Os crustáceos são artrópodes, ou seja, invertebrados que possuem três ou mais pares de pernas articuladas, o que os distingue dos vermes. Seu corpo segmentado é coberto por uma capa dura chamada exoesqueleto (à qual se dá o nome de casca na lagosta, no camarão, na barata, etc.). Esse esqueleto externo que precisa ser substituído à medida que o animal cresce, se divide em cabeça, tórax e abdome, podendo, em alguns deles, ocorrer a fusão da cabeça com o tórax. Neste caso, diz-se que têm cefalotórax e abdome.
Desse grupo bastante diversificado fazem parte cerca de 50.000 espécies, das quais a maioria pertence ao ambiente marinho, como as lagostas, os camarões, as cracas, percebes, e tatuís, além dos siris e os caranguejos. Mas também existem as de água doce, entre elas a pulga da água e o camarão do rio São Francisco no estado da Bahia, além dos crustáceos terrestres, dos quais são exemplo o bicho-da-conta e o tatuzinho de jardim.
Esse grupo de artrópodes se diferencia dos demais pelo número ...
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Esse tipo de tortura era muito comum na Idade Média, e consistia em suspender a vítima de forma violenta, com os braços atados às costas, visando deslocar-lhe os ombros. Os inquisidores preferiam esse tipo de suplício porque como a igreja lhes proibia o derramamento de sangue. Eles entendiam que aplicando a estrapada, ou polé, poderiam colher excelentes resultados naquilo que pretendiam descobrir, pensamento ao qual se associava o fato de que a aparelhagem usada nessas sessões era de extrema simplicidade.
Na verdade, ela era formada apenas por uma corda e uma roldana, e para utilizá-la bastava atar os pulsos do condenado às costas e prendê-los à corda passada pela roldana, permitindo dessa forma que o supliciado fosse facilmente suspenso e fazendo assim com que as articulações dos seus ombros passassem a suportar todo o peso do corpo. Pendurado dessa forma o coitado tinha suas clavículas e omoplatas desarticuladas de imediato, o que lhe provocava deformações que em alguns casos se tornavam definitivas. Mas a agonia do estrapado ainda podia ser agravada com a utilização de algumas medidas perversas:
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BURRO, O
Antônio Gonçalves da Silva - “Patativa de Assaré”
Vai ele a trote, pelo chão da serra,
Com a vista espantada e penetrante,
E ninguém nota em seu marchar volante,
A estupidez que este animal encerra.
Muitas vezes, manhoso, ele se emperra,
Sem dar uma passada para diante,
Outras vezes, pinota, revoltante,
E sacode o seu dono sobre a terra.
Mas, contudo! Este bruto sem noção,
Que é capaz de fazer uma traição,
A quem quer que lhe venha na defesa,
É mais manso e tem mais inteligência
Do que o sábio que trata de ciência
E não crê no Senhor da Natureza
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Guerrilha, ou pequena guerra, é um tipo de guerra não convencional no qual o principal estratagema é a ocultação e extrema mobilidade dos combatentes, chamados de guerrilheiros. Em geral, os grupos guerrilheiros são especializados em assaltos de surpresa através de emboscadas, combates rápidos e sabotagem, e suas táticas são usadas, em geral, por uma parte mais fraca contra uma mais forte.
Já a emboscada é o ato de esperar às escondidas pelo inimigo, para atacá-lo de surpresa. Ou seja: o atacante esconde-se entre os arbustos e pedras que formam o cenário natural do local escolhido para a ação, pretendendo com isso apanhar desprevenida a pessoa, ou pessoas visadas por ele. Tal procedimento deu origem ao verbo amoitar, que significa, entre outras coisas, entrar em moita, meter-se em moita, ficar na moita, esconder-se. A moita, corruptela de mata, é traduzida então como sendo o conjunto de plantas arborescentes, rasteiras e densas, esconderijo ideal para quem não quer ser percebido.
Os ladrões, assaltantes à mão armada, agressores sexuais e outros tipos ...
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No século 12 antes de Cristo, a ilha de Creta e as praias da Ásia Menor foram invadidas por grupos originários do norte da Europa, entre os quais se destacavam os dóricos, que ocuparam a Grécia micênica. As vítimas desse ataque foram forçadas a se refugiar em ilhas do Mediterrâneo e na Ásia Menor, mas acabaram por atacar e destruir o Império Hitita e, finalmente, tentaram invadir o Egito, primeiro através da Líbia, e posteriormente pelas costas da Síria e da Palestina. Derrotados por Ramsés III, os filisteus estabeleceram-se nas planícies costeiras da Palestina, provavelmente com o consentimento do faraó (uma vez que a região estava sob administração egípcia), o qual, dessa forma, tentava afastá-los de seu reino.
A origem dos filisteus ainda hoje é motivo de controvérsias. Há polêmica até mesmo sobre o fato de que se tratava de único povo, ou de uma confederação de povos que migraram do mar Egeu para o leste do mar Mediterrâneo, no século 13 antes de Cristo. No entanto, a teoria mais aceita cientificamente baseia-se na hipótese de que se tratava de ...
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Em 1565 os moradores da cidade do Rio de Janeiro valiam-se de uma lagoa existente entre a orla marítima e o atual Largo da Carioca para atender suas necessidades de água potável. Como esta não era de boa qualidade, os que dela se serviam achavam que seria melhor aproveitar as de um rio que descia a serra pelos lados do atual Cosme Velho e desaguava na praia junto ao morro hoje chamado de “da Viúva”, próximo ao lugar onde os primeiros exploradores portugueses haviam construído uma casa de pedra batizada pelos índios tamoios de kari oca, a casa de branco.
Posteriormente, quando assumiu o governo da capitania em 1602, Martim Corrêa de Sá (1575-1631), filho de Salvador Corrêa de Sá, também concordou com a idéia de que o problema da escassez de água na cidade poderia ser resolvido caso fosse possível fazer chegar até ela as do rio Carioca, que se misturavam às do mar a uma distância relativamente curta das casas onde moravam. Animado, ele encomendou os estudos necessários, mas apesar da boa intenção que o motivava, ...
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Interessado em resolver o problema de como usar a eletricidade para enviar mensagens à distância, o inventor americano Samuel Finley Breese Morse (1791-1872) patenteou junto ao governo do seu país, em 1837, um sistema composto por transmissor de mensagens, receptor magnético e código de cliques e pausas, que ao serem recebidos e devidamente aproveitados, se transformariam na impressão de letras ou caracteres comuns de escrita. Era o sistema de telegrafia que, no entanto, só viria a ser aceito sem restrições pelas autoridades mundiais após o transcurso de muitos anos.
Em 1845 Samuel Finley Morse criou um alfabeto de fácil memorização, constituído de pontos, linhas e espaços que ao se combinarem formavam letras e números. Para isso ele aproveitou o trabalho elaborado pelo físico e inventor italiano Tibério Cavallo (1749-1809), que em 1795 já havia concebido a idéia de transmitir sinais por meio de linhas e pontos.
Poucos anos depois, quando uma comissão de países europeus trabalhava na definição do Código Morse Internacional, seus membros decidiram adaptá-lo a algumas necessidades que haviam ...
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O Papa-Léguas e o Coiote, personagens de desenho animado criado por Chuck Jones, em 1949, para os estúdios Warner Bros, são baseados em animais nativos do sudoeste americano. Nessas histórias, acontecidas em um deserto cheio de rodovias o faminto Coiote vive tentando capturar o Papa-léguas encomendando produtos ACME, uma empresa fictícia que fabrica de tudo.
Em todos os episódios dessa famosa série apreciada por espectadores de diferentes idades, a ave veloz e esperta supera as tentativas feitas por seu perseguidor para capturá-la, valendo-se, para tanto, de sua astúcia, velocidade e sorte, o que lhe permite escapar ileso das criativas artimanhas engendradas pelo ferrenho inimigo que sempre acaba apanhado pela própria armadilha. Os desenhos não têm diálogos, a não ser o bip-bip do Papa-Léguas e ocasionais placas escritas (geralmente usadas pelo Coiote para falar com a platéia).
O rápido papa-léguas verdadeiro pertence à família Cuculidae, e seu nome científico é Geococcyx californianus. Vive nos desertos dos Estados Unidos, especialmente os da Califórnia e norte do México, e é um dos mais ...
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A lampreia é um peixe pertencente ao grupo dos Agnatas, o mais primitivo entre os vertebrados. Surgida no período devoniano, ocorrido entre 416 e 359 milhões de anos, essa família praticamente se extinguiu ao final daquela era geológica, já que desse agrupamento restaram apenas os peixes-bruxas e as lampreias.
Dessas últimas existem hoje cerca de trinta espécies, vinte vivendo na América do Norte. Delas, a maior em tamanho é a lampreia-do-mar, cujo corpo cilíndrico, com cauda comprimida lateralmente, pode atingir mais de 1 metro de comprimento. Vivendo em todos os mares europeus (com exceção do mar Negro) e também ao longo das costas da América do Norte e da África ocidental, ela possui boca circular guarnecida com numerosos dentes, enquanto seu corpo liso e sem escamas tem na superfície uma grande quantidade de glândulas produtoras de muco. As nadadeiras são membranosas, os olhos, bem desenvolvidos, dispostos lateralmente, e a única narina está colocada em posição mediana na cabeça.
A maioria das espécies desse peixe é parasita de outros ...
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Em 8 de agosto de 1845 a Grã Bretanha editou o Slave Trade Suppression Act (Aberdeen Act), mais conhecido no Brasil como Bill Aberdeen, uma lei que proibia o comércio de escravos entre a África e a América. Proposta por George Hamilton-Gordon (lord Aberdeen), ela considerava o tráfico de escravos como pirataria e atribuía às embarcações de guerra de seu país o direito de apreender navios negreiros que se dirigissem ao Brasil, o que acabou criando inúmeros incidentes diplomáticos com o império brasileiro.
Temendo novas ações da Inglaterra, Eusébio de Queirós, ministro da Justiça, apresentou projeto de lei visando à adoção de medidas mais eficazes para a extinção do tráfico negreiro. Apoiado nos mais “sólidos princípios do direito das gentes”, o projeto foi aprovado pelo Parlamento em setembro de 1850, provocando muitos protestos. Ao depor na Câmara dos Deputados, em 16 de julho de 1852, o ministro lembrou que muitos fazendeiros tinham hipotecado suas terras para grandes traficantes - entre os quais inúmeros portugueses - a fim de obter recursos destinados à compra de cativos. E prosseguiu dizendo que ...
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Uma rata novinha foi apanhada facilmente por um gato, porque sendo inexperiente, não conseguiu fugir a tempo do perigo que dela se aproximava sorrateiramente. Então, vendo-se presa entre as garras do caçador, a ratinha tentou enternecê-lo com o único argumento em que conseguiu pensar:
- Por favor, não me coma agora, gato bonito, porque eu sou pequenininha e por isso não vou saciar a sua fome. Seja clemente comigo, espere mais um pouco, e aí, quando eu já estiver grande, então sim, poderei ser uma bela refeição para você e seus filhos.
Ouvindo isso, o gato pôs-se a rir. E depois de dar boas risadas, disse à sua presa:
- Ser clemente? Eu? Um gato velho e escolado? Que esperança mais maluca é essa? Não vejo porque deixar para os meus filhos o saboroso petisco que você é, pois eles são jovens e dão conta de conseguir com facilidade o que desejam. Enquanto eu, que padeço ...
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O historiador grego nasceu em Megalopolis (205 a.C.), na Arcádia, e morreu por volta de 120 a.C. Filho de um general, ele foi educado para a carreira das armas. Quando se tornou evidente que a intenção dos romanos era a de dominar politicamente toda a Grécia, Políbio participou das medidas então tentadas para a preservação da independência do país. Sobrevindo, após sua subjugação, a franca ocupação do território grego pelos romanos, foi um dos dois mil reféns que os acaianos tiveram que entregar aos invasores. A Liga Acaiana constituía uma confederação de doze cidades da Acádia, ao norte do Peloponeso, e tinha como princípio político a completa igualdade entre os Estados que a compunham, o exercício de uma democracia moderada em todos os centros habitados, na liberdade municipal, contanto que os interesses gerais não fossem sacrificados, numa assembléia geral que decidia sobre a paz, a guerra e as alianças, e num conselho superior de demiurgos (magistrado supremo), à frente do qual se achava um estratego, ou chefe militar. Desapareceu depois da derrota de Leucopetra, que entregou a Grécia definitivamente aos romanos, em 146 A.C.
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SAMBA, O
Pompilio Diniz
O samba nasceu assim: / Já era madrugadinha, / a cuíca e o tamborim / descendo o morro já vinha, / onde quase a noite inteira / tocaro na gafiera / em homenage a Zefinha.
Foi ela, porta-bandeira / baliza do carnavá, / rainha da gafiera / mais outras coisas pru lá. / Onde tivesse Zefinha / malandro perdia a linha / e as cabrocha o rebolá.
Carioca e baianinho, / dois malandro, dois rivá, / tão respeitado no pinho / cumo também no punha, / foram gostá de Zefinha, / que há muito tempo já vinha / querendo os dois namorá.
Carioca , conhecido / no morro Pindura Saia ; como malandro temido / no manejo da naváia. / Baianinho na pexera, / ligero na capoera / também no rabo-de-arraia.
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Inês de Castro (1320-1355), prima do Infante D. Pedro (1320-1367), depois Pedro I, rei de Portugal, era dama de companhia de Constança, esposa do príncipe. Um dia, quando este a viu, ficou tão atraído por sua beleza que acabou se amasiando com ela, mas o rei Afonso IV, pai de Pedro, insatisfeito com aquela situação, mandou que a recolhessem a um castelo na fronteira com a Espanha, onde a dama continuou a receber notícias do amante. Em 1345 Constança morreu, e então o príncipe, contra as ordens do pai, chamou Inês de volta e a instalou em sua casa, onde viveram maritalmente e tiveram quatro filhos.
Mas o rei Afonso conhecia a ambição dos parentes de Inês, e por isso começou a alarmar-se com o crescente poderio da família Castro. Esse fato, mais as intrigas que fervilhavam em todo o reino, fizeram o rei decidir matar Inês e seus filhos, entregando a Álvaro Gonçalves, Pêro Coelho e Diogo Lopes Pacheco, seus conselheiros, a responsabilidade pela execução. Ao tomar conhecimento do crime o príncipe reuniu seus homens e foi ...
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Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...
Amo-te assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!
Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,
Em que da voz materna ouvi: "meu filho!",
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!
arrolo - canto para acalentar crianças
clangor - ...
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