Interessado em resolver o problema de como usar a eletricidade para enviar mensagens à distância, o inventor americano Samuel Finley Breese Morse (1791-1872) patenteou junto ao governo do seu país, em 1837, um sistema composto por transmissor de mensagens, receptor magnético e código de cliques e pausas, que ao serem recebidos e devidamente aproveitados, se transformariam na impressão de letras ou caracteres comuns de escrita. Era o sistema de telegrafia que, no entanto, só viria a ser aceito sem restrições pelas autoridades mundiais após o transcurso de muitos anos.
Em 1845 Samuel Finley Morse criou um alfabeto de fácil memorização, constituído de pontos, linhas e espaços que ao se combinarem formavam letras e números. Para isso ele aproveitou o trabalho elaborado pelo físico e inventor italiano Tibério Cavallo (1749-1809), que em 1795 já havia concebido a idéia de transmitir sinais por meio de linhas e pontos.
Poucos anos depois, quando uma comissão de países europeus trabalhava na definição do Código Morse Internacional, seus membros decidiram adaptá-lo a algumas necessidades que haviam ...
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Se hoje consideramos o preto como a mais sombria das cores, é porque ele simboliza o funesto, o fúnebre, e por isso inspira a idéia da morte. Mas nem sempre foi assim. Documentos deixados pelos povos de antigamente revelam que da mesma forma como se procede na atualidade, o costume entre eles era o de expressar o sentimento pesaroso pelo falecimento de parentes e amigos; mas esses achados também dão a entender que em quase todos os agrupamentos humanos da época, o branco era a cor escolhida para demonstrar a idéia de luto. O império romano foi um exemplo desse tipo de procedimento que avançou pelo tempo até chegar ao Portugal antigo, onde o povo manifestava sua dor e seu pesar pela perda de alguém usando o burel branco, um pano grosseiro de lã, ou outro tecido da mesma cor, a almáfega, utilizada normalmente na fabricação de sacos e confecção de vestimentas de luto. A mantilha longa e negra conhecida como dó, era reservada aos membros da realeza.
Em épocas que há muito ficaram para trás, o simbolismo ...
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Folclore é o conjunto de todas as tradições, lendas e crenças de um país, expressas em provérbios, narrativas, histórias, contos e canções, e pode ser percebido tanto na alimentação como na linguagem, artesanato, religiosidade e vestimentas de cada povo. A data foi criada no Brasil em 1965, através de decreto federal cujo texto diz o seguinte:
(1) - O Congresso Brasileiro de Folclore reconhece o estudo do Folclore como integrante das ciências antropológicas e culturais, condena o preconceito de só considerar folclórico o fato espiritual e aconselha o estudo da vida popular em toda a sua plenitude, quer no aspecto material, quer no aspecto espiritual.
(2) Constituem o fato folclórico as maneiras de pensar, sentir e agir de um povo, preservadas pela tradição popular e pela imitação, e que não sejam diretamente influenciadas pelos círculos eruditos e instituições que se dedicam ou à renovação e conservação do patrimônio científico e artístico humano ou à fixação de uma orientação religiosa e filosófica.
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MOA
Atualmente extinta, a moa era uma ave incapaz de voar que habitou a Nova Zelândia. Supõe-se que tenha desaparecido há pouco mais de quinhentos anos (século 16), aproximadamente, sendo quatro os motivos sugeridos por cientistas para explicar a causa dessa tragédia animal: a chegada de humanos em seu habitat; a caça excessiva praticada pelos nativos, que apreciavam sua carne; as doenças trazidas por aves migratórias; ou, então, a alteração de seu habitat provocada por uma erupção vulcânica.
Apesar disso, até bem pouco tempo ainda existiam pesquisadores, embora poucos, que acreditavam na possibilidade de alguns espécimes terem sobrevivido à mortandade que dizimou a espécie, e por isso possam ser encontrados vivos em zonas remotas na ilha do Sul, da Nova Zelândia.
Delas existiram doze espécies diferentes, todas herbívoras A maior tinha 3,65 metros de altura, e a menor o tamanho de um peru, aproximadamente. Análises feitas em seus restos fósseis mostraram que se alimentavam basicamente ...
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A toupeira é um animal que passa grande parte da vida dentro das galerias subterrâneas que ela e sua família cavam sem parar. Certa vez uma delas caminhava pelo emaranhado de túneis em que vivia, subindo, descendo, indo para frente, para trás, rumando à direita e esquerda, valendo-se do tato e olfato para prosseguir naquele andar sem destino certo porque seus olhos, como o de todas as toupeiras, eram muito pequenos e só conseguiram enxergar pouca coisa.
Até que chegou em um caminho que não conhecia, mas curiosa, seguiu adiante assim mesmo, disposta a ver até onde ele a levaria.
Foi quando uma voz vinda de algum lugar a alertou: “Pare! Essa galeria é perigosa porque termina lá fora, e por isso você não deve continuar indo em frente!”. Mas a toupeira não deu atenção à advertência que lhe era feita e prosseguiu caminhando devagar, até chegar a uma saída para o exterior, quase fechada por um monte de terra.
Ansiosa, ...
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João Batista Viana Drummond, o Barão de Drummond, fundador do bairro carioca de Vila Isabel e criador do primeiro jardim zoológico do Rio de Janeiro, buscava um meio de atrair mais visitantes a esse seu novo negócio quando foi convencido por Manuel Ismael Zevala, um mexicano astuto e cheio de malandragem, a adotar uma variação do jogo das flores que o mesmo havia trazido da Europa e tentara implantar na cidade, mas sem conseguir sucesso.
Foi em razão disso que a partir do dia 3 de julho de 1892 os visitantes que cruzavam o portão de entrada do Jardim passaram a receber um papel que indicava um dos 25 animais existentes no parque, concorrendo dessa forma ao sorteio diário que poderia pagar um prêmio até vinte vezes maior que o preço pago pelo ingresso. No final da tarde, o nome e o desenho do animal sorteado eram mostrados em um quadro colocado no alto de um mastro, ganhando o prêmio quem tivesse em seu poder o bilhete respectivo. Sobre o acontecimento, assim se manifestou o Jornal do Comércio ...
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A cidade paulista de São Vicente foi fundada por Martim de Afonso de Souza em 22 de janeiro de 1532. O povoado primitivo nela instalado vinha crescendo aos poucos, espalhando-se em torno de uma pequena igreja denominada Nossa Senhora de Assunção, quando um maremoto, segundo alguns historiadores, ou uma ressaca mais forte, segundo outros, o destruiu por volta do ano de 1542. Um dos registros que tratam dessa calamidade diz que “o primitivo sítio de São Vicente teria sido no fim da praia de Tararé, hoje Gonzaguinha, junto ao mar, alguma coisa distante do porto de Tumiarú”. E mais adiante: “no ano de 1542, já não existia a casa do Conselho e a povoação se tinha mudado para o lugar onde hoje existe”. Isso em conseqüência da primeira povoação ter sido destruída pela ação do mar. De tal fato nasceram duas lendas que, sobrevivendo aos tempos, ainda são contadas pelos que teimosamente se mantém à distância do descaso e ceticismo com que essas lembranças são encaradas nos dias de hoje.
Uma delas fala do amor não correspondido de uma ...
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Mudar a capital era sonho antigo na história do Brasil. Entre os estudos sobre a transferência figuram as discussões de Francisco Adolfo Varnhagen, historiador e diplomata, que em 1877 publicou o trabalho A questão da capital: marítima ou interior? A mudança para o interior foi prevista já na primeira Constituição republicana, em 1891. Entre 1892 e 1896, uma famosa comissão dirigida por Luís Cruls, diretor do Observatório Astronômico, foi incumbida de demarcar no Planalto Central o quadrilátero a ser ocupado pela nova capital.
Mantida a menção a uma futura mudança na Constituição de 1934, também se discutiu o assunto na Constituinte de 1946, e houve até um projeto de transferência da capital para o Triângulo Mineiro. Em 1946 e 1953 novas comissões de localização foram nomeadas, e a última, no governo Café Filho, passou a ter em sua presidência o marechal José Pessoa, responsável pelo Serviço de Documentação Aerofotográfica do Exército. Foi essa comissão que, contando entre outros com o arquiteto e urbanista Affonso Eduardo Reidy, escolheu o local onde deveria ser instalada a nova capital. Assim, não se pode ...
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Certo dia uma raposa e um gato conversavam à sombra de uma árvore frondosa. A prosa entre eles seguia animada até o instante em que a raposa falou de sua esperteza, da sua capacidade de inventar os mais diversos ardis para conseguir o que desejava, e se rejubilava vaidosa com esse dom que a natureza havia concedido a todos os indivíduos da sua família porque isso, aparentemente, a tornava superior ao gato que a ouvia.
Sem ter como responder à altura, este concordou com a raposa afirmando que ela era realmente privilegiada, pois ninguém na floresta desconhecia sua capacidade de encontrar soluções adequadas para qualquer problema ou necessidade que lhe surgisse pela frente. E reclamava:
- Eu, por desgraça minha, nunca consegui aprender nada de extraordinário, e como lamento que isso tenha me acontecido.
Nesse momento eles ouviram os latidos de vários cães que se aproximavam rapidamente. A reação do gato foi instantânea: ágil como era, ele logo subiu ...
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São Sebastião (na ilustração, óleo sobre tela, El Greco, 1610-14) nasceu entre 249 e 250, na cidade de Narbona, fundada ao sul da França em 118 antes de Cristo, e considerada como a primeira colônia romana além dos Alpes. Sua família mudou-se para Milão quando ele ainda era novo, e foi nessa cidade que o menino cresceu e se educou até alcançar a maioridade, época em que foi admitido nas legiões do imperador Deocleciano (245-313). Impressionado com sua figura imponente, sua bravura e sua prudência, o imperador romano nomeou-o chefe da primeira divisão dos pretorianos responsáveis por sua guarda pessoal.
Acontece que Sebastião provinha de uma família católica, havia sido batizado na infância, e não cessara de divulgar junto aos seus companheiros de armas os princípios da fé que professava, animando e consolando os condenados ao martírio, e transformando-se em benfeitor dos encarcerados em Roma. Essa atividade chegou ao conhecimento de Deocleciano, que tinha os cristãos como inimigos de sua autoridade, e por isso o jovem militar foi levado à sua presença. Foi quando tentaram de todas as formas convencê-lo ...
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A saliva é um suco digestivo produzido sobretudo por três pares de glândulas salivares (as parótidas, submaxilares e sublinguais), cujos canais por onde ela é expelida se abrem na face lateral da boca (para as primeiras) e sob a língua (para as segundas e terceiras). No homem, as glândulas salivares funcionam continuamente no estado de vigília, avaliando-se a saliva de repouso, ou de abstinência, em cerca de 15 cm3 por hora. Todavia, a secreção torna-se muito maior sob a influência de certos estímulos, o que redundou no surgimento da expressão “de dar água na boca”. É o que sucede, por exemplo, ao se ver um prato apetitoso, ou mesmo ao se sentir o seu aroma, embora exista muita gente que também empregue essa frase-feita quando acompanha com o olhar a passagem de alguma mulher bonita e bem feita de corpo, porque aí é um outro tipo de apetite que está sendo aguçado. Via de regra, em ocasiões de estímulo a quantidade de saliva segregada alcança de 600 a 1.500 cm3 por hora, mas durante o sono sua produção é quase nula.
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Olga Gutmann Benário, nascida em 1908 em Munich, já aos 15 anos entrava para a Juventude Comunista Alemã. Aos 20 comandou o cinematográfico seqüestro de seu namorado e experiente militante comunista, Otto Braun, da prisão de Moabit, em Berlim, fugindo com ele para a União Soviética. Separaram-se logo depois, pois Olga se tornara uma fanática comunista enquanto Otto, exímio escritor, não tinha o mesmo fanatismo, vindo a ocupar cargos menores até 1961, quando se tornou Primeiro Secretário da Associação dos Escritores Alemães (da Alemanha comunista). Olga, novamente casada, entrou para a Academia Militar Soviética e tornou-se uma profissional do serviço secreto militar, assumindo a Diretoria de Agitação e Propaganda. Sua função internacional era escolher novos dirigentes comunistas para os países nos quais a URSS tentava se infiltrar e tomar o poder.
Três anos depois dela Luís Carlos Prestes, que entre 1924/1927 fizera parte da marcha comandada por Miguel Costa, depois conhecida como “Coluna Prestes”, chegou a Moscou. Ele se exilara na Argentina em 1928, onde estudou marxismo, e foi para a URSS a convite do governo. Em 1934, ...
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O nariz do Mercholino passa a vida rente aos mijos de cachorro pelas calçadas da amargura. Tantas vezes passa horas e horas a remoer sobre seus medos de ficar apavorado e eventualmente fica apavorado com a simples menção do tema Solidão. E nem precisa ser dessas superlativas, deprê-datórias, com bafo de naftalina e tosse pneumocócica renitente, adepta de sertanejas universitárias de inspiração cornutas, melosas e com vibrato nasalar de cantor goiano. Uma tragédia. Sófocles se torce de invídia nas catacumbas da insignificância. Em verdade, qualquer titica de solidãozinha o deixa alucinado de horror. Tem alergia dessas solidões solícitas que andam por aí emperiquitadas em legs fosforescentes, pan-cakes e blush e batons sabor desilusão. Morreria se uma dessas, insidiosa, fingindo provisórios, mas de baú, periquito e nécessaire se instale, mal dos pecados, dentro de sua mansarda bucólica, de design rococó europeu, decorada com alegorias do carnaval de Veneza e seus fantasmas usocapientes, de tradição e familiares, íntimos até. Esses, um parágrafo à parte.
Além do fino trato, o hábito, a convivência pacífica, acabou por fazê-los seus diletos inquilinos, quais sejam: Dois piratas, um inglês, Sir Francis Brake enforcado ...
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A formiga retornava à sua casa depois de um cansativo dia de trabalho, mas no meio do caminho sentiu sede e por isso foi até a beira do rio para beber um pouco d’água. Chegando lá, a formiga distraiu-se com alguma coisa e por isso pisou onde não devia, escorregou, caiu dentro d’água e acabou sendo levada pela correnteza.
A coitada bem que tentou retornar à margem, e por isso nadou e nadou, mas o rio era mais forte e a foi levando curso abaixo, até que quando a pobrezinha já estava quase se afogando, uma pomba percebeu o seu drama e por isso arrancou com o bico uma folha da árvore onde estava pousada, voou e a deixou cair na água ao lado da formiga, que subindo nela conseguiu chegar em terra e escapulir da morte.
Mas a quase afogada nem tinha descansado direito quando notou que um caçador havia se aproximado de forma sorrateira por baixo da árvore onde a pomba havia pousado novamente, e estava se preparando para atirar ...
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O médico Jacinto Dores Incima, ou doutor Aiai, é o clínico geral do Hospital Municipal de Periquitinho Verde. Ele se tornou bem falado na cidade a partir do dia em que assumiu esse cargo naquele centro médico, oportunidade em que participou de um divertido episódio que se tornou conhecido como “o caso do homem que comeu bosta”, cuja repercussão obrigou o Zé Mico, que é o “tal”, a se mudar para a capital do país. Pois foi justamente a ele, médico, que o bancário Júlio César Pereira - apelidado de Hora Certa porque foi sempre o último a entrar e o primeiro a sair do serviço - se referiu durante conversa que mantinha com o advogado trabalhista Chico Silva, em uma manhã dessas quartas-feiras da vida.
O assunto era paciência, coisa que Júlio César havia deixado de lado quando certo cliente do banco onde trabalhava, desses graúdos metidos a bambambã, foi reclamar que seu cheque não poderia ter sido devolvido, mesmo já estando ele com o saldo da sua conta no vermelho. Os dois amigos concordavam que ela, a paciência, era uma virtude que tinha começo, meio ...
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