelo número de óbitos presumidos que provocam. Baseados ...
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O poeta português Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805) é considerado um mestre incomparável do soneto pelos historiadores da Literatura, apesar do conjunto de sua obra literária ser avaliada como de caráter desigual. Nascido em Lisboa, ele era de descendência francesa pelo lado materno. Alistou-se na infantaria aos dezesseis anos e depois ingressou na Academia da Marinha, tendo iniciado nessa época seu convívio com os poetas e boêmios lisboetas.
Em 1785 partiu para a Índia no posto de guarda-marinha, mas a profunda decepção que lhe causaram os portugueses moradores em Goa inspirou-lhe a criação de inúmeras sátiras aos poderosos da colônia. Esse fato, mais as intrigas causadas por seus versos de amor, resultaram em sua transferência para Damão, de onde fugiu para Macau. Graças à influência de amigos ele conseguiu retornar a Portugal em 1790, ano que também marca o início de sua grande atividade literária.
Bocage não se limitava ao modismo literário característico da época em que viveu, e por isso refletiu em seus versos ...
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A tardezinha de sábado, um pouco cinzenta, um pouco fria, parece não possuir nada de muito particular para ninguém. Os automóveis deslizam; as pessoas entram e saem dos cinemas; os namorados conversam por aqui e por ali; os bares funcionam ativamente, numa fabulosa produção de sanduíches e cachorros-quentes. Apesar da fresquidão, as mocinhas trazem nos pés sandálias douradas, enquanto agasalham a cabeça em echarpes de muitas voltas.
Tudo isso é rotina. Há um certo ar de monotonia por toda parte. O bondinho do Pão de Açúcar lá vai cumprindo o seu destino turístico, e moços bem falantes explicam, de lápis na mão, em seus escritórios coloridos e envidraçados, apartamentos que vão ser construídos em poucos meses, com tantos andares, vista para todos os lados, vestíbulos de mármore, tanto de entrada, mais tantas prestações, sem reajustamento — o melhor emprego de capital jamais oferecido!
Em alguma ruazinha simpática, com árvores e sossego, ainda há crianças deslumbradas a comerem aquele algodão de açúcar que de repente coloca na paisagem carioca uma pincelada oriental. E há os avós de olhos filosóficos, ...
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Robin Hood foi um personagem fantástico criado em 1377 pela fértil imaginação de William Langland, que o colocou como o herói do poema épico Piers Plowman? Ou será que ele só ganhou notoriedade após a divulgação de Gesta de Robin Hood, uma coleção de seus feitos e aventuras que os trovadores ingleses cantaram por todo o país a partir de 1400, transformando-o numa espécie de Batman dos tempos antigos?
Ninguém sabe dizer, nesse caso, aonde está a verdade ou a ficção. Do que se tem conhecimento é que muito depois disso o estadunidense Howard Pyle (1853-1911), ao publicar no início do século 20 o livro Robin dos Bosques, ressuscitou a figura do arqueiro inglês, despertando nos donos da indústria cinematográfica de Hollywood o interesse pela filmagem de diversas aventuras do “justiceiro que roubava dos ricos para dar aos pobres”. E foi o que eles fizeram. Entre essas histórias, exibidas em cinemas do mundo inteiro, encontram-se Robin Hood, de 1922, com Douglas Fairbanks no papel principal; As Aventuras de Robin Hood, de 1938, com Errol Flynn no papel principal ...
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Conta-se, na floresta, a história da raposa esfomeada que andava sem rumo à procura do que comer. Ninguém sabe dizer se isso aconteceu porque a idade havia lhe tirado um pouco da agilidade corporal e esperteza no pensamento; ou se aquele período que ela vivia era mesmo de escassez de alimento em virtude dos bichos, por um motivo ou por outro, terem se afastado para outras áreas da mataria. O fato é que a raposa estava em jejum já fazia quase três dias, e a coitada, desesperada, prosseguia em sua caçada infrutífera.
Nisso ela chegou a um lugar de mato mais fechado, onde um tambor que ali fora esquecido fazia soar ruidosamente o seu tum, tum, tum, toda vez que o sopro do vento agitava os ramos das árvores copadas que o cercavam, levando-os a bater no instrumento. Ao ouvir o barulho a raposa se aproximou sorrateira, pé ante pé, e ao avistar aquela coisa estranha e barulhenta, pensou consigo mesma:
- Não sei o que é isso, ...
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A sobrevivência da vegetação no deserto depende de inúmeros recursos, como raízes subterrâneas e caules que fazem às vezes de reservatórios. Por isso as plantas desérticas, além de raízes profundas, apresentam várias outras adaptações especiais ao ambiente pobre em água. Para diminuir a evaporação as folhas (órgãos de respiração e fotossíntese) são perdidas. Essa função passa então a ser exercida pelos caules, que possuindo uma superfície muito menor em relação ao seu volume, desempenham com a eficiência necessária o papel de reservatório.
Exemplo típico dessa adaptação é o cacto, com seus caules verdes e cheios d’água. Mas muitas plantas que para o leigo parecem cactos, pertencem, na verdade, a outros grupos de vegetais que sofreram evolução paralela. Esses caules-reservatórios são notáveis em matéria de impermeabilização. Áreas que não efetuam fotossíntese, como as hastes, são cobertas de cortiça, e as partes verdes são enceradas ou resinosas. Os estômatos, orifícios respiratórios por onde o vapor d’água tende a sair, ficam fechados durante o dia e abertos à noite. Além disso, estão situados em cavidades e depressões, ou cercados de pêlos, para combater ...
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A evolução humana é uma longa e complexa sucessão de fatos ocorridos ao longo de 6 milhões de anos, aproximadamente, uma história obscura e incerta porque os elementos disponíveis para reconstruí-la são escassos e fragmentados. A primeira dessas evidências foi encontrada em Afar, na Etiópia, um esqueleto fossilizado quase completo com cerca de três milhões de anos (Lucy), e além dele, apenas mais alguns fósseis humanos descobertos em lugares geralmente distantes uns dos outros. Porém, a presença na África dos gorilas e chimpanzés, que são os parentes mais próximos do homem, sugere que as origens da nossa espécie devem ser buscadas nesse continente, uma vez que os restos humanos mais antigos descobertos vieram de lá. Diante disso, se pode concluir que a divergência evolutiva que levou a espécie humana para um lado e os macacos para outro, aconteceu nesta região, há milhões de anos.
Apesar das pesquisas feitas para decifrar as origens do homem, ainda se sabe muito pouco sobre isso, estimando-se, apenas, que há aproximadamente 4 milhões de anos, nossos mais antigos antepassados encontravam-se definitivamente instalados na superfície terrestre. ...
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O Conselho Ultramarino português, órgão regulamentado em julho de 1642 para tratar de todas as matérias e negócios de qualquer qualidade que fossem relativos à Índia, Brasil, Guiné, ilhas de São Tomé e Cabo Verde e demais partes ultramarinas, havia autorizado os habitantes da capitania brasileira do Grão-Pará, em 1752, a organizar uma companhia para o tráfico de africanos. O governador e capitão-mor daquela capitania, Francisco Xavier de Mendonça Furtado (1700-1769), irmão de José Sebastião de Carvalho e Melo, o marquês de Pombal (1699-1782), tentou reunir os fundos necessários à realização do projeto, mas como o dinheiro arrecadado não alcançou montante suficiente, uma delegação de moradores da localidade decidiu então ir a Portugal para tentar convencer capitalistas portugueses a participarem da sociedade. O que realmente foi conseguido após autorização do rei Dom José I (1714-1777).
Mendonça Furtado servia no exército quando seu irmão assumiu o governo, sendo então designado para os cargos que ocupou nas províncias brasileiras do Pará e Maranhão, com a incumbência de reprimir as atividades dos jesuítas e obrigar os índios, que eles dominavam, a submeter-se ao ...
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