O peixe é um animal vertebrado que vive na água, respirando por guelras. Este seu sistema respiratório diferencia-se grandemente da respiração pulmonar porque enquanto nos animais com pulmão o ar absorvido por eles segue até esses órgãos, encontrando-se com o sangue e ali ocasionando a necessária troca do oxigênio pelo gás carbônico que vai ser expelido, nos animais com guelras, ao contrário, o sangue é que vai até elas, onde se encontra com o oxigênio para a mesma troca.
Essas guelras são formadas por lâminas membranosas dispostas em séries paralelas - como os dentes de um pente - e localizadas perto da cabeça do animal, em comunicação com a parte dianteira do seu aparelho digestivo. Quando a água é engolida pelo animal, ela entra em sua boca, passa pelas guelras, oxigena o sangue devido ao ar que nela está dissolvido, sendo em seguida expelida pelos opérculos, conjunto de peças ósseas que protege as brânquias ou guelras dos peixes.
O sangue dos peixes aflui de todo o corpo para o coração, de ...
Continue a leitura...
Um pouco cansada, com as compras deformando o novo saco de tricô, Ana subiu no bonde. Depositou o volume no colo e o bonde começou a andar. Recostou-se então no banco procurando conforto, num suspiro de meia satisfação.
Os filhos de Ana eram bons, uma coisa verdadeira e sumarenta. Cresciam, tomavam banho, exigiam para si, malcriados, instantes cada vez mais completos. A cozinha era enfim espaçosa, o fogão enguiçado dava estouros. O calor era forte no apartamento que estavam aos poucos pagando. Mas o vento batendo nas cortinas que ela mesma cortara lembrava-lhe que se quisesse podia parar e enxugar a testa, olhando o calmo horizonte. Como um lavrador. Ela plantara as sementes que tinha na mão, não outras, mas essas apenas. E cresciam árvores. Crescia sua rápida conversa com o cobrador de luz, crescia a água enchendo o tanque, cresciam seus filhos, crescia a mesa com comidas, o marido chegando com os jornais e sorrindo de fome, o canto importuno das empregadas do edifício. Ana dava a tudo, tranqüilamente, sua mão pequena e forte, sua corrente de vida.
Continue a leitura...
A cenoura (originária do Afeganistão, país localizado no centro da Ásia e sem saída para o mar) tem uma história que começa há mais de dois mil anos. Com o correr do tempo ela passou a ser consumida e cultivada na região oriental do Mar Mediterrâneo (onde os povos que ali habitavam a cozinhavam em ensopados e a usavam na alimentação de doentes em recuperação), ao mesmo tempo em que se tornou também conhecida e apreciada tanto pelos gregos como pelos romanos. Mais à frente, já no século 12, popularizou-se em quase toda a Europa, e de lá, séculos depois, acabou chegando ao continente americano pelas mãos dos navegadores que desembarcavam nas novas terras em busca de riquezas ou qualquer outra coisa que pudessem levar em suas embarcações.
Planta da família Apiaceae, à qual também pertencem a salsinha, o aipo, o coentro, a erva-doce e o nabo, a cenoura, uma raiz tuberosa e sem ramificações, é fonte abundante de betacaroteno, antioxidante que o organismo humano converte em vitamina A, e que também é responsável pela coloração alaranjada característica ...
Continue a leitura...
O Ato Adicional, de 12 de agosto de 1834, criou a Regência Una e alterou a organização política e administrativa do Império, conferindo maior autonomia às províncias. Ele foi aprovado com o seguinte texto:
A Regência permanente, em nome do imperador o sr. d. Pedro II, faz saber a todos os súditos do Império que a Câmara dos Deputados, competentemente autorizada para reformar a Constituição do Império, nos termos da carta de lei de 12 de outubro de 1832, decretou as seguintes mudanças e adições à mesma Constituição:
Art. 1 - O direito reconhecido e garantido pelo art. 71 da Constituição será exercido pelas Câmaras dos distritos e pelas Assembléias que, substituindo os Conselhos Gerais, se estabelecerão em todas as províncias, com o título de Assembléias Legislativas Provinciais. A autoridade da Assembléia Legislativa da província em que estiver a corte não compreenderá a mesma corte, nem o seu município.
Art. 2 - Cada uma das Assembléias Legislativas Provinciais ...
Continue a leitura...
Não existe no mundo civilizado quem não conheça o vaso sanitário, uma peça de louça com a boca em formato oval, usada pelas pessoas para urinar e evacuar. Artefato indispensável em residências, escolas, bares, restaurantes, clubes ou quaisquer outros locais onde homens, mulheres ou crianças se agrupem, sua história está intimamente ligada à necessidade que tem o ser humano de eliminar os resíduos sólidos ou líquidos dos alimentos que ingere, coisa que ele não consegue evitar, por mais que tente. O ato de livrar-se dos dejetos sólidos é hoje um procedimento que o cidadão realiza a portas fechadas, às escondidas, longe de olhares indiscretos, valendo-se, para isso de lugares apropriados conhecidos como privadas, latrinas, fossas sépticas e outros mais.
Mas nem sempre foi assim. Nos primórdios do mundo nossos antepassados usavam qualquer lugar para livrar-se do que o intestino de cada um não queria mais, desde as moitas que os escondiam de olhares curiosos, até um simples buraco cavado no chão. Somente no terceiro milênio antes de Cristo foi que os banheiros no interior das casas começaram a surgir, o ...
Continue a leitura...
Para os gregos e romanos da antiguidade, ninfas eram as divindades benéficas que representavam as forças elementares da natureza. Viviam tanto quanto uma árvore, sem jamais envelhecer, e moravam em fontes, lagos, rios e riachos, mares, bosques, florestas, prados e montanhas, onde se mantinham livres e independentes, auxiliando os deuses no desempenho de funções secundárias.
Como divindades menores elas não eram imortais, mas permaneciam jovens, belas e graciosas, sendo por isso amadas por deuses e por homens, embora também inspirassem, ao mesmo tempo, temor e devoção no mundo helênico. Freqüentemente descritas com vestidos leves e quase transparentes, e tendo seus cabelos compridos soltos ou entrelaçados, as ninfas podiam raptar um mortal caso se apaixonassem por ele, como aconteceu com Hilas, herói associado à lenda de Hércules, que ao retirar água de uma fonte foi carregado por elas para o fundo das águas; ou com Hermafrodito, que ao banhar-se numa fonte despertou tamanho amor na ninfa Salmacis que esta o abraçou e pediu aos deuses que fundissem seus corpos num só. Mas também podiam morrer de amor, como no drama da ...
Continue a leitura...
ACORDO LEONINO
Os dicionários definem acordo como pacto, concórdia, concordância ou conformidade entre pessoas interessadas em alguma coisa, mas que não conseguiam se entender. Em tese, portanto, um acordo deveria dar fim ao desencontro dos envolvidos em qualquer problema.
Mas nem sempre as coisas funcionam dessa maneira.
Uma fábula contada por três fabulistas famosos nos dá idéia de como os acordos podem ter fim desagradável para os do lado mais fraco.
Certa vez, o leão, a raposa, o chacal e o lobo, combinaram sair juntos para caçar. E foi o que fizeram. Logo eles mataram um veado, que por ordem do leão foi dividido pelos outros sócios em quatro ...
Continue a leitura...
A expressão é pouco usada na atualidade, embora possa representar com absoluta fidelidade as situações difíceis e perigosas vividas pelo homem moderno. A história revela que Siracusa, fundada em 734 a.C. pelos colonizadores gregos de Corinto, se tornou na época a maior cidade da Sicília, e hoje, entre as suas ruínas mais famosas estão um teatro e um templo gregos do século 5 a.C., muralhas e fortificações da cidade, aquedutos do período de Hierão III (478-467 a.C.), um anfiteatro romano e catacumbas. Seu passado foi marcado por guerras, invasões e tirania, como a de Dionísio, o Velho, que em 405 a.C. aproveitou-se da luta de seu país contra os cartagineses para apoderar-se do poder.
Para consolidá-lo, ele adotou medidas como a construção de fortificações, a expulsão dos seus inimigos políticos, a evacuação dos soldados gregos de diversas cidades sicilianas e sua substituição por mercenários. Belicoso e cheio de ambição, Dionísio moveu diversas guerras contra os cartagineses e reinos vizinhos, até tornar-se o senhor da Itália Grega, em 386 a.C. Dois anos depois ele enviou uma delegação numerosa para ...
Continue a leitura...
O terceiro governador-geral do Brasil nasceu em Coimbra, Portugal ( ou - 1500) e morreu na Bahia em 02/03/1572. Nomeado sucessor de Duarte da Costa em 1556, ele chegou a Salvador, Bahia, em 28 de dezembro de 1557, tomando posse do governo dias depois, em 3 de janeiro de 1558, iniciando uma administração marcada pelo desinteresse da metrópole e pelas graves desavenças entre os jesuítas e os leigos. Mem de Sá procurou pacificar a colônia, liderando a guerra contra o gentio revoltado, mas nessa luta perdeu o filho, Fernão de Sá, em combate na então capitania do Espírito Santo.
Durante os quatorze anos de seu governo algumas realizações importantes foram concretizadas, entre elas a fundação da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro (a segunda a ser criada no Brasil), em 1º de março de 1565, por seu sobrinho Estácio de Sá; a expulsão dos franceses, em 1567, com o auxílio do mesmo sobrinho, que morreu de flechada recebida na luta, e o aldeamento de tribos indígenas em missões (reduções). Além disso, ...
Continue a leitura...
Tato é a faculdade que os homens têm de perceber e conhecer sensações como as de dor, pressão, forma, temperatura, seco, molhado e outras mais, através de diversas células sensoriais que recebem o nome de sentidos cutâneos. O toque nos faz sentir o tato através da pele, revestimento externo do corpo que tem grande sensibilidade devido à existência de incontáveis receptores neurológicos localizados bem na superfície, em toda a sua extensão.
Entre os animais o sentido do tato também está presente. As toupeiras que habitam a América do Norte, Europa e Ásia, onde vivem no subsolo, enterradas em tocas e galerias, têm sensores táteis nas duas extremidades do corpo – uma adaptação lógica para arrastar-se por túneis escuros. Devido ao modo como vivem, elas são cegas (total ou parcialmente), e por isso os pêlos que lhes guarnecem o focinho e arrematam a cauda são embutidos em células receptivas de tato. Qualquer movimento desses pêlos - seja por vento ou por toque - alerta o animal da aproximação de perigo ou de uma fonte de comida, como um ...
Continue a leitura...
Durante o período da Inquisição, na Idade Média, a tortura foi um recurso utilizado para extrair confissões dos que eram acusados de alguma violação da lei, desde os pequenos delitos até os crimes mais graves. Para isso, os torturadores, ao longo dos anos, desenvolveram diversos métodos de tortura, sendo os mais agressivos reservados àqueles que provavelmente seriam condenados à morte.
As gaiolas suspensas eram um deles. Feitas de madeira ou ferro, representaram uma das torturas mais cruéis aplicadas na Europa desde meados da Idade Média até o final do século 18, mas apesar disso, se tornaram relativamente populares em muitas cidades européias, uma vez que podiam ser encontradas com facilidade no exterior de edifícios municipais, palácios de justiça, catedrais e muralhas de cidades, assim como penduradas em postes situados em várias ruas e becos desses lugares, nas encruzilhadas de diversos caminhos, havendo, freqüentemente, várias gaiolas em fila, uma ao lado das outras.
As vítimas, nuas ou quase nuas, eram fechadas nesses instrumentos de suplício de tamanho não muito maior que o dos seus corpos, içadas para o alto ...
Continue a leitura...
Mamãe pintassilgo fizera seu ninho em uma árvore de ramagem fechada, e por isso acreditava que os filhotes que ali criava estariam a salvo de qualquer perigo. Certo dia, porém, quando retornou à habitação trazendo no bico uma minhoca para alimentar os pequerruchos, descobriu que eles tinham desaparecido. Desesperada, a pobre mamãe começou a procurá-los por toda parte, dia e noite sem comer ou dormir, vasculhando o chão e as árvores, ali por perto e mesmo um pouco mais longe, mas em vão, nenhum sinal deles foi encontrado. Os outros pássaros entendiam o por quê do seu choro e das suas lamúrias, mas nenhum deles tinha conhecimento de alguma informação que pudesse ajudá-la na busca que fazia.
Três dias depois um canário que viera de outras bandas e estava ali só de passagem, ficou sabendo da história e revelou que tinha sobrevoado a casa do fazendeiro mais próximo, e vira que ele mantinha três filhotes de pintassilgo presos em uma gaiola. Alvoroçada, a mamãe pintassilgo logo voou para a tal fazenda, pousou no telhado da residência, dali desceu para ...
Continue a leitura...
- Se a culpa é minha, então posso jogá-la nas costas de quem eu quiser.
- Se a fé remove montanha, imagine dinamite...
- Se a gente não acreditar na sorte, de que jeito vamos poder explicar o sucesso das pessoas de quem não gostamos?
- Se a morte não existisse, os coveiros estariam desempregados.
- Se a mulher foi feita de uma costela de Adão, imagine se Deus tivesse usado o filé.
- Se a vida fosse mais fácil, não seria tão difícil.
- Se acupuntura resolvesse, porco-espinho não ficava doente.
- Se as coisas começarem a dar errado, aí então eu terei que pedir para você parar de me ajudar.
- Se casamento fosse bom, Deus era casado.
- Se casamento fosse bom, não precisava de testemunhas.
- Se chiar resolvesse, Sal de Frutas não morria afogado.
- Se concentração ganhasse jogo, o time do presídio não perdia uma partida.
...Continue a leitura...
Descendente de Abraão, patriarca hebreu que deu início à historia do povo de Israel, e primo da Virgem Maria, São João Batista teve como pai o sacerdote Zacarias, para quem o Arcanjo Gabriel apareceu anunciando-lhe que sua esposa Isabel, já idosa, teria um filho, e que o menino seria precursor de Jesus Cristo. Segundo Lucas, isso aconteceu no ano 5 antes de Cristo, no território onde habitava a tribo de Judá.
João preparou-se para a missão que lhe havia sido confiada passando sua juventude no deserto, e lá se dedicando ao jejum e às orações. Até que por volta do ano 25 ele finalmente iniciou sua vida de pregador às margens do rio Jordão, proclamando a chegada de Jesus como o Cordeiro de Deus que daria o batismo à humanidade. João também pregou na corte de Herodes Antipas, tetrarca da Galiléia, condenando a vida escandalosa do homem que tomara para mulher a esposa de seu irmão, chamada Herodíades. Por isso foi preso e encarcerado, só não sendo condenado à morte porque o governador conhecia a popularidade do ...
Continue a leitura...
Epônimo é tudo o que dá ou empresta seu nome a alguma coisa. Um bom número das palavras que usamos foram inspiradas em nomes próprios de personagens reais ou fictícios, sem que muita gente se dê conta da lembrança contida no vocábulo que acabou de pronunciar ou escrever. Como é o caso, por exemplo, de homérico, freudiano, masoquismo, darwinismo, shakespereano, alexandrino e um sem número de outros adjetivos e substantivos inspirados em homens cujas ações e feitos lhes garantiram a inclusão do nome na extensa relação eponímica existente.
Apesar da presença dos epônimos em todas os segmentos de atividade humana, a científica é a que concentra o maior número deles. Isso porque centenas de pesquisadores tiveram seus nomes incluídos no vocabulário medicinal ao batizarem problemas de saúde e detalhes anatômicos, da mesma forma como aconteceu com o mal de Alzheimer, com a síndrome de Down, o mal de Parkinson, e outros, a tal ponto que o médico Max Grimberg, diretor da Equipe de Cardiopatias do Incor (Instituto do Coração) e professor da Faculdade de Medicina da USP, lançou o livro ...
Continue a leitura...