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Um lindo papagaio foi oferecido ao homem que passeava na feira. O vendedor, como era de se esperar, foi pródigo na argumentação com que tentava convencer o comprador em mira, mas dos predicados atribuídos ao pássaro que pretendia passar adiante, dois conseguiram despertar o interesse do cidadão consultado: primeiro, o de que a ave falava muita coisa, talvez até demais; e segundo, o de que ela era caseira, ou melhor dizendo, que não se aventurava em saídas para o exterior mesmo encontrando portas ou janelas abertas, preferindo o conforto e a segurança do confinamento interno.

 

Negócio fechado, o cidadão levou o papagaio para sua residência, onde o soltou na sala de jantar. A partir daí, e como desfrutava de total, completa e absoluta liberdade, o novo morador cuidou primeiro de inspecionar detidamente o lar que ganhara de mão beijada, e para isso percorreu todos os cômodos, um a um, examinando-os inicialmente com cuidado e atenção, e depois comentando em voz rouca e alta o que achava de cada uma das peças vistoriadas. “Currupaco, esse é legal”; ...

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Manoel Ambrósio (1865-1947), natural de Januária, vale do São Francisco, em Minas Gerais, intelectual, folclorista e membro do Instituto Historio e Geográfico de Minas Gerais, escreveu Brasil Interior, livro em que aborda o folclore das margens do referido rio. Em certo trecho dessa obra ele discorre sobre um homem afamado em seu tempo, mas de particularidades de vida muito pouco conhecidas de quantos, na época dos acontecimentos, conviveram com ele nos mesmos rincões do norte mineiro, afirmando que:

 

“... era um vaqueiro ambulante, misteriosamente aparecendo por fazendas em ocasiões de difíceis vaquejadas, em que pintava proezas admiráveis. Nos sertões do norte mineiro dele se fala ainda com essa crença supersticiosa cheia de infância e desalinho, marcando datas, lugares, perigos inimagináveis, quase impossíveis, salvando gerações, vivendo de todos e por toda a parte, sempre o mesmo, inextinguível. Franzino, mulato de mediana estatura, pouco idoso, falando pouco e muito descansado, sempre vestido de perneira e gibão, cavalgando eternamente uma égua muito feia e magra ocultando a larga fronte, olhar expressivo e barba espessa e comprida sob um grande e desabado chapéu de ...

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BESOURO ROLA-BOSTA

 

Os rola-bostas (Ontophagus gazella), também conhecidos como besouros de estrume, ou escaravelhos, são insetos da família dos escarabeídeos. Esse nome advém do fato de que eles comumente se alimentam de fezes de animais herbívoros, especialmente bovinos e eqüinos, enterrando bolinhas de estrume, na época da reprodução, para alimentar as larvas que se criam sob o solo. Por isso têm importante papel na reciclagem de nutrientes do solo. Diz-se dos besouros que eles têm como estratégia reprodutiva fazer uma ou várias bolas de estrume, as quais são enterradas e sobre as quais depositam seus ovos.

 

É notável sua presteza em encontrar um monte de estrume. A técnica, de fato, não é muito diferente da usada pelos pilotos alemães em noites de bombardeio durante a Segunda Guerra Mundial, conhecida como knickbein (perna torta). Nessa tática, um poderoso transmissor dirigia para o alvo duas ondas de rádio ligeiramente sobrepostas. Enquanto o piloto voava ao longo delas, ouvia uma nota contínua no seu fone de ouvido, mas se saísse ...

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CHAMAS, AS

15/07/2010 às 07:27:06

Já fazia algum tempo que as chamas brilhavam dia e noite na fornalha do soprador de vidro, porque este e seus ajudantes trabalhavam quase sem descanso para poder produzir e entregar no prazo certo as encomendas que recebiam. Certa hora, sabe-se lá por qual motivo, um castiçal prateado foi colocado bem ao lado da fornalha, e nele uma vela curta fazia luzir a pequena língua de fogo que produzia com mal disfarçada displicência.

 

Isso foi o bastante para que as chamas logo procurassem aproximar-se da recém-chegada, e tanto fizeram que uma delas finalmente conseguiu saltar mais alto que as outras, o que lhe permitiu passar por uma pequena fresta, alcançar a vela e começar a devorá-la com a sofreguidão característica das labaredas de qualquer tamanho. Em pouco tempo não restava mais nada da vela, e a chama, satisfeita, tentou retornar à fornalha, mas apesar das tentativas que fez, não conseguiu se desgrudar da cera amolecida. Então, ao se dar conta do perigo que corria, ela pediu socorro às suas irmãs que crepitavam na fornalha, mas gritou em vão, porque estas ...

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O Projeto Tamar-ICMBio foi criado em 1980, pelo antigo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal-IBDF, que mais tarde se transformou no Ibama-Instituto Brasileiro de Meio Ambiente. Hoje, é reconhecido internacionalmente como uma das mais bem sucedidas experiências de conservação marinha e serve de modelo para outros países, sobretudo porque envolve as comunidades costeiras diretamente no seu trabalho sócio-ambiental.

 

Pesquisa, conservação e manejo das cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil, todas ameaçadas de extinção, é a principal missão do Tamar, que protege cerca de 1.100km de praias, através de 23 bases mantidas em áreas de alimentação, desova, crescimento e descanso desses animais, no litoral e ilhas oceânicas, em nove Estados brasileiros.

 

O nome Tamar foi criado a partir da combinação das sílabas iniciais das palavras tartaruga marinha, abreviação que se tornou necessária, na prática, por conta do espaço restrito para as inscrições nas pequenas placas de metal utilizadas na identificação das tartarugas marcadas para diversos estudos. Desde então, a expressão Tamar passou a designar o Programa Brasileiro de Conservação ...

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Em 1650 a indústria açucareira do Maranhão não conseguia custear as despesas com a importação de escravos africanos, e por isso os senhores de engenho locais procuraram resolver seus problemas de mão-de-obra capturando índios evangelizados nos aldeamentos jesuítas, onde eles eram aproveitados pelos religiosos nas pequenas lavouras e na coleta das chamadas “drogas do sertão”, que consistiam em raízes, folhas e cascas que serviam de base para a fabricação de produtos farmacêuticos europeus, além de especiarias como a canela, pimenta, castanha, cravo, baunilha, urucum, salsaparrilha, cascas, folhas e raízes aromáticas que ajudavam a conservar ou temperar alimentos, e sobretudo aves exóticas de plumagens belas e coloridas, vendidas na Europa por preços elevados. Diante dessas incursões a Companhia de Jesus recorreu à Coroa portuguesa, que interveio e proibiu a escravização do índio, provavelmente porque ela não trazia lucro para a metrópole, além de conceder aos religiosos a jurisdição espiritual e temporal sobre os nativos, o que forçava os colonos a adquirir escravos negros.

 

Para resolver o problema que a carência de escravos causava aos proprietários rurais maranhenses, os ...

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IARA

05/08/2010 às 21:06:33

A lenda de Iara, ou Uiara, é de origem européia, provavelmente trazida pelos portugueses no início do período de colonização, quando estes penetraram na região amazônica levando consigo as crenças e tradições oriundas da leitura de clássicos antigos como a Ilíada e Odisséia, de Homero, Eneida, de Virgílio, Epítetos, de Heródoto, ou ainda os Luzíadas, de Camões, onde as aparições de sereias são mencionadas várias vezes. Seja como for, o fato é que a Iara brasileira não está sozinha no universo das crendices em figuras femininas configuradas como metade gente, metade peixe, pois isso também acontece com a Sirena espanhola, as Nereidas gregas, a Lorelei nórdica, a Kianda africana, ou a Sereia portuguesa.

 

Esse mito foi sendo incorporado à cultura indígena mas representado no início por um homem-peixe, o Ipupiara, que caçava homens e os levava para o fundo das águas a fim de devorá-los. No século 18 esse personagem masculino transformou-se na sedutora Iara, também habitante do fundo dos rios, de onde sai nos fins de tarde para aparecer à flor das águas com seus longos cabelos ...

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A criminalidade, além de ser a qualidade ou estado do que ou de quem é criminoso, também indica a freqüência e natureza dos atos criminosos num dado meio, numa época e lugar determinados, constituindo, portanto, o conjunto e a história dos crimes. Já a criminologia estuda a conduta do delinqüente em função de alguns fatores, como os hereditários, os psicológicos e os sociais, não dispensando a colaboração de outros ramos do conhecimento para classificar os diversos tipos criminais e considerar o tratamento que se deve dar a quem pratica um crime.

 

Na antiguidade, o castigo aplicado aos criminosos variava segundo as circunstâncias do crime, a condenação pronunciada e as leis de cada país, e o acontecido a Procusto é um exemplo disso.

 

Ele era um famoso salteador da Ática, antiga região grega que, segundo a tradição, dividia-se em doze estados pelasgos, os primitivos habitantes que povoaram a Grécia e a Itália por volta de 2000-1600 a.C., cujas cidades principais eram Atenas, Pireu e Elêusis. Sanguinário ao extremo, Procusto não ...

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ETRUSCOS

01/02/2011 às 19:57:23

A escrita dos etruscos ainda não foi decifrada (na ilustração, o texto Liber Linteus Zagrabrensis, também conhecido como texto de Agram ou Liber Agramensis), o que ajuda a manter cercado de mistério quase tudo o que diz respeito a esse povo. Um dos primitivos habitantes da península italiana, eles habitavam a região da atual Toscana (que tem Florença como capital), e o que se sabe de sua história procede de fontes arqueológicas e referências indiretas, principalmente romanas.

 

A civilização etrusca teria começado por volta de 1000 antes de Cristo e alcançado o apogeu no século 6 antes de Cristo, quando a nação tornou-se rica e poderosa. Hábeis artesãos, os etruscos trabalhavam os metais com requintada maestria, explorando minas de ferro e cobre e preparando o metal bruto aproveitado pelo artesanato de outras localidades. Exportavam principalmente o bronze, importando ouro, prata e marfim do Oriente, além de cerâmicas de luxo da Grécia.

 

Concorrentes dos gregos e cartagineses no comércio marítimo e na pirataria (uma atividade habitual na Antiguidade), os marinheiros e mercadores etruscos ...

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BETERRABA

22/11/2010 às 13:40:07

A beterraba é originária da Europa. Embora se acredite que o homem a venha aproveitando como alimento e medicamento desde a Idade da Pedra Polida, o primeiro registro escrito sobre ela surgiu por volta do século 8 antes de Cristo, na Mesopotâmia.  Além disso, estudos têm comprovado que egípcios, gregos, romanos e até mesmo os povos bárbaros do tempo pré-cristão a incluíam em sua alimentação.  

 

Hoje, a beterraba faz parte do regime alimentar de muitos brasileiros, embora seja grande o número dos que desconhecem suas características peculiares. Na verdade, existem três tipos dessa hortaliça: a açucareira, usada para a produção de açúcar; a forrageira, que serve de alimento a animais domésticos; e aquela cujas raízes são consumidas como hortaliça, sendo essa a mais conhecida no Brasil.

 

Rica em diversos nutrientes, ela é reconhecida como um alimento saudável que pode ser consumido de várias formas: fervida e servida como acompanhamento, usada em conservas, saladas e condimentos, ou preparada como picles (conservas feitas com vinagre). Suas folhas, parte mais ...

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VAMPIROS

06/08/2010 às 11:02:28

Vampiro é um ente fantástico que a superstição popular acredita sair das sepulturas para sugar o sangue dos indivíduos vivos, especialmente das crianças. Essa crença é muito antiga, porque as lendas sobre as temidas criaturas que supostamente se alimentam de sangue, vêm de tempos que antecederam o cristianismo, originárias do Oriente e incorporadas aos receios e medos dos europeus através dos povos eslavos ocidentais que ocupavam as montanhas dos Cárpatos, na Europa central. Não é à toa, portanto, que a história do terrível conde Vlad Drácula (1431/1474) - que se tornou conhecido como o mais famoso dos vampiros graças às obras escritas pelo irlandês Abraham “Bram” Stocker (1847/1912),  e editadas a partir de 1897 - tenha se originado na Transilvânia, região histórica da moderna Romênia.

 

Em 1764 o escritor francês Voltaire (1694/1778), escreveu Dicionário Filosófico, e nele inseriu uma longa entrada sobre vampiros, definindo-os como “corpos que saem das suas campas de noite para sugar o sangue dos vivos, nos seus pescoços ou estômagos, regressando depois aos seus cemitérios”. Acreditava-se, naquela época, que esses entes malignos dormiam em seus caixões ...

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Fábulas são narrativas de acontecimentos fingidos, inventados para instruir ou divertir as pessoas. Sendo assim, elas relatam histórias fictícias que visam dar representação concreta a uma idéia abstrata, ou, sobretudo, a um conceito moral. São diferentes das parábolas, pois enquanto estas não ultrapassam os limites do provável, do que é possível acontecer, as fábulas procuram sempre dar característica real ao fantástico, geralmente transferindo para os animais as qualidades e sentimentos pertencentes ao homem. Os fabulistas mais antigos deixaram obras muito interessantes, e dentre eles podem ser destacados Esopo, Fedro e La Fontaine, este último autor de 240 apólogos nos quais humanizava os animais, caracterizando-os com os costumes da sociedade francesa do século 17.

 

Na Grécia antiga, Esopo, um moralista e fabulista do século 6 a.C., encantou os seus contemporâneos com narrativas inteligentes, da mesma forma como se tornou famosa a fábula de Horácio sobre o rato do campo e o rato da cidade. E entre tantas outras histórias que corriam de boca em boca, também estava a do leão e do lobo que decidiram se associar ...

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TATU-CANASTRA

22/11/2011 às 23:49:55

TATU-CANASTRA

 

Nativo do continente americano, onde habita os campos, cerrados, matas ciliares e florestas secas desde a Venezuela e Guianas até a Argentina, o tatu tem cabeça, corpo, cauda e extremidades providas de pequenas placas ósseas dispostas lado a lado (com exceção da barriga). Elas formam uma grande couraça protetora com dois grandes escudos, um no ombro e outro na anca, interligados por um número variável de cintas transversais articuladas no meio do corpo. Suas mãos têm quatro ou cinco dedos guarnecidos de unhas desenvolvidas e robustas.

 

Dele são conhecidas em nosso país quase vinte espécies cujo tamanho médio é de 50 a 60 centímetros. De hábitos diurnos ou noturnos, esses mamíferos se alimentam de formigas, insetos e ervas, embora algumas deles tenham predileção por restos putrefatos de outros animais. Mas a excelência da carne de algumas dessas espécies, que os entendidos julgam extremamente saborosa, sobretudo se for assada dentro da casca, as tornam alvo de uma caçada constante movida pelos interessados em degustá-la, o que vai tornando rara ...

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Em 22 de junho de 2007, na cidade de Petaluma, na Califórnia, Estados Unidos, durante a feira do condado de Marin-Sonoma, um cão de nome Elwood, com dois anos de idade, ganhou o título de cão mais feio do mundo, e junto com ele, um prêmio de mil dólares. No ano anterior, ele havia conseguido a segunda colocação.

 

Mestiço das raças Chinese Crested e Chihuahua, com pelagem curta e de cor escura, Elwood pertence a Karen Quigley, moradora de Sewell, New Jersey.

 

Como ele tem dentes só na metade da boca, sua língua fica quase sempre pendendo para fora, do lado esquerdo, e quando é movimentada para cima acaba machucando seu olho, que por causa desse incômodo permenece sempre fechado.

 

Por achar que Elwood ficara muito feio, sua primeira dona decidiu entregá-lo para a carrocinha. Mas quando o marido de Karen ficou sabendo que ele seria sacrificado, levou sua esposa até o canil, o que acabou salvando a vida ...

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A palavra chapéu nos veio do latim antigo cappa, capucho, cujo significado é o de peça usada para cobrir a cabeça. Segundo alguns autores, foi no Egito antigo, na Babilônia e na Grécia, por volta do ano 4.000 a.C., que surgiram as primeiras faixas destinadas a cobrir a cabeça dos que as usavam, prendendo e protegendo seus cabelos. A faixa estreita que é colocada em torno da copa dos chapéus da atualidade, é uma reminiscência desse primeiro tipo de proteção para a cabeça.

 

Foi por volta do ano 2.000 a.C.. que surgiu o primeiro chapéu, propriamente dito, um modelo de copa baixa e abas largas, usado pelos gregos como forma de proteção nas viagens que faziam. Prático, ajustável, e podendo ser retirado com facilidade, esse modelo se manteve em uso na Europa até depois da Renascença (século XIV-XVI), quando então os chapéus masculinos adquiriram diversos formatos, tornando-se ricamente enfeitados, e usados pelos homens poderosos.

 

Luiz XIV, rei da França, filho de Luiz XIII com Ana da Áustria, viveu de 1638 a ...

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