Duas lendas gregas guardam grande semelhança entre si: a de Sísifo, lendário rei de Corinto, e a de Tântalo, não menos famoso rei da Lídia. Segundo a Ilíada, de Homero, Sísifo foi o mais astuto e o mais sábio dos homens, tendo edificado a cidade que governava e construído o grande muro de defesa que protegia o istmo de Corinto, uma estreita faixa de terra ligando a península do Peloponeso ao continente. Entrincheirado em sua cidadela, o rei espoliava impunemente os viajantes que pretendiam atravessar aquela região.
A antiga Corinto, situada a poucos quilômetros da cidade atual, provavelmente surgiu novecentos anos antes de Cristo graças a invasores que dominaram aquela região, e em virtude da localização privilegiada do istmo tornou-se o principal entreposto comercial da época, propiciando a criação de numerosas colônias. Sua importância era tão grande que nela o apóstolo São Paulo estabeleceu uma de suas primeiras igrejas, dirigindo a seus habitantes as duas epístolas conhecidas como I e II aos Coríntios, textos bíblicos nos quais os censurava pelas divisões que os agitavam e escândalos que surgiam ...
Continue a leitura...
O Manifesto do Povo do Rio de Janeiro, também conhecido como Manifesto do Fico, trata-se de documento preparado por membros do Clube da Resistência, instalado nessa cidade, contrários ao retorno de D. Pedro a Portugal, em atendimento às ordens vindas da Corte. Esse documento, redigido pelo frei Francisco de Santa Teresa de Jesus Sampaio, e outro, preparado em São Paulo por José Bonifácio de Andrade e Silva, (na ilustração) foram de extrema importância na decisão tomada pelo Príncipe Regente, preservada pela história brasileira com o nome de Dia do Fico.
MANIFESTO
O povo do Rio de Janeiro, conhecendo que os interesses das Nações, reunidos em um centro comum de idéias sobre o bem Público, devem ser os primeiros objetos da vigilância daqueles que estão revestidos do caráter de seus Representantes, e de mais, convencido de que nas circunstâncias atuais se constituiria responsável para com as gerações futuras se não manifestasse os seus sentimentos à vista da medonha perspectiva que se oferece a seus olhos pela retirada de Sua Alteza ...
Continue a leitura...
Assim é chamado aquele que demonstra ser livre e soberano, e por isso mesmo, dono da sua vontade. A origem dessa expressão está ligada ao costume que tinham reis africanos e asiáticos da antiguidade, de cortar o nariz dos seus prisioneiros para que estes ficassem reduzidos ao cativeiro total. O folclorista Luis da Câmara Cascudo - citando Deodoro da Sicília, historiador grego do qual existem poucos registros - revela em “Locuções Tradicionais do Brasil” que o etíope Actisanés (?), faraó do Egito, fundou na fronteira da Síria uma colônia constituída unicamente de bandoleiros desnarigados. Dessa forma, quem por ali tivesse o nariz no seu devido lugar, era considerado autônomo e independente. Esse nefando costume da extirpação persistiu por centenas de anos, tanto que bem mais adiante, já no século 17, os registros históricos revelam que também se cortava o nariz dos assaltantes como forma de punição, transformando esse estigma infamante em uma espécie de marca da desonestidade.
Recentemente, em entrevista concedida a uma revista da área médica, o doutor João Ferreira de Melo Júnior, otorrinolaringologista especializado em ...
Continue a leitura...
No livro do Gênesis, na Bíblia (40:15 a 36), é relatada a história de como José, filho predileto do patriarca Jacó e de Raquel, e prisioneiro de Putifar, favorito do faraó e general dos exércitos, interpretou um sonho que inquietava o soberano egípcio.
Disse-lhe este: “Em meu sonho eu estava à margem do Nilo e eis que de lá saíram sete vacas gordas e belas, que se puseram a pastar a verdura. E saíram em seguida sete outras vacas magras, feias e disformes, como jamais vi em todo o Egito. As vacas magras e feias devoraram as sete primeiras, as gordas, que entraram em seu ventre como se nada fossem, pois ficaram tão macilentas e feias como antes. Nesta altura eu despertei. E tive outro sonho: vi elevar-se duma mesma haste sete espigas cheias e belas. Mas eis que sete outras espigas medíocres, finas e queimadas pelo vento do oriente, germinaram em seguida, e as espigas magras engoliram as sete belas espigas. Em vão contei tudo isto aos mágicos; nenhum deles pôde dar-me explicação”.
...Continue a leitura...
Os vaga-lumes, ou pirilampos, são besouros noturnos que possuem órgãos especiais produtores de luz. Porém, nem todas as espécies possuem luminescência. Só algumas delas, ao longo da evolução, incorporaram a bioluminescência porque ela facilita a comunicação sexual e a defesa. Os vaga-lumes que não emitem luz em geral desenvolvem atividades diurnas.
Eles são encontrados em maior abundância nas regiões tropicais, onde é mais intensa a sua fosforescência, tanto que os índios sul-americanos costumavam utilizá-los para iluminar seu caminho à noite, enquanto as mulheres se serviam deles como ornamento para suas vestes e cabelos. A luz emitida pelos vaga-lumes e outros insetos com a mesma propriedade, é resultado de uma reação química que acontece no interior de células especializadas (fotocitos), onde o oxigênio faz com que uma enzima (luciferina) reaja diante de outra enzima (luciferase), provocando a combustão parcial. A cor dessa emissão luminosa pode variar do verde ao amarelo, da mesma forma com a freqüência e a intensidade dos lampejos são características de cada espécie desses insetos. Esse processo, chamado de oxidação biológica, ou luz fria, permite que a ...
Continue a leitura...
- Não é possível, senhora! - dizia o comendador à esposa. - Não é possível!
- Mas se eu lhe digo que é certo, seu Lucas! - insistia a D. Teresa. - Pois é mesmo a nossa filha quem m’o disse!
O comendador Lucas, atônito, coçou a cabeça:
- Oh, senhora! Mas isso é grave! Então o rapaz já está casado com a menina há dois meses e ainda...
- Ainda nada, seu Lucas, absolutamente nada!
- Valha-me Deus! Enfim, eu bem sei que o rapaz, antes de casar, nunca tinha andado pelo mundo... Sempre agarrado às saias da tia, sempre metido pelas igrejas.
- Mas, que diabo! Como é que em dois meses o instinto ainda não lhe deu aquilo que a experiência já lhe devia ter dado? Enfim, vou eu mesmo falar-lhe! Valha-me Deus!
Continue a leitura...
Zumbi é uma palavra da língua africana quimbundo, cujo significado é cadáver animado por força mágica e obrigado a trabalhar para o encantador. Os dicionários brasileiros esclarecem que ela identifica não só o fantasma que de acordo com a crença popular afro-brasileira, vagueia pela noite, mas também o indivíduo que sai de casa somente depois que o sol se esconde e a escuridão toma conta das ruas.
Conforme a lenda conhecida em todos os cantos da Terra, os zumbis, também chamados mortos-vivos, são pessoas que morreram, mas retornaram à vida graças à ação de um sacerdote vodu, tornando-se então seus escravos. O vodu é um culto de origem africana (semelhante à macumba brasileira) praticado nas Antilhas e em especial no Haiti, onde é majoritário, no Brasil e sul dos Estados Unidos, combinando elementos do catolicismo com procedimentos das religiões tribais da África ocidental.
Ele surgiu num reino chamado Daomé, atualmente conhecido como Benin. Com a escravidão no século 19, os nativos de Daomé foram capturados e levados para que fossem trocados ...
Continue a leitura...
Ele era branco, e ela branca,
Ambos claros como a luz...
Casaram. Baile de arranca,
E pagodeira de truz...
O mais formoso dos ninhos
Era a casa, à beira-mar,
Onde, como dois pombinhos,
Foram os dois arrulhar.
Só eles... e um cozinheiro,
Que era o crioulo Manuel,
Crioulo lesto e ligeiro,
Obediente... e fiel.
Ali, amor assentava
Os seus doces arraiais,
E o mar, gemendo, invejava
Aqueles beijos... e o mais.
Nove meses decorridos,
Uma notícia correu:
Escutaram-se os vagidos...
E o morgadinho nasceu!
Que horror! Que espanto! O menino,
Continue a leitura...
A Primeira República do Brasil, também chamada República Velha, iniciada com a promulgação da Constituição republicana (24/02/1891), prolongou-se até a Revolução de Trinta, tendo como principal característica a predominância política do setor agrário exportador, fundamentalmente ligado à economia cafeeira (o que faz o período também ser chamado de República do Café). Desde a independência o café começava a definir-se como novo centro dinâmico da economia brasileira, e na medida em que sua cultura se desenvolvia no centro-sul do país, especialmente na região oeste paulista, os fazendeiros locais dependiam cada vez menos de escravos, a tal ponto que a abolição (1888) chegou a ser bem vista em seu meio. Um ano depois eles apoiavam os militares que proclamaram a República.
Ao instituir a descentralização política do sistema federativo a Constituição de 1891 forneceu aos cafeicultores a base jurídica para seu predomínio. Pelo novo sistema, cada um dos estados da União (antigas províncias imperiais) tinha o direito de contrair empréstimos no exterior, decretar impostos sobre a exportação e possuir corporações militares, constituição, código eleitoral e magistratura. As novas disposições fiscais beneficiavam bastante ...
Continue a leitura...
São poucos os registros que mencionam a existência da onça-maneta, embora esta lenda esteja presente principalmente nos estados de Minas Gerais e São Paulo. Trata-se, como o próprio nome dá a entender, de uma onça que não se sabe como perdeu parte de uma das suas patas dianteiras, e a partir daí passou a perambular por seu território de caça deixando marcados nas areias os rastros das outras três patas que lhe sobraram. Segundo a voz do povo ela é de uma ferocidade extrema, dona de força incrível e extremamente ágil, apesar da deficiência física que apresenta. Vivendo permanentemente esfomeada, a onça-maneta por isso mesmo ataca os rebanhos bovinos e os currais que vai encontrando por onde passa, desaparecendo assim que percebe o esboço de qualquer reação humana. Mas ela reaparece pouco tempo depois, quase sempre no mesmo local ou em suas proximidades, dando prosseguimento à sua continuada busca de alimento capaz de lhe satisfazer o enorme apetite.
Os poucos onceiros que afirmam tê-la conhecido mais de perto, garantem que a fera é desassombrada, não tem medo de ...
Continue a leitura...
O Jornal da Cidade, de Aracaju, capital sergipana, publicou no dia 10 de setembro de 2007, matéria com este mesmo título, assinada pelo jornalista Mario de Morais, abordando assunto relacionado com a descoberta do vírus de uma pandemia que no período de 1918 a 1920 matou mais de vinte milhões de pessoas no mundo inteiro. O texto em questão dizia o seguinte:
"Em 1997 infectologistas dos Estados Unidos descobriram, finalmente, o vírus responsável pela gripe espanhola, que matou 21 milhões de pessoas. Na época, a epidemia foi chamada de influenza (hoje em dia nome dado a uma simples gripe). Mesmo os mais idosos só sabem do fato de ouvir dizer. Seus avós contavam que se trancavam em casa, temerosos de pegar a mortal moléstia. E através do vidro das janelas viam passar filas de caminhões cheios de cadáveres amontoados em direção aos cemitérios. Não havia tempo para chorar seus mortos. Eles eram reunidos e jogados em vala comum. Alguns coveiros chegavam a abandonar o trabalho, temerosos do contágio. Os médicos negavam-se a ir à casa dos clientes ...
Continue a leitura...
HARPIAS
Na mitologia grega as Harpias (do grego hárpyia, que significa arrebatadora) são descritas como divindades de função variável. Anteriores aos deuses olímpicos, elas eram filhas de Taumante, ou Thaumas, divindade marinha da geração dos Titãs, filho de Pontos, a planície infecunda, e Gaia, ou Terra, mãe dos deuses, com Electra, ninfa marinha filha de Oceano e Tetis, divindade marítima e mãe de Aquiles. São geralmente representadas ora como mulheres sedutoras, ora como horríveis monstros com rosto de mulher, corpo de abutre e unhas em garra, traduzindo dessa forma não só as paixões dominantes, obsessivas, mas também o remorso que surge depois que o desejo foi satisfeito.
Alguns autores explicam que no princípio elas eram duas, Aelo, cujo nome em grego significa “a borrasca”; e Ocipete, a “rápida no vôo”, às quais depois se juntou Celeno, “a obscura”, também chamada de Poderge, ou Podargéia. Para o poeta grego Hesíodo, que viveu provavelmente no século 8 a.C., elas personificavam os ventos, aparecendo também como encarnação ...
Continue a leitura...
MATURO OU MADURO?
Diz o meu compadre João que o pé de alface mais bonito cresce sempre na horta do vizinho. Não sei se isso é verdade, pois nunca me preocupei em comparar minhas hortaliças com as que os outros estão produzindo. A lição que aprendi durante meus longos anos de vida, foi a de que se as pessoas não se ocuparem com aquilo que lhes diz respeito, se elas não se interessarem pelo que fazem, se não colocarem um pouco de amor no desempenho de suas atividades, sejam quais forem, então, realmente, tudo na casa ao lado vai lhes parecer mais viçoso e atraente.
Essa é uma regra simples que nos permite compreender, sem muito esforço, a existência do bom e do mal profissional, desde o mais humilde dos varredores de rua, até o mais pernóstico dos cientistas; desde o mais desconhecido dos desconhecidos que vagam pelo mundo, até o mais falado dos indivíduos que costumam ser notícia na imprensa. E como ...
Continue a leitura...
Oh! o lindo, o lindo vaso que Celina possuía! E com que carinho, com que meiguice ela tratava as flores daquele vaso, o mais belo de toda a aldeia!
Levava-o à toda parte, e no seu ciúme, na sua avareza, não queria confiá-lo a ninguém, com medo de que mãos profanas estragassem as raras flores que nele viçavam. Ela mesma as regava, de manhã e à noite; ela mesma as catava cuidadosamente todos os dias, para que nenhum inseto as roesse ou lhes poluísse o acetinado das pétalas. E em toda a aldeia só se falava do vaso de Celina. Mas, a rapariga, cada vez mais ciosa do seu tesouro, escondia-o, furtava-o às vistas de todo o mundo. Oh! O lindo, o lindo vaso que Celina possuía!
Certa vez, (era por ocasião das colheitas) Celina acompanhou as outras raparigas ao campo. A manhã era esplêndida. O sol inundava de alegria e de luz a paisagem. E as raparigas iam cantando, cantando; e as aves nas árvores, gorjeando, e as águas do riacho nos seixos da estrada, murmurando, faziam ...
Continue a leitura...
A cor do mar não lhe pertence, pois em geral reflete o cinza ou o azul do céu, misturado, às vezes, a uma tonalidade esverdeada proveniente das algas, mas nas proximidades das embocaduras dos rios, cujas águas normalmente são sujas e barrentas, ele se torna igualmente amarelado. A transparência das águas marinhas depende das impurezas que contém e alcança uma profundidade máxima de quarenta metros, além da qual a escuridão é completa, mas desde que se descobriu a importância da luz solar para o desenvolvimento da flora marítima, o estudo desses aspectos tem sido intensificado. O mar funciona como regulador dos climas litorâneos, e uma vez que o grau de calor ou de frio das suas águas varia conforme a profundidade, a época do ano e a latitude, a análise comparativa das linhas isotérmicas (que unem os pontos de igual temperatura) anuais, dão uma idéia correta de como ela se distribui durante o ano.
Existe grande abundância de sais dissolvidos nas águas, tais como cloreto de sódio (77%), magnésio, sulfato de magnésio, sulfato de cálcio, sulfato de potássio e outros. ...
Continue a leitura...