Essa superstição surgiu no sul do país, mais precisamente no Rio Grande do Sul, no final do século 19, e é fruto da imaginação dos que na época defendiam a abolição da escravatura. Ela trata de um ente fantástico conhecido como negrinho do pastorejo, ou crioulo do pastoreio, ou pastorejo, espécie de anjo bom dos pampas, ao qual os campeiros e as crianças oferecem velas acesas quando conseguem achar animais ou coisas perdidas.
Diz a lenda que na região de fronteira morava um estancieiro excessivamente cruel no trato dos peões e negros escravos de sua propriedade. Em certo dia de inverno, quando a temperatura estava muito baixa e um vento gelado e forte soprava vindo do sul do continente, esse senhor ordenou a um dos empregados, um menino negro com quatorze anos de idade, aproximadamente, que fosse a um pasto próximo vigiar os cavalos e potros que havia adquirido recentemente. No final da tarde o proprietário notou a falta de um dos animais, um lindo cavalo baio, e por isso ficou muito nervoso e castigou o rapazinho com seu ...
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Enquanto na Inconfidência Mineira os negros estiveram praticamente ausentes, na Revolta dos Alfaiates, ocorrida na Bahia em 1798, os rebelados baianos colocavam a libertação dos escravos no primeiro plano das suas cogitações. Entre os dirigentes desse movimento incluíam-se negros e pardos livres e escravos, artesãos, alfaiates e outros componentes das camadas mais discriminadas da sociedade baiana da época.
Cem anos depois, após a Abolição da Escravatura, certa parcela dos grupos negros se engajou na defesa do isabelismo, uma espécie de culto à Princesa Isabel, que os libertara, destacando-se nesse particular o jornalista José do Patrocínio (ilustração), que incentivava ex-escravos a se agruparem para a defesa da monarquia ameaçada pelo crescimento dos grupos que pretendiam implantar a república no Brasil. Este movimento culminou na constituição da Guarda Negra, uma espécie de tropa de choque composta pela “ralé carioca e por maltas de capoeiras”, na opinião de Ruy Barbosa, cuja principal finalidade era dissolver comícios republicanos pelo uso da força. Seus integrantes acreditavam ser seu dever proteger das violências republicanas o sistema que os libertara e por isso se mantinham leais à ...
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A Anacleta ia caminho da igreja, muito atrapalhada, pensando no modo porque havia de dizer ao confessor os seus pecados... Teria a coragem de tudo? E a pobre Anacleta tremia só com a idéia de contar a menor daquelas coisas ao severo padre Roxo, um padre terrível cujo olhar de coruja punha um frio na alma da gente. E a desventurada ia quase chorando de desespero, quando, já perto da igreja, encontrou a comadre Rita.
Abraços, beijos... E lá ficam as duas, no meio da praça, ao sol, conversando.
- Venho da igreja, comadre Anacleta, venho da igreja... Lá me confessei com o padre Roxo, que é um santo homem.
- Ai, comadre! - gemeu a Anacleta, - também para lá vou, e se soubesse com que medo. Nem sei se terei a ousadia de lhe dizer os meus pecados. Aquele padre é tão rigoroso...
- Histórias, comadre, histórias! - exclamou a Rita. Vá com confiança e verá que o ...
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Certa vez, em certo lugar, um burro revoltou-se contra o que a vida lhe dava. Tudo começou no tempo em que ele trabalhava para um horticultor, mas, inconformado, passou a reclamar que seu dono o acordava muito cedo, bem antes do dia amanhecer. E por isso queixava-se ao Fado, entidade responsável pelo destino de cada um, que nem mesmo os galos, também madrugadores, levantavam-se antes dele.
- E para quê? - perguntava o insatisfeito. - Para levar hortaliças ao mercado? Será esse motivo tão justo a ponto de não me deixarem dormir em paz?
O Fado aceitou a queixa do burro dorminhoco e o encaminhou a outro dono, um curtidor de peles, mas não foi preciso muito tempo para que o peso da nova mercadoria que o insatisfeito carregava diariamente, mais o seu cheiro repelente, pusessem-no a resmungar novas lamentações:
- Ai de mim! Que saudade do tempo em que o dono da horta era o meu senhor! ...
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Durante o verão a cigarra não fez outra coisa senão cantar feliz por encontrar tanto alimento à sua disposição. Para qualquer lado que olhasse ela avistava uma quantidade incontável de folhas verdes e tenras com as quais podia saciar o apetite quando bem entendesse, e por isso ela cantava sem parar, demonstrando a alegria que sentia por viver naquele paraíso.
Mas o tempo passou, o clima mudou, e quando o inverno chegou, a cantora imprevidente se viu em estado de extrema penúria, sem ter nada para comer. Por isso ela se viu forçada a bater na porta da casa da formiga, que morava perto dela, pedindo que esta lhe emprestasse comida suficiente para que pudesse atravessar o período de estio sem correr o risco de morrer de fome, e prometendo que pagaria esse empréstimo com juros, tão logo chegassem novamente à estação da fartura. Mas a formiga perguntou:
- O que foi que fizeste durante todo o verão?
- ...
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Se eu soubesse que no mundo
Existia um coração,
Que só por mim palpitasse
De amor em terna expansão;
Do peito calara as mágoas,
Bem feliz eu era então!
Se essa mulher fosse linda
Como os anjos lindos são,
Se tivesse quinze anos,
Se fosse rosa em botão,
Se inda brincasse inocente
Descuidosa no gazão;
Se tivesse a tez morena,
Os olhos com expressão,
Negros, negros, que matassem,
Que morressem de paixão,
Impondo sempre tiranos
Um jugo de sedução;
Se as tranças fossem escuras,
Lá castanhas é que não,
E que caíssem formosas
Ao sopro da viração,
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Desde há muitos séculos o grou, uma ave aquática que prefere viver agrupada em bandos, tem figurado na literatura e nas histórias lendárias, e até hoje os povos de muitas nações civilizadas devotam uma espécie de veneração a elas, acreditando que quando voam alto e em silêncio, estão dando sinal de bom tempo contínuo; mas ao contrário, quando voam baixo e fazendo barulho, indicam tempo tempestuoso ou úmido.
Ela tem pernas compridas, e quando ereta mantém a cabeça tão alta quanto a do homem, embora essa altura seja devida principalmente ao seu longo pescoço, que lhe serve para que possa viver nos pântanos e em lugares inundados, onde geralmente procura o seu alimento que consiste especialmente de matéria vegetal, como sementes de várias plantas ou grãos roubados de terrenos recém cultivados. Mas também devora insetos, vermes, rãs, lagartas, répteis, pequenos peixes e ovas de vários animais aquáticos.
Existem várias espécies de grou. Na América do Norte são mais comuns a Grus americana, de cor branca, penas das asas pretas e ...
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- Administrar dinheiro é fácil. Difícil é administrar a falta dele.
- Agiota é o sujeito que ganha a vida alugando dinheiro.
- Atrás de toda grande fortuna tem sempre algum crime.
- Cachorro só é o melhor amigo do homem porque não conhece o dinheiro, O.
- Casa de tolerância é um local onde se tolera tudo, menos a falta de dinheiro.
- Certas pessoas só fazem transações comerciais com lisura: nunca pagam, pois estão sempre lisos.
- Champanhe de pobre é sonrisal.
- Cheque não compensa, O.
- Coisa está tão preta aqui em casa, que estamos pulando o portão para economizar a dobradiça, A.
- Com dinheiro à vista, toda gente é benquista.
- Devedor é o sujeito que tem a habilidade de nunca estar em lugar nenhum.
- Devo e não pago. Nego enquanto puder.
- Devo tanto, que se eu chamar a minha mulher de ...
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Por mim, e por vós, e por mais aquilo
que está onde as outras coisas nunca estão.
Deixo o mar bravo e o céu tranqüilo:
quero solidão.
Meu caminho é sem marcos nem paisagens.
E como o conheces? - me perguntarão.
Por não ter palavras, por não ter imagem.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.
Que procuras? Tudo. Que desejas? Nada.
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.
A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação.
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?
Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.
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PARAÍBA
Com área de 56.439km2, o estado da Paraíba está situado na região nordestina brasileira, limitando-se ao norte com o Rio Grande do Norte, a leste com o oceano Atlântico, ao sul com Pernambuco, e a oeste com o Ceará. Sua capital é João Pessoa, e outras cidades importantes são Campina Grande, Santa Rita, Guarabira, Patos, Pombal, Sousa, Cajazeiras e Cabedelo. O relevo é modesto, mas não muito baixo, 66% do território esta situado entre 300 e 900 metros de altitude.
Na época do descobrimento, os índios que habitavam o litoral paraibano eram os Cae-tés, da família Tapuia, atrasados e ferozes. Mais tarde, vieram os Potiguares e os Ta-bajaras, que expulsaram os Tapuias para o interior e construíram suas tabas às mar-gens do rio São Domingos, antigamente o rio Paraíba. Não existem dúvidas de que os primeiros desbravadores da região foram os franceses. Desde o descobrimento do Brasil que os franceses andavam por aqui, carregando o pau-brasil.
Desmembrada ...
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Contam os antigos que em certa época dois amigos viajavam juntos pelo deserto. O trajeto era longo e acidentado; o sol inclemente que os castigava durante o dia transforma-se em frio difícil de suportar ao longo da madrugada; os camelos, cansados, avançavam a cada dia distâncias sempre menores, mas mesmo assim os dois amigos prosseguiam rumo ao destino que buscavam.
Todas essas dificuldades deixavam-nos mais e mais nervosos, intranqüilos, com os nervos à flor da pele, até que em determinado momento eles discutiram por algum motivo banal, e no aceso desse bate-boca um acabou esbofeteando o outro. Sem dizer nada, o ofendido escreveu na areia: “Hoje, o meu melhor amigo me bateu no rosto”.
Depois desse incidente os dois amigos continuaram viajando juntos, embora meio ressabiados um com o outro. Até que finalmente chegaram a um oásis, e nele o pequeno lago lá existente, de águas claras e convidativas, encheu-lhes o coração de conforto e alegria. Assim que o viram ambos correram em sua direção e, sem pensar, mergulharam nele. Mas ...
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Certa vez uma borboleta se apaixonou perdidamente pela rosa mais bonita que havia no jardim. A flor ficou comovida quando soube que era amada de forma tão intensa por aquele inseto garboso que ostentava em suas asas lindos desenhos multicoloridos, e por isso, quando ele a procurou, ela concordou de imediato com o início do namoro. Acontece que depois de algum tempo de noivado, onde não faltaram juras e promessas de fidelidade e amor eterno, a borboleta se afastou alegando ter compromissos inadiáveis, só retornando após a passagem de um período relativamente longo.
Ao vê-la chegar, a rosa, chorosa, recriminou-a entre soluços:
- É a isso que você chama de fidelidade? Já perdi a conta dos dias que se passaram desde a sua partida, e além do mais, também fiquei sabendo que você vive de namoro e beijos com qualquer tipo de flor que encontre pela frente. Isso é uma falta de respeito muito grande, e por isso me sinto profundamente magoada com esse seu procedimento.
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O rio Jequitinhonha, conhecido no período colonial como rio das Virgens, tem 1.090km de extensão. Ele nasce a uma altitude aproximada de 1.200 metros (ilustração), próximo à localidade de Milho Verde, pequeno distrito do município mineiro do Serro, próximo ao de Diamantina, nas vertentes da serra do Espinhaço, atravessa a região nordeste mineira e deságua no oceano Atlântico em Belmonte, no estado da Bahia.
Sua bacia hidrográfica abrange 70.315km2, dos quais 66.319km2 situam-se em Minas Gerais (correspondendo a 11,3% de toda a área do território mineiro), e 3.996km2 na Bahia (equivalentes a 0,8% do seu território), limitando-se ao norte com a do rio Pardo; ao sul com a do rio Doce; a sudeste com várias pequenas bacias independentes; a oeste com o maciço do Espinhaço; e a leste com o oceano Atlântico. Seus principais afluentes são os rios Itacambiruçu, Salinas, São Pedro, Araçuaí, Piauí e São Miguel.
Bacia hidrográfica, ou bacia de drenagem de um rio, é o conjunto de terras que fazem a drenagem da ...
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Daquela vez o inverno havia chegado com um rigor maior do que nos últimos anos, e o gelo que ele trouxera consigo havia tomado conta da paisagem alvejando os campos, as matas, os rios e os montes existentes em todas as direções alcançadas pela vista. Foi nessa época que a certa altura de determinado dia, quando temperatura havia descido a níveis quase insuportáveis, o jumento procurava abrigo porque se sentia extremamente cansado. Trôpego e desanimado, ele resolveu deitar-se ali mesmo onde estava e descansar por alguns momentos, a fim de recuperar as forças.
- Vou ficar aqui! - disse ele, acomodando-se no chão da melhor forma que conseguiu.
Instantes depois um passarinho deixou o lugar aonde se protegera da friagem e voando até o jumento disse em seu ouvido:
- Jumento, eu vim lhe avisar que você não está deitado em terreno firme, mas sim sobre um lago congelado. Portanto, trate de sair daí bem depressa, antes que ...
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O Manifesto do Povo do Rio de Janeiro, também conhecido como Manifesto do Fico, trata-se de documento preparado por membros do Clube da Resistência, instalado nessa cidade, contrários ao retorno de D. Pedro a Portugal, em atendimento às ordens vindas da Corte. Esse documento, redigido pelo frei Francisco de Santa Teresa de Jesus Sampaio, e outro, preparado em São Paulo por José Bonifácio de Andrade e Silva, (na ilustração) foram de extrema importância na decisão tomada pelo Príncipe Regente, preservada pela história brasileira com o nome de Dia do Fico.
MANIFESTO
O povo do Rio de Janeiro, conhecendo que os interesses das Nações, reunidos em um centro comum de idéias sobre o bem Público, devem ser os primeiros objetos da vigilância daqueles que estão revestidos do caráter de seus Representantes, e de mais, convencido de que nas circunstâncias atuais se constituiria responsável para com as gerações futuras se não manifestasse os seus sentimentos à vista da medonha perspectiva que se oferece a seus olhos pela retirada de Sua Alteza ...
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