Na antiguidade, fazer fogo nem sempre era fácil, e por isso a manutenção da chama - principal elemento do culto a Vesta - revestia-se de grande importância. Segundo a tradição, o fogo sagrado foi trazido de Tróia por Enéias, lendário herói grego, e preservado no santuário dedicado à deusa, em Roma. Neste recinto não havia imagem alguma da divindade, que era representada inteiramente pelo fogo, sendo este velado por seis sacerdotisas virgens chamadas vestais, encarregadas de mantê-lo sempre aceso. A deusa romana Vesta, protetora dos lares, identificava-se com a grega Héstia, e era mostrada nas pinturas inteiramente vestida, acompanhada, às vezes, de um asno. Seu culto era o mais antigo da religião romana e o que mais resistiu à influência cristã.
As vestais presidiam a Vestália, festival anual realizado entre 7 e 15 do mês de junho. No último dia dessa celebração fazia-se a limpeza ritual do santuário, e os maus augúrios só terminavam quando todo o lixo era depositado em um local especial, ou lançado no rio Tibre. As candidatas a sacerdotisas deviam ser filhas de pais livres e ...
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Criei uma grife de atalhos para as rotas de fuga da paz e larguei de banda em Álcool-atraz tantos contos, tantos quantos foram os outros muitos cantos e recônditos casos, estórias tortas, tortos descasos, matinées de paixões e culpas, JAMs de perdões e desculpas, fui soul&blues e remix de ti em mim, que por pouco não” me se mando”, autoperdido que ando nesses todos tempos idos, consumidos em sustos mofados, choros fonados, idiotias guiadas ao abismo salgado da boca y aberta por alarmes e egos. Lambi a lágrima rouca ao sul dos olhos e com a esgrima da solidão fui à guerra que mata e enterra essas mãos nunca dadas, essas caras de ódio, essas taras de ócio e esse sorriso estúpido de rigor mortis kabuki. Sem mais reais idéias brilhantes que de tão poucas e porra-loucas nunca se dão ao sublime de admitir, socialites que são, os finais felizes, por inúteis que somos quando nos somamos aos nadas, esses infelizes de porcelana. Essa conversa fica meio que sem vice-versa já que o mundo é uma corda de nós cegos secos, laços surdos, traços mudos e que no fundo, apenas, não nos quer a sós. Já ...
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Terminado o Carnaval, eis que nos encontramos com os seus melancólicos despojos: pelas ruas desertas, os pavilhões, arquibancadas e passarelas são uns tristes esqueletos de madeira; oscilam no ar farrapos de ornamentos sem sentido, magros, amarelos e encarnados, batidos pelo vento, enrodilhados em suas cordas; torres coloridas, como desmesurados brinquedos, sustentam-se de pé, intrusas, anômalas, entre as árvores e os postes. Acabou-se o artifício, desmanchou-se a mágica, volta-se à realidade.
À chamada realidade. Pois, por detrás disto que aparentamos ser, leva cada um de nós a preocupação de um desejo oculto, de uma vocação ou de um capricho que apenas o Carnaval permite que se manifestem com toda a sua força, por um ano inteiro contida.
Somos um povo muito variado e mesmo contraditório: o que para alguns parecerá defeito é, para outros, encanto. Quem diria que tantas pessoas bem comportadas, e aparentemente elegantes e finas, alimentam, durante trezentos dias do ano, o modesto sonho de serem ursos, macacos, onças, gatos e outros bichos? Quem diria que há tantas vocações para índios e escravas gregas, neste país de ...
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Que seja o Catirina, o Paranaíba, o São Francisco, o Eufrates, o Mississipi ou o Reno. Não importa. A situação está crítica para os rios brasileiros e do mundo todo, com as clássicas exceções daqueles de locais ainda pouco habitados. Cada país tem as suas políticas de preservação do meio ambiente, eficazes em alguns e fora de propósito na maioria. Chegamos ao século XXI com uma inflação tremenda da população mundial, sedenta de água pura e límpida. Eis a questão. Hoje, exceção aos locais praticamente ermos, onde encontrar água pura e límpida no globo terrestre? As reminiscências nos remetem aos desbravadores de terras novas das épocas antigas que, em momentos de sede, bastavam formar uma concha com as mãos e saborear o líquido precioso, puro e límpido, de qualquer curso d’água.
O homem foi à Lua e tem gente vivendo com um coração artificial. Telefone celular faz tanta coisa que o cidadão às vezes esquece que o aparelho também serve para conversar com outra pessoa lá no invés do mundo. É tanta tecnologia em todos os setores que confunde as ...
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O asno e a raposa firmaram entre si um acordo que garantia mútua proteção, ou seja, pelo combinado eles não só não se agrediriam, como também dariam segurança um ao outro e trabalhariam em conjunto na busca dos alimentos de que precisavam.
Depois de tudo acertado, os dois entraram na floresta, mas não foram muito longe e encontraram pela frente um leão com cara ameaçadora. Esperta como era, a raposa percebeu de imediato a situação perigosa em que se encontravam, e por isso aproximou-se do leão e propôs ajudá-lo na captura do asno, desde que rei dos animais prometesse não molestá-la.
Como este concordou de pronto com a proposta que lhe era feita, a raposa levou o asno até a entrada de uma caverna, e o convenceu a entrar lá dentro garantindo que existia muita comida guardada no interior daquele lugar.
Do lado de fora, ao perceber que tinha assegurado a captura do asno no momento em que isso ...
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O Quibungo é uma criatura estranha que aparenta ser homem e animal, ao mesmo tempo. No dizer do historiador, antropólogo e folclorista Luis da Câmara Cascudo (1898-1986), “ele é o papão negro que se domiciliou na Bahia, vivendo nas histórias populares”. Sua origem é africana, tendo chegado ao Brasil através dos bantus que para aqui foram trazidos como escravos, mas curiosamente, apesar desses cativos terem se espalhado por várias regiões da então colônia portuguesa, a lenda não os acompanhou, como seria natural, pois permaneceu baiana. Como bem disse Basílio de Magalhães (1874-1957), grande estudioso da História, das tradições e do folclore brasileiro, “nem mesmo Sergipe, que é ‘fruta baiana’, recebeu a visita do animalejo”.
A descrição mais conhecida do Quibungo é a de que se assemelha a um macaco, apoiando-se nos membros superiores para movimentar-se tal como fazem os gorilas. Peludo, de cabeça grande, extremamente voraz e feio, sua característica principal é a grande boca que tem nas costas, que se abre e se fecha conforme ele abaixa e levanta a cabeça. Pouco inteligente, é uma criatura que se deixa ...
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Os aracnóides pertencem a uma família extremamente rica dos artrópodes e seus representantes mais conhecidos são as aranhas, os escorpiões e os carrapatos, animais popularmente classificados como insetos, embora eles possam ser facilmente reconhecidos mesmo com um rápido olhar: os insetos têm três pares de patas e os artrópodes quatro, além de não possuírem cabeça diferenciada do tronco, nem antenas, como aqueles. Entre os aracnóides também estão catalogados os acarinos, ou ácaros, com milhares de espécies na maioria terrestres, algumas destas sendo predadoras livres e muitas parasitando vegetais, vertebrados e até insetos.
Aranhas, ácaros e pequenos insetos já foram encontrados a 5 mil metros de altitude (embora muitos desses animais nem ao menos saibam voar), levados que foram pelos ventos altos e pelas correntes aéreas, valendo-se de um meio de propagação que lhes permite vencer grandes distâncias e superar obstáculos como mares, montanhas e desertos. Mas a disseminação dos ácaros também é feita por meio de outros artifícios interessantes: os que vivem de flores, por exemplo, costumam subir pelo bico dos beija-flores, ou então nas mamangabas (um tipo de ...
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Em 12 de outubro de 1808, época em que o Brasil se transformara em sede da Coroa Portuguesa, o príncipe regente D. João criou o Banco do Brasil valendo-se de um alvará. Instalado em prédio da antiga rua Direita, hoje 1º de Março, no Rio de Janeiro, a instituição iniciou suas atividades em 11 de dezembro de 1809, com capital constituído de 1.200 ações de um conto de réis cada uma, cujo lançamento público destinava-se à subscrição por grandes negociantes ou pessoas abastadas. Antes disso, porém, em janeiro de 1809, D. João buscou apoio junto aos governadores das Capitanias, determinando que buscassem acionistas para o Banco do Brasil, mas apesar do esforço feito pelas autoridades, em fins de 1812, somente 126 ações haviam sido subscritas. Nove anos após a fundação do banco (1817), encerrou-se a oferta pública dessas ações, a primeira e mais longa das operações desse tipo no mercado brasileiro de capitais.
A Carta Régia de 22 de Agosto de 1812, recomendando aos Governadores das Capitanias que arranjassem acionistas para o Banco do Brasil, era a seguinte:
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Deusa e feiticeira, filha de Hélios e da oceânide Perséia, ela habitava a ilha de Eéia, e se tornou conhecida sobretudo pela narrativa feita por Homero, na Odisséia, na qual o poeta grego descreve que Ulisses, com um navio, apenas, atingiu a sua ilha, e vendo erguer-se à distância uma espiral de fumaça, dividiu seus companheiros em dois grupos, enviando um deles, comandado por Euriloco, para explorar o local. Esses homens logo chegaram a um palácio encantado onde lobos e leões domesticados faziam a ronda, e ouviram uma voz feminina que gentilmente os convidava a entrar. Todos fizeram isso, exceto Euriloco, e foram transformados em porcos por meio de um elixir misturado à comida que lhes foi servida.
Advertido por Euriloco, Ulisses pegou suas armas e dirigiu-se ao palácio, mas no caminho encontrou Hermes (Mercúrio), que lhe deu uma planta mágica para que ele pudesse defender-se dos malefícios, e ainda o ensinou como deveria se comportar diante da deusa. Quando esta, depois de ter servido ao herói a comida encantada, tocou-o com sua varinha mágica, ele a ameaçou com uma ...
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Avestruzes são aves corredoras das quais se afirmam coisas nem sempre condizentes com a realidade. Como por exemplo, a de que escondem a cabeça na terra quando estão em perigo. Na verdade, ao colocarem-na junto ao chão, esses desconfiados animais estão simplesmente tentando se confundir com a paisagem, para não serem percebidos pelos inimigos.
Vivendo em áreas descampadas onde é praticamente impossível ocultar seu corpo, a alternativa que resta aos avestruzes é tentar se parecer com outra coisa. Assim, como o calor faz com que o ar tremule nas planícies, eles, quando pressentem algum tipo de ameaça, baixam a cabeça e o pescoço, levantam o rabo, eriçam as penas e permanecem completamente imóveis, porque dessa forma, se avistados à distância através da luz tremulante, podem dar a impressão de que são arbustos redondos com troncos altos e finos. Mas se esse recurso não funcionar, então o bando se põe a correr a uma velocidade que chega aos 72 km por hora, suficiente para que todos se mantenham distantes da maior parte dos predadores.
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Segundo a mitologia grega, as Plêiades, ou Atlântidas, filhas do titã Atlas com a ninfa Pleione, eram sete, embora outras versões enumerem quinze. Essas divindades dos bosques, dos montes, dos rios e dos campos, chamavam-se Maia, Electra, Taígeta ou Taígete, Astérope ou Asteropo, Mérope, Alcíone e Celeno. Por serem alegres e encantadoras elas atraíram o interesse masculino de Orion, o maior caçador de todos os tempos, e este, desejando tê-las para si, passou a perseguí-las de forma implacável. Cansadas dessa situação desconfortável e constrangedora, as ninfas então pediram a Zeus que as transformasse em uma constelação, no que foram prontamente atendidas, passando a formar um aglomerado estelar visível tanto no hemisfério sul, como no hemisfério norte.
Diz a lenda que Atlas, punido por Zeus por ter se insurgido contra ele, recebeu como castigo eterno a tarefa de ter que carregar o globo terrestre sobre seus ombros (como a 1ª vértebra cervical suporta o peso de nossa cabeça, ela é chamada de Atlas, para lembrar o sacrifício imposto ao deus grego), e que o único consolo do titã era ver suas ...
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LADRÃO BURRO
Todos imaginam que se um ladrão esconde seu rosto atrás de lenços, máscaras ou outro recurso qualquer, é para não ser identificado por suas vítimas. Essa é a conclusão lógica. Daí a surpresa de qualquer um quando essa regra é quebrada acintosamente por um bandido. Será que ele agiu assim por vaidade burra ou burrice vaidosa, é a pergunta que fica no ar, sem resposta.
Pois foi justamente o que Anthony Brandon Gonzáles, com 20 anos de idade, do estado do Colorado, nos Estados Unidos, aprontou recentemente. Ele assaltou a casa de um imitador de Elvis Presley no Condado de Pueblo, mas a polícia o identificou com facilidade pela descrição da tatuagem que tinha no rosto. O que importa em dizer que o mão-leve estava com a face descoberta, mostrando sem constrangimento as bochechas certamente beijadas com carinho pela respectiva mamãe nos tempos em que ainda era criança inocente.
A tatuagem mostra as palavras "East Side" ...
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Curitiba surgiu como arraial de mineração por volta de 1647. Fundada no planalto oriental paranaense a uma altitude de 900 metros, e não muito distante da Serra do Mar, era chamada de Nossa Senhora da Luz do Pinhais, nome que mais tarde foi mudado para Campos Limpos de Coritiba.
Durante dois anos pertenceu à comarca de Paranaguá, e seu progresso foi muito lento porque não se situava na rota das atividades econômicas mais importantes da época: a mineração, restrita pela relativa escassez de ouro, centralizava-se mais em Paranaguá, e a rota de gado, ligando Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais, corria pelo planalto central, favorecendo Ponta Grossa.
Somente em 1812 ela se desvinculou da comarca de Paranaguá, e trinta anos depois foi elevada a categoria de cidade, mas seu desenvolvimento começou realmente quando a província do Paraná desmembrou-se de São Paulo (1853), e a localidade, então com 6.000 habitantes, tornou-se sede do novo governo provincial.
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Na época em que os portugueses chegaram ao Brasil, os índios tupis já falavam do Caipora, criatura que protegia a caça e a mata punindo com rigor todos aqueles que agredissem a natureza ou matassem animais pelo simples prazer de matar. Segundo os indígenas, ele era um anão poderoso e forte que reinava sobre todos os animais da floresta, e o descreviam como tendo cabelos vermelhos, pêlos e dentes verdes, com a característica especial de ter os pés voltados para trás, o que despistava os seus perseguidores fazendo com que eles seguissem rastros falsos. Para agradar a essa entidade misteriosa os índios depositavam penas, esteiras e cobertores nas clareiras da floresta, esperando, com isso, continuar merecendo a sua proteção. E como acreditavam que ela temesse a claridade, protegiam-se andando com tições acesos durante a noite.
Existe o registro de uma carta escrita em 1560 pelo padre José de Anchieta, onde consta a afirmação de que “aqui há certos demônios a que os índios chamam Curupira, que muitas vezes os atacam no mato dando-lhes açoites e os ferindo bastante”. Os índios ...
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Ouro Preto é uma cidade de muitas e muitas lendas. Estas já foram contadas e recontadas por muitos e muitos autores, de forma que tudo que for escrito a respeito delas será praticamente uma repetição do que outros já fizeram há meses ou anos atrás. A Lenda da Mãe do Ouro é uma delas, e a versão aqui apresentada é a da escritora Ângela Leite Xavier, pesquisadora dessas coisas de que todo mundo já ouviu falar, mas ninguém explica.
A Lenda da Mãe do Ouro tem sua origem na África e foi trazida ao Brasil pelos africanos que para cá vieram para trabalhar nas minas. Diziam ser ela a guardiã dos tesouros da terra, das montanhas e dos rios. Ela está sempre perto do ouro e é vista à noite, porque brilha com a mesma beleza dourada de seu filho. Se alguém aproximar muito, ela desaparece, reaparecendo, em seguida, noutro lugar. Dizem que muitas lavras foram descobertas por causa de sua presença.
Hoje ela ainda é vista em Ouro Preto. Talvez ...
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