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Há poucos dias convidei alguns amigos para almoçar comigo no Panela’s, um restaurante afamado aqui em Periquitinho Verde. Assim, por volta das onze e pouco nos dirigimos para lá, mas já encontramos o salão com quase todas as mesas ocupadas. Apesar disso conseguimos arranjar um bom lugar, e logo depois que nos sentamos um garçom solícito e educado veio nos atender. Como sou observador, notei que ele trazia uma colher guardada no bolso da camisa, o que não é coisa comum de se ver nesse tipo de profissional, e por isso achei aquilo esquisito. Mas não dei muita importância ao fato porque o considerei como uma circunstância casual, coisa de momento. No entanto, quando o encarregado da arrumação da nossa mesa trouxe a água, copos e talheres, percebi que ele também tinha uma colher no bolso da camisa. Curioso, dei uma passada de olhos pelo salão, e constatei surpreso que a mesma coisa acontecia com todos os garçons, garçonetes e atendentes. Aí já era demais!

 

Por isso, quando o garçom voltou para anotar o nosso pedido, não agüentei a coceira na ponta da língua e decidi saciar ...

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A sangria constitui um dos processos terapêuticos mais antigos, e sua prática ainda pode ser observada entre os atuais povos selvagens. Ao lado dela, foi igualmente tradicional o emprego, para o mesmo fim, das sanguessugas, ventosas, cauterizações e outros meios, todos esses processos baseados a princípio na crença de que os males do corpo eram causados por um demônio que se incrustava nele causando dores, inflamações e outras conseqüências, e que para alívio do paciente seria necessário expulsar esse ser maligno, o que se fazia por meio de uma abertura na parte correspondente do corpo, para que ele saísse por ali junto com o sangue que jorrava. Mais tarde, verificou-se empiricamente que a operação produzia realmente determinados efeitos às vezes diferentes da intenção inicial, e então a tradição consagrou certas normas para que a sangria pudesse ser realizada.

 

Além disso, algumas perdas naturais de sangue, como sangrias pequenas do nariz e as menstruações, mostraram ter efeito benéfico, o que orientou igualmente o homem primitivo no sentido de determinadas práticas de sangria. Para os antigos, o sangue constituía um dos ...

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MATUTO E O DOUTOR, O

Zé Laurentino

 

http://fernandod.com.br/images/textos/MATUTO E O DOUTOR, O.jpgDotô, não sou rico não / Mas vivo desapertado / Tenho uma casa de alpende / Vinte cabeça de gado / Uns quatro burro de caiga / E um cavalo manga laiga / Prumode eu andá montado.

 

Tenho uma roça bonita / De uveia tenho rebanho / Tenho um açude cheinho / Só mecê vendo o tamanho / Onde eu dou água a meu gado / E quando o calô ta danado / Serve mode eu toma banho.

 

Tenho um casá de menino / Uma mulé de verdade / Tenho um rádio falado / Qui eu comprei na cidade / E uma viola de pinho / Onde toco bem cedinho / Mode ispantá a sodade.

 

Um boi, um cutivador, / Vinte quadro de raiz, / E tá todinho cercado / ...

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FILISTEUS

01/02/2011 às 20:12:23

No século 12 antes de Cristo, a ilha de Creta e as praias da Ásia Menor foram invadidas por grupos originários do norte da Europa, entre os quais se destacavam os dóricos, que ocuparam a Grécia micênica. As vítimas desse ataque foram forçadas a se refugiar em ilhas do Mediterrâneo e na Ásia Menor, mas acabaram por atacar e destruir o Império Hitita e, finalmente, tentaram invadir o Egito, primeiro através da Líbia, e posteriormente pelas costas da Síria e da Palestina. Derrotados por Ramsés III, os filisteus estabeleceram-se nas planícies costeiras da Palestina, provavelmente com o consentimento do faraó (uma vez que a região estava sob administração egípcia), o qual, dessa forma, tentava afastá-los de seu reino.

 

A origem dos filisteus ainda hoje é motivo de controvérsias. Há polêmica até mesmo sobre o fato de que se tratava de único povo, ou de uma confederação de povos que migraram do mar Egeu para o leste do mar Mediterrâneo, no século 13 antes de Cristo. No entanto, a teoria mais aceita cientificamente baseia-se na hipótese de que se tratava de ...

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PEDRAS DE MARIA DA CRUZ

Minas Gerais

 

Nas primeiras décadas do século 16 não havia homens brancos nas margens do rio São Francisco. Como as embarcações marítimas não eram apropriadas para a navegação fluvial em águas correntes, foi necessário um longo processo de adaptação, inclusive assimilação de técnicas indígenas, como a confecção de canoas feitas dos troncos das árvores. Com o aperfeiçoamento das embarcações, missionários e portugueses espalharam-se pelos afluentes do São Francisco iniciando sua colonização, datada dos primórdios da mineração do ouro e do diamante (início do século 18).

 

Nessa época os chamados cristãos novos ocuparam o norte de Minas com fazendas agropecuárias nas quais realizavam diversos ofícios: tecelagem, artefatos de couro, móveis e utensílios de madeira e taquara, doces, queijos, farinhas e uma produção agrícola que englobava milho, feijão, arroz, mandioca e frutas. Esse foi o marco inicial na colonização do norte de Minas, onde surgiram várias comunidades ao longo do São Francisco. Inclusive Pedras ...

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Localizado no nordeste gaúcho, na região dominada pelos campos ondulados da Serra Geral e conhecida como Campos de Cima da Serra, o município de Cambará do Sul, distante 190 quilômetros de Porto Alegre, oferece a quem o visita a oportunidade de conhecer o Parque Nacional da Serra Geral, que preserva um ecossistema de rara beleza e importância. Criado em maio de 1992 como forma de ampliar a área de proteção dos grandes e famosos cânions brasileiros, esse parque - com área de 17.300 hectares que se estendem por terras dos municípios de Jacinto Machado e Praia Grande, em Santa Catarina, além das de Cambará do Sul - é como uma extensão do Parque Nacional de Aparados da Serra, compondo com ele uma área de conservação bem mais ampla.

 

Cambará do Sul é conhecida como a terra dos cânions, termo usado em geologia para designar um vale profundo com paredes abruptas formando penhascos, geralmente escavado por um rio. Eles são também chamados de canhão, desfiladeiro ou garganta, e alguns exemplos são o Grand Canyon, nos Estados Unidos, a Garganta do Diabo, ...

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A hora de recreio já estava quase terminando e por isso Joãozinho e Luisinho conversavam sentados no banco do pátio, aguardando o toque da campainha para retornarem à sala de aula.

 

A professora da escola estadual de Periquinho Verde estava ali por perto, a uma distância que lhe permitia ouvir, mesmo sem estar prestando atenção, a conversa entre os dois meninos. Mas certo trecho do diálogo despertou seu interesse. Foi quando o Luizinho, pretendendo contar vantagem, disse ao coleguinha:

 

- Meu pai é tão alto, mas tão alto, que um dia ele levantou os braços e encostou a mão nas nuvens.

 

 A professora esperou pela resposta, porque sabia que Joãozinho não deixaria passar em branco a gabarolice do seu companheiro de classe. E ela veio de imediato, pois o menino não perdeu tempo para retrucar:

 

- Quando ele encostou a mão lá nas nuvens, tenho certeza de que sentiu algo macio, não foi?

 

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ALOIDAS

05/09/2010 às 13:23:40

Diz a Bíblia que “Quando os homens começaram a multiplicar-se sobre a terra, e lhes nasceram filhas, os filhos de Deus viram que as filhas dos homens eram belas e escolheram esposas entre elas". O Senhor então disse: “Meu espírito não permanecerá para sempre no homem porque todo ele é carne, e a duração de sua vida será só de cento e vinte anos. Naquela época viviam gigantes na terra, como também daí por diante, quando os filhos de Deus se uniam às filhas dos homens e elas geravam filhos. Estes são os heróis tão afamados em tempos antigos (Gênesis 6:1/4)".

 

Na mitologia grega há uma geração de Gigantes que não pertence às divindades primordiais. Trata-se de Oto e Efialtes, filhos de uma aventura amorosa do deus dos mares Poseidon (na ilustração acima), ou Netuno para os romanos, com Ifiméia, esposa do titã Aloeu, que apesar da infidelidade da mulher os acolheu e criou, daí o nome por que são conhecidos. Em uma das versões que falam deles, os gêmeos juntaram-se aos outros Gigantes rebelados contra Zeus (Júpiter), e então, ...

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SUBMARINO

29/06/2012 às 08:29:40

SUBMARINO 

 

http://fernandod.com.br/images/textos/SUBMARINOS 1.jpgO submarino é resultado do interesse do homem na busca de meios que lhe permitissem agir debaixo da água para destruir navios inimigos, sem ficar exposto a grandes riscos. Segundo o grego Aristóteles (384-322 a.C.), já em 332 a.C. soldados vestidos com roupas impermeáveis dotadas de tubos que captavam ar na superfície, foram abrir furos no casco dos navios de Alexandre Magno (356-323 a.C.), rei da Macedônia, que estava assediando a cidade de Tiro, no litoral sul do Líbano atual.

 

Alguns inventores dedicaram-se no passado ao problema de como construir um barco submersível, entre eles Leonardo da Vinci (1452-1519). Mas a primeira informação histórica de um submarino, propriamente dito, vem do século 16, quando o bispo de Upsala, na Suécia, registrou o uso de barcos de couro que podiam mergulhar. Na mesma época (1573), o oficial William Bourne, comandante dos serviços de artilharia naval da esquadra britânica, descreveu num tratado os diferentes meios que poderiam ser usados para destruir os navios espanhóis da Invencível ...

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A cidade paulista de São Vicente foi fundada por Martim de Afonso de Souza em 22 de janeiro de 1532. O povoado primitivo nela instalado vinha crescendo aos poucos, espalhando-se em torno de uma pequena igreja denominada Nossa Senhora de Assunção, quando um maremoto, segundo alguns historiadores, ou uma ressaca mais forte, segundo outros, o destruiu por volta do ano de 1542. Um dos registros que tratam dessa calamidade diz que “o primitivo sítio de São Vicente teria sido no fim da praia de Tararé, hoje Gonzaguinha, junto ao mar, alguma coisa distante do porto de Tumiarú”. E mais adiante: “no ano de 1542, já não existia a casa do Conselho e a povoação se tinha mudado para o lugar onde hoje existe”. Isso em conseqüência da primeira povoação ter sido destruída pela ação do mar. De tal fato nasceram duas lendas que, sobrevivendo aos tempos, ainda são contadas pelos que teimosamente se mantém à distância do descaso e ceticismo com que essas lembranças são encaradas nos dias de hoje.

 

Uma delas fala do amor não correspondido de uma ...

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ESTRESSE

15/03/2010 às 16:20:25

Quando falamos em estresse (ou stress) geralmente nos referimos à tensão ou angústia emocional que sentimos em situações de dificuldade, pressão e desgaste, embora ele represente, na verdade, um conjunto de reações fisiológicas causadas por diferentes motivos, como a doença física e ferimento, ou fatores psicológicos que incluem o medo, a irritação, a frustração, a inveja, ódio e até mesmo a euforia desmedida.

 

Em 1936, o endocrinologista canadense Hans Selye (1907-1982) observou que organismos diferentes apresentam um mesmo padrão de resposta fisiológica para estímulos sensoriais ou psicológicos. Em seu trabalho de pesquisa ele submeteu cobaias a situações estressantes, e registrou a ocorrência de um padrão na resposta comportamental e física dos animais, com sintomas específicos desenvolvidos em três fases sucessivas (alarme, resistência e esgotamento), às quais deu o nome de Síndrome Geral de Adaptação.

 

Na primeira delas, resultante de situações enfrentadas no dia-a-dia da população humana (como o trânsito caótico; a ameaça à segurança ou desequilíbrio na vida afetiva; a ocorrência de acidente, assalto, seqüestro, catástrofes; frio intenso; cirurgia e ...

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Os crocodilos pertencem à ordem dos répteis aquáticos e estão divididos em famílias diferenciadas entre si pelo formato do focinho mais ou menos alongado. Todas essas espécies são providas de unhas, com os machos e fêmeas possuindo dois pares de glândulas não visíveis externamente, um situado na região do pescoço e o outro na cloaca, ambos produzindo almíscar, substância amarga e de coloração amarelada que se evapora com extrema facilidade e exala forte odor, sobretudo durante o cio.

 

Os costumes desses animais são assemelhados, ou seja, eles vivem na água dos grandes rios e nos brejos, embora também consigam sobreviver na água salgada. Conhecidos pelo temperamento pouco dócil, bravo e arredio, os crocodilos são bons nadadores e normalmente podem ser encontrados reunidos em grande número. De hábitos crepusculares ou noturnos, só acidentalmente procuram a terra firme, ora para se aquecerem ao sol, ora para migrarem de um local a outro, ou simplesmente depositar seus ovos na areia. Extremamente vorazes, os crocodilos alimentam-se com qualquer tipo de animal morto ou vivo, sendo capazes de engolir presas de tamanho ...

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Normalmente se diz que os desertos são regiões onde a evaporação de água é maior do que a precipitação, mas ao considerar-se exclusivamente a cobertura vegetal, também poderá ser dito que a insuficiência de chuva nesses lugares não permite a presença continuada de plantas. Essas regiões desérticas são criadas por causas diversas e surgem naturalmente em qualquer parte do mundo, mas as áreas onde elas aparecem em maior quantidade estão situadas próximas aos Trópicos de Câncer e Capricórnio, onde a insolação é forte e os ventos quase não trazem nuvens que possam despejar sobre o solo a água necessária. Além do mais, se os desertos estão se expandindo é porque os homens não tratam de forma adequada e competente o solo do qual dependem.

 

Quase um terço da superfície continental do planeta é constituída pelos desertos formados por pedras, rochas, penedos e cascalho. Mesmo assim, extensas áreas arenosas são encontradas em alguns deles, como no deserto de Saara, no norte da África (ilustração acima), que se estende por mais de sete mil quilômetros quadrados. Mas nem sempre as coisas ...

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O cinto de castidade é uma espécie de faixa fechada à cadeado que os maridos mais zelosos usavam na Idade Média com a intenção de guardar a castidade das suas mulheres. Para ser utilizado o objeto metálico era devidamente ajustado ao corpo da esposa e depois trancado à chave pelo marido desconfiado, permanecendo desse jeito até que ele retornasse ao lar. Sobre tal costume alguns historiadores duvidam de que seja verdadeiro, enquanto outros acreditam que a razão da existência desse tipo de cinto não tinha nenhuma relação com a preocupação dos maridos quanto a fidelidade das esposas, mas sim com a certeza de que os filhos gerados por elas eram realmente deles, para que a linhagem familiar continuasse mantendo o domínio das propriedades.

 

Alguns registros garantem que a utilização do cinto de castidade remonta ao ano de 1400, quando ele apareceu na Itália mas depressa se espalhou por toda a Europa. Sobre a presunção de seu uso, alguns historiadores asseveram que como aquela época era a dos descobrimentos, e em razão disso os maridos se mantinham ausentes de ...

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A abdicação de D. Pedro I, assinada no dia 07 de abril de 1831 em favor de seu filho D. Pedro de Alcântara (futuro D. Pedro II), então menor de idade, forçou o Parlamento a empossar um governo interino para administrar o império até o sucessor - cuja tutoria fora entregue a José Bonifácio de Andrade e Silva (ilustração ao lado), o “Patriarca da Independência” - alcançar a maioridade. Mas como nessa mesma época a maioria dos parlamentares não se encontrava no Rio de Janeiro, porque em gozo de férias, os deputados e senadores presentes nomearam emergencialmente os membros de uma Regência Trina Provisória, que de imediato determinou a realização de Assembléia Geral para escolher e empossar os regentes permanentes. A reunião aconteceu em 17 de junho, e nela foram indicados os nomes do baiano José da Costa Carvalho, marquês de Monte Alegre, deputado por São Paulo; do maranhense João Bráulio Muniz, deputado por sua província; e do militar carioca Francisco de Lima e Silva, barão da Barra Grande, deputado e futuro senador pelo Rio de Janeiro, como componentes da primeira e única Regência Trina Permanente a ser ...

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