TERRA É NATURÁ
Patativa do Assaré
Esta terra é como o Só / Que nace todos os dia / Briando o grande, o menó / E tudo que a terra cria. / O só quilarêa os monte, / Tombém as água das fonte, / Com a sua luz amiga, / Potrege, no mesmo instante, / Do grandaião elefante / A pequenina formiga.
Esta terra é como a chuva, / Que vai da praia a campina, / Móia a casada, a viúva, / A véia, a moça, a menina. / Quando sangra o nevuêro, / Pra conquistá o aguacêro, / Ninguém vai fazê fuxico, / Pois a chuva tudo cobre, / Móia a tapera do pobre / E a grande casa do rico.
Esta terra é como a lua, / Este foco prateado / Que é do campo até a rua, ...
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A banana é conhecida pelo homem desde tempos remotos, precedendo mesmo o milenar cultivo do arroz. Segundo o historiador Plínio (23-79), os gregos que viajaram com Alexandre Magno por volta de 350 antes de Cristo, admiravam-se com uma estranha fruta que encontraram na Índia, a banana, dizendo dela que era de extraordinária virtude. Oriunda do sul da Ásia oriental, mas encontrada hoje em todos os países de clima quente e úmido, a bananeira é uma planta que não pode ser cultivada em climas mais frios porque sua tolerância a temperaturas próximas a zero grau é baixa. É por essa razão que as geadas castigam duramente as plantações.
A banana chegou ao continente americano em 1516, vinda da África para São Domingos, na ilha Espanhola, Caribe (hoje dividida entre o Haiti e a República Dominicana), sendo introduzida no Brasil por portugueses que a trouxeram da Guiné. Na América ela encontrou condições climáticas mais favoráveis que em suas zonas de origem, assumindo enorme importância econômica no continente. Os indígenas americanos a adotaram como alimento, e assim as zonas tropicais do Novo Mundo ...
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Os iluminantes são assim mesmo, poucos, contam-se nos dedos. No entanto, alguns dedos são verdadeiras mãos, plêiades! Paul Gauguin são mãos que foragiram-se das civilidades pelas asas de exóticas falenas que à época habitavam as sul-pacíficas praias de um Taiti soberbo e miserável, sem calendas ou relógios, mas com todas as cores possíveis à alma de um mestiço de Tupac Amaru com Asteríx. O colonialismo pairava pelas vulcânicas polinésias e rubros vinhos de Bordeaux manavam de galeões rasgando superfícies das almas para expor as vísceras da arte. Arte que só tinha relevância se servida quente, como iguaria natural e perfumada com os feromônios de suas fêmeas cruas, amamentadas com genuína e jovial devassidão ao Leite de Cascavel e Mel Condensado coletados às 10h07m das manhãs na volúpia fresca do chacoalhar sonífero da maré vazante na orla empalmeirada e afrodisíaca. Um século cravado, contado em medidores TI: Antes de Benjamim Buttom ser concebido já Gauguin pintava um arraial de admirável morenês, como os brasis, em sua acepção mais comovente: um povo que se lê da esquerda para a direita, assim: do macróbio caquético bebendo seu próprio mijo ao micróbio púbere comendo seus próprios sobejos.
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João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
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Natural da cidade de Crato, no Ceará, o padre Cícero Romão Batista (1844-1934) chegou a Juazeiro do Norte, no mesmo estado, em 1872, exercendo ali, durante seis décadas, sua atividade sacerdotal. Ao longo desse tempo ele foi conquistando o respeito e a admiração da comunidade sertaneja, que alguns anos depois passou a lhe atribuir a qualidade de santo e profeta. Isso transformou a cidade em um centro de romarias de camponeses que ainda hoje buscam a cura para seus males, ampliando cada vez mais a fama de milagreiro de que desfruta o Padim Ciço.
Padre Cícero faleceu aos 90 anos de idade (no dia 20 de julho de 1934), em Juazeiro do Norte, acometido de renitente enfermidade renal e outras complicações orgânicas. Sua morte, como não era difícil prever, causou profunda e incontida consternação no seio da população local, assim como aos seus milhares de devotos espalhados por todo o Nordeste brasileiro, e foi esse sentimento de veneração que deu origem a inúmeras lendas consideradas como verdadeiras por quantos crêem nas invocações de toda ordem, feitas ao religioso desaparecido ...
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Algumas enciclopédias esclarecem que um certo doutor Johannes Georg Faust, nascido em 1480, provavelmente em Knittlingen, região de Württemberg, Alemanha, teria concluído um pacto com o demônio, vendendo-lhe a alma em troca de 24 anos de juventude, amor, prazeres e poder sobrenatural. Ora apresentado como médico, mágico e alquimista, ora como homem erudito, astrólogo e adivinho, outras vezes como um viajante charlatão que se aproveitou da credulidade e da superstição de pessoas ignorantes, ou ainda como ex-estudante de teologia, o certo é que, segundo a lenda, esse Faust, ou Fausto, em português, deixou-se dominar pela ambição de ter todas as coisas que desejasse, e por isso tratou com o diabo que lhe entregaria a alma em troca de poder, riqueza e conhecimento. Daí em diante, os que acompanharam a vida desse cidadão passaram a ver na sua habilidade em ganhar dinheiro, nas suas ligações com a magia negra, sodomia e adivinhações, e também na sua morte repentina e violenta, a confirmação de que tudo aquilo era fruto do pacto que ele firmara com o dono do inferno.
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O morro do Corcovado, a meio caminho entre Ubatuba e Caraguatatuba, litoral norte paulista, é o ponto mais alto da região, elevando-se por mais de mil metros acima do nível do mar. Em dias límpidos, o panorama de que lá se descortina abrange desde Parati, no sul do Estado do Rio, até bem abaixo de Caraguatatuba, numa visão deslumbrante, assim como lindas são, também, as lendas contadas a seu respeito, todas enriquecendo de forma única o folclore brasileiro, um dos mais interessantes do mundo.
Uma dessas histórias fala de certo capitão Manoel Fernandes Corrêa, dono de uma bela fazenda na praia Dura, de águas claras e calmas, distante pouco mais de vinte quilômetros da atual cidade de Ubatuba. Conta-se que certo dia sua filha de nome Alice saiu a passear pelas redondezas. Mais imprudente que despreocupada, ela caminhou durante algum tempo por entre a vegetação da área, desviando-se de uma moita espessa para a direita, de outra para a esquerda, e para acolá de mais alguns arbustos que lhe fechavam a passagem, sem prestar atenção no rumo que tomava, ...
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Com uma leve batida, Margô fechou o portão do prédio de classe média alta onde morava. Os relógios apontavam sete e meia da manhã. Era cronometrado. Todos os dias a esta hora lá ia Margô passear com seu cãozinho, um poodle fêmea daqueles emperiquitados, cheio de nove horas, lacinhos para tudo quanto é lado, roupinha de grife e o escambau. Ela, Margô, parece que competia com o animalzinho de estimação no quesito indumentária. Só não se devia chamá-la de verdadeira perua porque seus vinte e muitos anos, quase trinta, a destacavam frente aos olhos do sexo oposto. Na portaria, logo vinham os comentários.
- Lá vai o teteuzinho.
- Pois é, que avião!
Margô morava na cobertura 801. Sozinha! Pois é, era solteira, ou melhor dizendo, viúva, e o apartamento de luxo foi herança do falecido juntamente com a aposentadoria do mesmo de fazer inveja a qualquer salário de senador. Como companhia, somente a cadelinha poodle. E da portaria, as palavras seguiam ...
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As informações sobre a vida de Camões são confusas e repletas de dados duvidosos. Segundo diz o seu contemporâneo Manuel Correia, numa das edições comentadas de “Os Lusíadas”, Camões nasceu em Lisboa por volta de 1524. Seus primeiros biógrafos colocam-no como membro de uma família nobre, e o próprio poeta, em algumas composições, arroga-se a condição de nobre, embora pobre.
Mesmo assim teve educação esmerada, e a cultura revelada em suas obras atesta que teria estudado letras e artes, o que viria facilitar seu acesso à corte e aos prazeres nela existentes. Foi quando se apaixonou pela filha de um rico e poderoso fidalgo, o que acabou provocando seu desterro para a África, onde perdeu o olho direito numa expedição contra os mouros.
Retornando a Lisboa voltou à vida de aventuras e novos amores, até que ao procurar defender um amigo que o acompanhava, feriu o encarregado dos arreios do Paço, sendo preso, condenado e perdoado pela justiça um ano depois, mas com a condição de que se exilasse. Partindo ...
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No início do século 19, Portugal recusou-se a aplicar o bloqueio continental ordenado por Napoleão contra os navios ingleses, e por isso sofreu em 1807 a primeira invasão francesa. Esse ataque motivou o embarque apressado da família real para o Brasil, que o príncipe regente D. João (sua mãe, Dona Maria I, enlouquecera em 1792) elevaria em 1815 à categoria de reino unido ao de Portugal e Algarves. Em 1811 os franceses já haviam sido expulsos de Portugal, mas a permanência de D. João no Brasil permitiu que a administração do território metropolitano português sofresse forte influência do embaixador inglês em Lisboa. Essa intromissão provocou grande desagrado popular e fez eclodir, em agosto de 1820, a revolução do Porto, que repeliria os ingleses de forma definitiva.
Após o sucesso do seu movimento a assembléia revolucionária em Lisboa passou a exigir o regresso do soberano, ao mesmo tempo em que ensaiava medidas para recolonizar o Brasil como forma de superar as dificuldades econômicas que enfrentava. Cedendo a essas pressões Dom João retornou a Portugal em 1821, deixando em seu lugar, como ...
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Os moluscos são animais de corpo mole (invertebrados), viscoso e não-segmentado (não se dividem em partes distintas e funcionais). Eles são predominantemente marinhos, embora existam espécies que vivam na água doce e em terreno firme, sendo encontradas em terra úmida (caracóis e lesmas) e no mar, fixos em rochas (ostras e mariscos) ou livres, seja sobre a areia (caramujos) ou nadando ao sabor das correntes marinhas (polvos e lulas). O filo (divisão) a que pertencem, é o segundo maior em diversidade de espécies, perdendo apenas para os artrópodes, invertebrados com apêndices articulados, entre os quais se incluem as aranhas, lagostas e camarões, os caranguejos, as pulgas e outros mais.
Existe grande variedade e diversidade de moluscos, a maioria apresentando uma concha calcária que lhes esconde o corpo (ostras). Quando essa concha é dividida em duas seções (valvas), unidas em um dos lados por ligamentos e músculos adutores que as abrem e fecham quando necessário, ela é chamada de bivalve. O corpo de alguns desses animais apresenta três partes: a cabeça, onde ficam a boca e os olhos; o pé, ...
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CANANEUS
Guerras, invasões estrangeiras e lutas sanguinárias marcam a história dos cananeus, povo bíblico cujo derradeiro conflito foi travado contra os israelitas, que os assimilaram quando da ocupação da Terra Prometida.
O nome cananeu deriva de Canaã, um dos filhos de Cam, filho de Noé. Esta descendência lhes foi atribuída por sua grande dependência política em relação aos egípcios camitas. No entanto, sabe-se que a maioria dos habitantes de Canaã – Palestina e Fenícia – era formada por semitas imigrados em diversos períodos, provavelmente entre o 4º e 2º milênios anteriores ao nascimento de Cristo.
Como os cananeus da Fenícia ficaram geograficamente separados dos palestinos, tiveram uma evolução histórica e política diversa da dos habitantes da planície e do vale do Jordão. No Velho Testamento, as palavras Canaã e cananeus têm ...
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As águas-vivas conhecidas como caravelas estão presentes em todos os mares (no Brasil elas são encontradas com mais facilidade do Maranhão até Alagoas, e do sul da Bahia até Santa Catarina), preferindo viver livremente ao sabor das ondas e impulsionadas pelo vento, em águas claras, quentes e não muito profundas.
O interessante nesse animal marinho é que ele, na realidade, não é uma água-viva, embora se pareça com ela, mas sim uma colônia complexa de indivíduos denominados pólipos, onde um depende do outro para sobreviver. Por isso funcionam em perfeita harmonia, cada qual desempenhando sua tarefa específica: o pneumatóforo se transforma no corpo principal de flutuação; os dactilozoóides formam os tentáculos; os gastrozoóides o aparelho digestivo, e os gonozoóides produzem os gametas (óvulo e espermatozóide) para a reprodução.
O núcleo dessa colônia é, portanto, um animal com a forma de um balão de gás de onde saem longos tentáculos, tudo desenvolvido a partir de um único ovo fecundado, o que importa em dizer que os membros da ...
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Um ladrão rondava a casa de um homem rico porque pretendia assaltá-la, mas hesitava em fazê-lo pois tinha medo do cão de guarda que a protegia, um animal grande e que parecia ser muito feroz.
Até que em certa noite ele se encheu de coragem e decidiu entrar residência que observava, mas levando na bolsa alguns pedaços de carne que tencionava dar ao cachorro para que este se acalmasse quando os visse, se pusesse a comê-los, e dessa forma não chamasse a atenção do seu dono com latidos. Mas assim que o larápio jogou os nacos de carne por cima da grade que cercava a residência, o cachorro lhe disse:
- Se por acaso você está imaginando que desse jeito conseguirá calar a minha boca, então cometeu um grande erro, porque essa sua gentileza repentina serviu para despertar ainda mais a minha atenção. Por isso, não tente entrar aqui em casa, pois tenho certeza de que por trás desse seu gesto existe uma intenção oculta que visa o seu próprio interesse, ...
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O grave professor, aprumando sobre o nariz os óculos de ouro, começa a sua lição. Grave, grave, o professor Mac-Leley! Calvo, vermelho, possuindo nas bochechas flácidas algumas falripas raras e grisalhas, o velho inglês é a circunspeção em pessoa. Sempre severamente trajado – com calças negras, colete negro, rodaque de alpaca negra, gravata negra de três voltas... Grave, grave, o professor Mac-Leley!
Levanta-se, tosse duas vezes, passeia pela sala um olhar minucioso, e principia. Os meninos, em semicírculo, agitam-se, mexem-se, dispõe-se a ouvir a palavra do mestre, que vai fazer a lição de coisas. Justamente um dos alunos faltou: morrera-lhe um tio. E o circunspeto Mac-Leley aproveita a ocasião para ensinar à classe o que é um defunto, o que é a morte, o que é a vida, o que é um cadáver...
- Quando cessa o funcionamento de um órgão, meninos, diz-se que este órgão está morto. O corpo humano é um conjunto de órgãos... O funcionamento de todos esses órgãos é a vida. Se os órgãos não funcionam mais, o homem morre, é um defunto, é ...
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