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A Retirada da Laguna, ocorrida em 1867 durante a Guerra do Paraguai, constituiu a mais famosa e trágica retirada já efetuada por tropas brasileiras. A história desse drama militar começou em 10 de abril de 1865, quando partiu de São Paulo uma coluna de seiscentos homens, sob o comando do coronel Manuel Pedro Drago, com o objetivo de enfrentar os paraguaios que haviam invadido o Mato Grosso. Em Uberaba, Minas Gerais, eles se reuniram a contingentes oriundos de outras cidades do mesmo estado, perfazendo um total de 3.000 soldados, uma força considerada insuficiente para atacar os paraguaios e causar-lhes danos maiores, e por isso Drago preferiu seguir para Cuiabá, na esperança de lá conseguir aumentar o seu contingente (na ilustração, Cemitério dos Heróis em Jardim, Mato Grosso do sul).

 

Oito meses depois, em 10 de dezembro de 1865, a coluna chegava a Coxim, na região sul do estado mato-grossense, onde se deteve por causa das enchentes e das febres que dizimavam os soldados. Dali seguiu para Miranda, ainda mais ao sul, mas ali morreram novecentos homens e o próprio comandante ...

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Em 1908, quando se ocupava da profilaxia da malária entre os trabalhadores de estrada de ferro no norte de Minas Gerais, o médico Carlos Justiniano Ribeiro das Chagas (1879-1934) teve sua atenção despertada para um inseto – conhecido por barbeiro, ou chupança – que infestava as casas de pau-a-pique dos empregados da ferrovia. Como sugador de sangue (hematófago), ele parecia ser um potencial transmissor de doenças.

 

Essa hipótese foi confirmada pelo exame do estômago do barbeiro (Triatoma infestans), onde foram encontradas formas evolutivas de tripanossomas, protozoários (animais unicelulares) que parasitam a mosca tsé-tsé e vários mamíferos, incluindo o homem. Supondo que os insetos eram intermediários de um tripanossoma parasito dos vertebrados, Carlos Chagas solicitou do médico Osvaldo Cruz a realização de experiências de laboratório, utilizando alguns sagüis como cobaias para as picadas: ao final dos testes, o exame dos sagüis permitiu a descrição de um novo agente infectante, o Schizotrypanum cruzi, atualmente denominado Trypanosoma cruzi. Fora uma experiência inédita em medicina, pois o processo de pesquisa seguira caminho inverso ao habitual: através do parasito e seu hospedeiro, é que se ...

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BOI E A RÃ, O

13/07/2010 às 07:28:25

O boi foi beber água no riacho, mas sem querer acabou pisando em algumas rãs pequeninas que lá se encontravam, esmagando uma delas. A mãe dessas criaturinhas chegou logo depois do acontecido, e dando pela falta da que havia sido pisoteada, perguntou às demais o que havia acontecido. Então a mais esperta de todas explicou assustada:

 

- Ela foi morta por uma fera enorme que passou por aqui agorinha mesmo. Essa fera era um monstro com quatro patas grandes, e o pé de uma delas, partido no meio, pisou na coitada da nossa irmãzinha porque ela não conseguiu se esquivar a tempo.

 

Ao ouvir a narrativa a mãe das rãs foi inchando o corpo, inchando, inchando, e indagou:

 

- Essa fera era maior do que estou agora?

 

E o filhote respondeu:

 

- Pare de inchar desse jeito, mãe. Não se aborreça ...

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Houve um dia em que a rainha das abelhas entendeu ser necessário agradecer ao deus Júpiter por tudo quanto ele havia lhes dado, principalmente os campos, as flores e o néctar em abundância. E decidiu presenteá-lo com o que de melhor elas possuíam para oferecer-lhe, que era o mel produzido por cada uma graças à fartura da matéria prima que a divindade colocara à disposição de todas. Então ela procurou as melhores colméias, recolheu a quantidade de mel que julgou ser suficiente e voou com ele para o Monte Olimpo, onde morava o maior dos deuses.

 

Júpiter ficou tão satisfeito com o presente recebido que desejou retribuí-lo, e para isso prometeu dar à abelha qualquer coisa que ela desejasse. Ao ouvir tal oferecimento, a rainha não se conteve e pediu:

 

- Oh, Júpiter, dê-nos um ferrão com o qual possamos nos defender. Mas que seja tão forte e resistente que com ele sejamos capazes de ferir e matar aqueles que se aproximarem de nossa casa com intenção de nos roubar o ...

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- Álcool é capaz de grandes transformações. Ele faz você ir para a cama com a Malu Mader e acordar com a Zezé Macedo, O.

- Álcool mata lentamente. Não tem problema, eu não tenho pressa, O.

- Alcoólatras sonham com basquete só para ficar na boca do garrafão, Os.

- Cavalo de cachaceiro conhece o caminho do boteco.         

- Cerveja, o uísque e a cachaça são os piores inimigos do homem. Mas aquele que não enfrenta os seus inimigos é um covarde, A.

- Chato da bebida não é o mal que ela pode nos trazer: são os bêbados que ela nos traz, O

- Comecei a beber por causa de uma mulher e nunca tive oportunidade de agradecê-la.

- Comecei uma dieta, cortei a bebida e as comidas pesadas, e em catorze dias perdi duas semanas.

- De hoje pra trás eu parei de beber.

- De um viciado: fumo maconha, mas não trago. Quem traz é ...

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MARIA LOUCA

28/03/2011 às 20:01:17

Em cada cidade do país sempre há aqueles personagens folclóricos que geralmente perambulam pelas ruas, tradicionalmente criaturas inofensivas. Maria Louca é uma destas figuras de uma pequena cidade do interior do nosso imenso Brasil. Apesar de maltrapilha, possuia algumas particularidades que logo chamaram a atenção de todos: era linda, com feições de uma princesa índia; era educadíssima, de modos refinados. Um simples sentar no meio-fio resplandecia suas características de dama. Quando ela desfilava com o corpo molhado pela chuva os homens admiravam como nunca sua beleza e seu corpo escultural. Mas por que uma mulher como aquela vagava pelos becos e terrenos baldios? Um grande mistério! 

 

O que todos sabiam é que num belo dia de domingo destes qualquer ela apareceu como uma miragem na cidade. Sentada num banco em frente à Matriz, não carregava nenhum objeto, nenhum documento. Os olhos inertes miravam o infinito. As pessoas passavam e se perguntavam: quem era aquela mulher? As mulheres, com desdenho. Os homens, com admiração. Como era de manhãzinha, hora da missa, chamaram o padre, e este então a levou para a ...

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A árvore crescia viçosa no meio do jardim, com seus ramos de folhas tenras e brilhantes apontando para o céu como se desejassem subir e abraçar o Sol que resplandecia lá em cima, bem acima das nuvens. Ela ainda era nova, estava no princípio da vida, mas de tanto ouvir os que passavam elogiarem a sua beleza, acabou acreditando que nenhuma outra planta a superava em elegância e perfeição. E esse sentimento cresceu de tal forma que ela achou por bem reclamar da presença de uma vara de bambu já seco que se encontrava espetada no chão, a seu lado.

 

- Ora, bambu, você ainda não percebeu que está aí parado, muito perto de mim? Pois então! Trate de chegar um pouco mais para lá.

 

O bambu fingiu que não tinha ouvido, e por isso não deu resposta. Logo em seguida a pequenina árvore virou-se para a cerca de espinhos que a rodeava, e falou com voz afetada:

 

- E você, cerca ...

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Na versão bíblica do Gênesis, “O Senhor Deus formou, pois, o homem do barro da terra, e inspirou-lhe no rosto um sopro de vida, e o homem se tornou um ser vivente (2:7)”. Esse texto transmite a idéia de que desde o início dos tempos a alma e o sopro, ou corrente de ar expelida do pulmão, têm uma relação estreita entre si, e a partir dessa interpretação a discussão sobre o que é a alma, considerada em simples definição da palavra como sendo o princípio vital e base da consciência e da conduta do indivíduo, não terminou jamais, fazendo com que através dos tempos as opiniões a propósito da sua natureza tenham variado profundamente de povo para povo, de religião para religião, de pensador para pensador.

 

Na alta antiguidade acreditava-se que a alma dos mortos vinha perturbar a existência dos vivos, e para impedir que ela fizesse isso os primitivos introduziam espinhos nos pés do cadáver, na suposição de que isto impossibilitaria o espírito de caminhar. Por outro lado, também se acreditava que a destruição ...

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Se hoje consideramos o preto como a mais sombria das cores, é porque ele simboliza o funesto, o fúnebre, e por isso inspira a idéia da morte. Mas nem sempre foi assim. Documentos deixados pelos povos de antigamente revelam que da mesma forma como se procede na atualidade, o costume entre eles era o de expressar o sentimento pesaroso pelo falecimento de parentes e amigos; mas esses achados também dão a entender que em quase todos os agrupamentos humanos da época, o branco era a cor escolhida para demonstrar a idéia de luto. O império romano foi um exemplo desse tipo de procedimento que avançou pelo tempo até chegar ao Portugal antigo, onde o povo manifestava sua dor e seu pesar pela perda de alguém usando o burel branco, um pano grosseiro de lã, ou outro tecido da mesma cor, a almáfega, utilizada normalmente na fabricação de sacos e confecção de vestimentas de luto. A mantilha longa e negra conhecida como dó, era reservada aos membros da realeza.

 

Em épocas que há muito ficaram para trás, o simbolismo ...

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COTALUNA

05/08/2010 às 19:54:31

O rio Gramame deságua no oceano Atlântico pouco abaixo de João Pessoa, capital da Paraíba, próximo à divisa com o estado de Pernambuco. A extensão de seu curso é relativamente pequena, assim como também é modesta a vazão de suas águas.

 

Em compensação, ele faz parte de uma lenda já contada em diversas línguas porque sua fama percorreu os quatro cantos do mundo, transportada que foi pela palavra dos que por lá passaram e dela tiveram conhecimento. E isso talvez se deva à semelhança que esse mito nordestino apresenta com outras sereias africanas e principalmente gregas e italianas, o que explica sua pele clara e a descrição de feições tipicamente mediterrâneas.

 

Dizem que o Gramame tem um fantasma feminino que adquire aspectos e comportamentos diferentes conforme a época do ano, mas sempre mantendo nessas situações o desejo manifesto de atrair seguidores enlouquecidos que quase nunca retornam do encontro com essa entidade fantástica. A lenda conta que nos períodos de inverno a criatura costuma aparecer aos homens como linda sereia, metade mulher, ...

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Piri Reis, como era conhecido no Ocidente, foi um almirante turco cujas façanhas o transformaram em célebre herói para o seu povo, embora os europeus o tivessem considerado como mais um dos piratas que infestaram o Mediterrâneo entre o final do século 15 e primeira metade do século 16. Nascido provavelmente em 1465, morreu decapitado em 1554 ou 1555, por ordem do governador otomano de Basra, em virtude de sua recusa em participar de nova campanha marítima contra os portugueses.

 

Dele, pouco se sabe. Até mesmo seu nome considerado original - Hadji Ahmed Mudiddin Piri, ao qual depois foi acrescentado o Reis, que significa almirante – é duvidoso, mas acredita-se que tenha nascido em Gallipoli, na parte européia da Turquia, ou em Karaman, também cidade turca situada na antiga Anatólia, hoje Ásia Menor. O que se tem como verdadeiro é que seu ingresso na pirataria ocorreu em 1481, pelas mãos de um tio que morreu afogado em 1511, durante uma tempestade. Piri Reis retornou então à sua cidade natal, onde, entre os dias 9 de março e 7 de abril ...

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Certo dia, uma ventania forte corria pela floresta derrubando galhos, folhas e arbustos mais fracos, sem encontrar pela frente um obstáculo que lhe refreasse o ímpeto. Em certo trecho dessa mata fechada uma raposa e um esquilo procuravam se abrigar da tormenta bem perto um do outro, ela deitada por trás de algumas pedras amontoadas ao pé da árvore em que ele se mantinha com esforço nos galhos mais altos, agarrado aos mesmos em um abraço tão forte que parecia até não poder mais ser desapertado. Em meio às seguidas lufadas do vento, dizia a raposa:

 

- Desconfio que você aí, no cocuruto da árvore, está preparando o caixão em que o seu corpo certamente vai acabar repousando. Vejo, também, que sua cauda procura lhe proteger o rosto, mas de que adianta isso se a borrasca o atinge em cheio, se o raio é o vizinho incômodo que a qualquer momento pode lhe fazer uma visita indesejada, se não existe nas alturas aonde meu pobre companheiro pretensamente tenta se esconder, algum lugar seguro que o deixe a salvo dos golpes com que ...

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FORMIGA A

13/07/2010 às 16:45:01

Uma história conta que em tempos muito antigos existiu um homem que vivia da terra, plantando e colhendo o que precisava para garantir sua subsistência. Acontece que como ele não se contentava com o que tinha e invejava o que os outros possuíam, sempre que possível roubava uma parte do que seus vizinhos produziam e a levava consigo.

 

Esse comportamento acabou desgostando e irritando o deus dos campos, que para castigar o homem desonesto o transformou em uma formiga. Entretanto, a mudança física não alterou o caráter do castigado, porque mesmo na condição de inseto ele continuou percorrendo as plantações alheias e recolhendo o trigo e a cevada que encontrava, guardando-os para o seu próprio uso.

 

Moral da história: Mesmo sendo punido com rigor, o homem sem escrúpulos dificilmente modificará a sua natureza.

 

Baseado em uma fábula de Esopo.

 

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IDADE DO BRONZE

12/02/2011 às 23:47:52

Bronze é uma liga de cobre e estanho em que entram, às vezes, outros metais, como zinco, alumínio e prata. A Idade do Bronze, dentro do processo histórico, caracteriza o estágio da civilização que sucedeu o Período Neolítico (da pedra polida). Quase todas as culturas antigas passaram por esta fase, exceto as das terras oceânicas (Austrália, Australásia, Polinésia e Melanésia) e africanas, que do uso da pedra mudaram diretamente para o uso do ferro.

 

O bronze já era conhecido na mais remota antiguidade, pois assírios, babilônios e outros povos o usaram em épocas que se perdem na noite do tempo. Cerca de 4.000 anos antes de Cristo os egípcios já faziam trabalhos com este metal, que primitivamente era uma liga natural e não artificial, como o é hoje. Embora os primeiros trabalhos em bronze, das nações mais antigas, consistissem principalmente em armamentos, blindagens e utensílios próprios para a refeição, esses mesmos povos começaram também a aproveitá-lo em novas aplicações: com ele os assírios, por exemplo, fizeram portões, e os egípcios, estátuas. Em outras regiões a era dos metais estendeu-se por uns ...

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A Primeira República do Brasil, também chamada República Velha, iniciada com a promulgação da Constituição republicana (24/02/1891), prolongou-se até a Revolução de Trinta, tendo como principal característica a predominância política do setor agrário exportador, fundamentalmente ligado à economia cafeeira (o que faz o período também ser chamado de República do Café). Desde a independência o café começava a definir-se como novo centro dinâmico da economia brasileira, e na medida em que sua cultura se desenvolvia no centro-sul do país, especialmente na região oeste paulista, os fazendeiros locais dependiam cada vez menos de escravos, a tal ponto que a abolição (1888) chegou a ser bem vista em seu meio. Um ano depois eles apoiavam os militares que proclamaram a República.

 

Ao instituir a descentralização política do sistema federativo a Constituição de 1891 forneceu aos cafeicultores a base jurídica para seu predomínio. Pelo novo sistema, cada um dos estados da União (antigas províncias imperiais) tinha o direito de contrair empréstimos no exterior, decretar impostos sobre a exportação e possuir corporações militares, constituição, código eleitoral e magistratura. As novas disposições fiscais beneficiavam bastante ...

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