O leão e o urso saíram juntos para caçar e capturaram um veado. Mas como não conseguiram chegar a um acordo sobre a partilha da presa, os dois passaram a disputar sua posse em uma luta feroz. Depois de brigarem durante muito tempo, o leão e urso já estavam cansados e bastante machucados, e por isso pararam de se morder e arranhar e ficaram deitados no chão, sem ânimo para levantar uma pata.
Nesse momento uma raposa que estava ali por perto escondida entre as folhagens, ao perceber que os dois lutadores permaneciam estirados no solo, sem condições de defender o corpo do veado que jazia esquecido a certa distância, correu até lá, agarrou com os dentes o animal abatido e desapareceu no meio do mato o mais rápido que pôde. Só restou ao leão e ao urso, incapazes de impedi-la, comentarem desanimados:
- Aí de nós dois, que quase nos matamos um ao outro apenas para garantir o jantar da raposa.
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O fenômeno fisiológico conhecido pelo nome de orgasmo, que nos machos ocorre com a ejaculação, é o conjunto de reações e sensações que definem o clímax de uma relação sexual. Certas doutrinas e teorias psicológicas modernas colocam essa função no centro da vida humana, e o orgasmo no centro da vida sexual. Baseando-se nesse tipo de relação como única função biológica para cuja realização é necessária uma outra pessoa, fazem dela modelo para todas as demais relações entre o eu e ela ou eu e ele.
O prazer sexual, acaso da natureza, não é necessário para a reprodução, pois o reprodutor poderia simplesmente ser coagido a copular e, inclusive, ser eliminado depois, como ocorre entre abelhas e aranhas. Apesar disso, grande parte das regras sócio-religiosas têm como base a hipotética unidade reprodução-prazer, tanto que em muitos sistemas éticos a relação sexual por prazer é considerada imoral e até pecaminosa, caso a reprodução seja deliberadamente impedida. O orgasmo, como tema, é freqüentemente debatido nos meios de cultura de massa, com pequeno número de idéias básicas, cuja repetição se faz cansativa. O ...
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Para os mitólogos, em geral, “Penélope (ganso selvagem), filha da ninfa Peribéia e de Icário, irmão de Tíndaro, rei de Esparta, foi, por sua beleza, pedida em casamento por muitos príncipes da Grécia e, para evitar discórdia, seu pai instituiu jogos a fim de que o vencedor pudesse desposá-la. Ulisses, pelos ardis, pela habilidade e pela força, foi o vencedor”.
Esposa de Ulisses e mãe de Telêmaco, ela ganhou fama como modelo de virtudes domésticas. Conta a lenda que durante a ausência do marido, Penélope foi pedida em casamento por diversos pretendentes, prometendo escolher um deles logo que concluísse a peça de bordado que estava tecendo. Acontece que todas as noites ela desfazia o trabalho realizado durante o dia, adiando dessa maneira, indefinidamente, a decisão que os candidatos à sua mão aguardavam ansiosos. E se assim procedia era porque, quando seu esposo partiu para a guerra de Tróia, confiou-lhe a guarda do reino da Ítaca, pedindo-lhe que caso não retornasse, ela não se casasse enquanto Telêmaco fosse jovem.
Uma das ...
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Certos animais, como a rã e o sapo, recebem o nome de anuros por não possuírem cauda no estado adulto. Também são chamados saltadores por causa da locomoção aos saltos, favorecida por longos membros posteriores. Os anuros constituem uma subclasse dos anfíbios, com grande importância econômica: são insetívoros, utilíssimos para a agricultura, e em muitos países fazem parte da alimentação. As rãs também têm amplo uso em laboratórios de zoologia e fisiologia, em uma variedade de pesquisas.
Os anuros são pequenos (em torno de 4 a 8 centímetros), com exceção da Rana goiliath, de 32cm (da ponta do focinho ao fim do dorso), que vive na África, e o minúsculo Sminthillus limbatus, de 10 milímetros de comprimento, encontrado em Cuba. A cabeça achatada, em forma de triângulo, une-se ao corpo sem pescoço. A boca é ampla e as narinas são pequenas e aproximadas, fechando por uma prega cutânea quando o animal mergulha. Os olhos são grandes e salientes, muito móveis, e se retraem na cavidade orbital para facilitar a deglutição. Atrás dos olhos fica a membrana timpânica, sem orelha.
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Em 28 de julho de 2002 o jornal A Notícia, de Florianópolis, SC, publicou matéria sobre a chamada Chacina de Anhatomirim, classificando-a como o desfecho da Revolução Federalista. Ao longo do texto, que inclui depoimentos de descendentes dos que morreram nesse episódio, diz o autor que:
“Desde a proclamação da república, em 1889, até 1894, o país viveu um período turbulento. Depois que os militares instalaram o novo regime e baniram a família real, o primeiro presidente republicano, o marechal Deodoro da Fonseca, foi pressionado a renunciar ao cargo. Quem assumiu então foi o vice-presidente, Floriano Peixoto, seu genro. Floriano deveria convocar novas eleições, mas não o fez. Houve oposição militar e civil em relação à atitude do "marechal de ferro". A uns e outros, Floriano puniu. Reformou os generais e desterrou os civis e outros militares para as fronteiras amazônicas.
Floriano enfrentou várias revoltas, como a Revolução Federalista, no Rio Grande do Sul, e a Revolta da Armada, no Rio de Janeiro. Ao derrotar as tropas federalistas e as ...
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De acordo com a mitologia grega, Europa foi uma mulher muito bonita que despertou os amores de Zeus (Júpiter), deus-rei do Olimpo. No dizer de Homero, na Ilíada, ela era filha de Fênix, ancestral dos fenícios, ou então de Agenor, rei de Tiro, e por isso irmã de Cadmo. Uma outra lenda grega conta que o deus maior a vira quando passeava com algumas amigas em uma praia da Fenícia, atual Líbano, e não resistindo aos seus encantos decidiu ir ao seu encontro disfarçado como um imponente touro branco, para então raptá-la.
Sobre essa passagem, o mitologista Thomas Bulfinch (1796-1867) escreve em “O Livro de Ouro da Mitologia”, que a mortal Aracne - “uma donzela que atingira tal perfeição na arte de tecer e bordar, que as próprias ninfas costumavam deixar suas grutas e suas fontes para admirar seu trabalho, que era belo não somente depois de feito, mas belo também ao ser feito” -, entendeu que poderia desafiar sua mestra, a deusa Minerva, para uma competição de bordados, pretendendo demonstrar dessa forma que sua habilidade como bordadeira era ...
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Em Toledo. Lá fora, a vida tumultua
E canta. A multidão em festa se atropela...
E o pobre, que o suor da agonia enregela,
Cuida o seu nome ouvir na aclamação da rua.
Agoniza o voador. Piedosamente, a lua
Vem velar-lhe a agonia através da janela.
A febre, o Sonho, a Glória enchem a escura cela,
E entre as névoas da morte uma visão flutua.
“Voar ! varrer o céu com asas poderosas,
Sobre as nuvens ! correr o mar das nebulosas,
Os continentes de ouro, o fogo da amplidão!..."
E o pranto do luar cai sobre o catre imundo...
E em farrapos, sozinho, arqueja moribundo
Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão.
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Um lobo havia sido perseguido e mordido por muitos cachorros e por isso, depois de livrar-se deles, escondeu-se em sua toca para recuperar-se do susto terrível por que havia passado.
Mas mesmo depois de algum tempo de descanso ele ainda reconhecia não estar forte o bastante para sair dali à procura do que precisava, apesar da fome e da sede intensa que sentia. Por isso, ao ver uma ovelha pastando ali por perto, o lobo a chamou e pediu-lhe que fizesse o favor de trazer um pouco da água do córrego que corria naquelas redondezas. E explicou com voz macia:
- Se você me fizer essa gentileza, aí então eu ficarei em condições de sair daqui e conseguir o meu próprio alimento.
Ao que a ovelha respondeu:
- Sei disso! Assim como também sei que se por acaso eu atender o seu pedido, você certamente acabará me transformando em uma ...
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O escorpião resolveu mudar-se de onde morava e por isso saiu à procura de um lugar que lhe agradasse. No caminho ele encontrou um rio, e como sabia que não conseguiria atravessá-lo, propôs a uma rã que ela o levasse em suas costas até o outro lado. Mas esta conhecia a má fama que acompanhava escorpião, e por isso perguntou desconfiada:
- Como é que eu posso ter certeza de que você não vai aproveitar a oportunidade e acabar me matando?
O escorpião respondeu todo maneiroso:
- Bobagem você ter medo de mim, minha cara, porque é evidente que se eu lhe matar, também morrerei.
- E quando chegarmos ao outro lado?
- Nessa hora eu estarei tão agradecido pela ajuda recebida, que com toda a certeza serei incapaz de lhe pagar com a morte o favor que você está me prestou.
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Hoje, que seja esta ou aquela,
pouco me importa.
Quero apenas parecer bela,
pois, seja qual for, estou morta.
Já fui loura, já fui morena,
já fui Margarida e Beatriz,
Já fui Maria e Madalena.
Só não pude ser como quis.
Que mal fez, essa cor fingida
do meu cabelo, e do meu rosto,
se é tudo tinta: o mundo, a vida,
o contentamento, o desgosto?
Por fora, serei como queira,
a moda, que vai me matando.
Que me levem pele e caveira
ao nada, não me importa quando.
Mas quem viu, tão dilacerados,
olhos, braços e sonhos seus,
e morreu pelos seus pecados,
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A Guarda Nacional foi uma força paramilitar organizada no Brasil em agosto de 1831, durante o período Regencial, para servir de “sentinela da Constituição jurada”. A idéia de sua formação surgira nesse mesmo ano, na Câmara de São Paulo, sob a justificativa de que era preciso fazer frente à crise decorrente da abdicação de D. Pedro I, razão pela qual sua finalidade declarada era a de defender a Constituição, a liberdade, a independência e a integridade do Império, mantendo a obediência às leis, conservando a ordem e a tranqüilidade pública. Na visão dos seus idealizadores, ela era o único instrumento apto e efetivo capaz de garantir a segurança e a ordem no império, mantendo, assim, o espaço da liberdade entre os limites da tirania e da anarquia. No ato que autorizou seu surgimento, lia-se: “Com a criação da Guarda Nacional foram extintos os antigos corpos de milícias, as ordenanças e as guardas municipais” (Na ilustração, fuzileiros da Guarda Nacional).
O recrutamento dos integrantes da Guarda Nacional era feito entre os cidadãos com renda anual superior a 200 mil réis, ...
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Era uma vez um pai que tinha seis filhos com idades variando entre quinze e vinte e três anos. Eles moravam na mesma casa, almoçavam e jantavam praticamente à mesma hora, mas, infelizmente, eram desunidos ao extremo, e por isso brigavam constantemente uns com os outros, mantendo entre eles o clima hostil que mesmo sem ser rancoroso, desagrada e desestimula qualquer tipo de convivência.
O pai não se conformava com aquela situação pouco amistosa, e por isso tentou ensiná-los a evitar discussões mostrando-lhes que elas não levam a nada, a coisa nenhuma. Mas tudo em vão, porque o desacordo familiar permaneceu inalterado. Então, já sem saber o que mais aconselhar aos filhos, o pai os reuniu em um final de tarde e mostrou-lhes um feixe de varas, dizendo:
- Quero que cada um de vocês pegue esse feixe de varas e tente quebrá-lo. Darei um prêmio a que conseguir fazer isso.
Cada um dos filhos tentou cumprir a tarefa proposta pelo pai, ...
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Para homens e mulheres, a palavra namorar tem muitos significados, entre eles os de procurar inspirar amor a alguém, galantear, cortejar, fitar insistentemente e com afeto, desejar possuir, chamar, atrair, fazer a corte, empregar todos os esforços para conseguir alguma coisa, forcejar ou fazer diligência na tentativa de obter algo. No terreno amoroso, esse comportamento também é comum entre os animais, como no caso do pavão, por exemplo, que pratica o cortejo mais deslumbrante do reino das aves: durante o período de acasalamento ele fica se exibindo com pompa para as fêmeas que passam pelo seu território, abrindo a longa cauda azul e verde em forma de leque, na esperança de atrair uma companheira.
A andorinha fêmea, por sua vez, encontra na simetria e tamanho da cauda de uma andorinha macho as respostas para suas dúvidas sobre o parceiro ideal, e este, para chegar a essa condição, precisa ser forte e robusto, pois vai consumir muita energia no esforço ingente de fazer sua cauda crescer. Mas a dança também está presente no processo de acasalamento de outras espécies ...
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Seiscentos anos antes do nascimento de Cristo a Lua já havia se transformado em objeto de estudo atencioso por parte dos homens que demonstravam interesse e preocupação na busca de uma explicação para o que todos viam, mas não conseguiam entender. Um deles foi Tales de Mileto (640-546 a.C.), filósofo e astrônomo grego, que acreditava ser a Lua um corpo sólido e sem luz própria, que brilhava refletindo os raios solares. Um século depois dele, Demócrito de Abdera (460-370 a.C.), outro filósofo grego, defendia que a Lua era um “mundo” com montanhas e vales semelhantes aos da Terra, o que causava as “sombras” da face do satélite.
Aristóteles (384-322 a.C.), também filósofo grego, explicou as fases da Lua supondo-a esférica, mas reconheceu que ela também girava sobre seu eixo exatamente no mesmo período em que rodava à volta da Terra, motivo pelo qual exibia sempre a mesma face. Aristarco de Alexandria (217-145 a.C.), gramático e crítico grego, mediu a distância entre a Terra e a Lua, chegando a um valor aproximadamente cinqüenta e seis vezes maior que o raio ...
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Conta a tradição que na época em que Cristo foi crucificado, os soldados romanos tinham como hábito quebrar os pés dos condenados para retirá-los da cruz com mais facilidade, mas quando foram em busca de Jesus e O encontraram com os pés já soltos, um deles não ficou satisfeito e perfurou com a lança o corpo à sua frente. Nesse momento teria saído água da ferida, e esta respingou nos olhos do centurião de má índole, curando-o na mesma hora de uma séria doença que ele tinha nas vistas.
Com isso o soldado reconheceu Cristo como o filho de Deus, converteu-se sem qualquer hesitação, e seu passo seguinte foi abandonar imediatamente o exército e a casa onde morava, tornar-se monge e passar a percorrer a região da Capadócia, na atual Turquia, em trabalho de catequese. Na Bíblia, Mateus (27:54), Marcos (15:39) e Lucas (23:47) se referem ao centurião que reconheceu o filho de Deus, e João (19:33/34), relatando a mesma passagem, dizem: “Chegando, porém, a Jesus, como o vissem já morto, não lhe quebraram as pernas, mas um dos soldados abriu-lhe ...
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