Qualquer periquitinhoverdense que seja dono de alguma coisa ligada à atividade agropecuária, certamente já ouviu falar da fazenda do Juca Luís, em Grota Funda, um dos cinco distritos de Periquitinho Verde, porque sendo ela uma propriedade rural muito bem cuidada, todos os que de alguma forma se incluem nesse ramo fazem questão de afirmar aos parentes, aos amigos e conhecidos, que já a visitaram, ou então que estão pretendendo fazer isso um dia desses, se Deus quiser.
Na verdade, eles nem precisam esperar que o proprietário os convide, é bom que se diga. Sendo um criador competente e caprichoso, “seu” Juca cuida do rebanho bovino que possui com a atenção que os animais de cria, recria e engorda merecem, razão pela qual as muitas centenas de cabeças de gado nelore, empastadas em suas terras, estão sempre atraindo interessados de diversos lugares do país, dispostos a pagar por algumas rezes preço até mesmo um pouquinho mais alto que o vigorante no mercado.
“É porque vale à pena”, garantem os compradores, e como eu só entendo de gado bovino quando ...
Continue a leitura...
Conta a tradição que na época em que Cristo foi crucificado, os soldados romanos tinham como hábito quebrar os pés dos condenados para retirá-los da cruz com mais facilidade, mas quando foram em busca de Jesus e O encontraram com os pés já soltos, um deles não ficou satisfeito e perfurou com a lança o corpo à sua frente. Nesse momento teria saído água da ferida, e esta respingou nos olhos do centurião de má índole, curando-o na mesma hora de uma séria doença que ele tinha nas vistas.
Com isso o soldado reconheceu Cristo como o filho de Deus, converteu-se sem qualquer hesitação, e seu passo seguinte foi abandonar imediatamente o exército e a casa onde morava, tornar-se monge e passar a percorrer a região da Capadócia, na atual Turquia, em trabalho de catequese. Na Bíblia, Mateus (27:54), Marcos (15:39) e Lucas (23:47) se referem ao centurião que reconheceu o filho de Deus, e João (19:33/34), relatando a mesma passagem, dizem: “Chegando, porém, a Jesus, como o vissem já morto, não lhe quebraram as pernas, mas um dos soldados abriu-lhe ...
Continue a leitura...
Nas horas mortas da noite
Como é doce o meditar
Quando as estrelas cintilam
Nas ondas quietas do mar;
Quando a lua majestosa
Surgindo linda e formosa,
Como donzela vaidosa
Nas águas se vai mirar!
Nessas horas de silêncio
De tristezas e de amor,
Eu gosto de ouvir ao longe,
Cheio de magoa e de dor,
O sino do campanário
Que fala tão solitário
Com esse som mortuário
Que nos enche de pavor.
Então - Proscrito e sozinho -
Eu solto aos ecos da serra
Suspiros dessa saudade
Que no meu peito se encerra
Continue a leitura...
Roupa, traje, ou vestimenta, é o que usamos habitualmente para cobrir o corpo, e sua história revela uma evolução ligada à dos costumes. A Bíblia relaciona a origem do vestuário ao conceito do pecado, explicando que Adão e Eva reconheceram sua nudez após comerem o fruto da árvore do Bem e do Mal, e por isso passaram a usar uma cinta feita com folhas de figueira. Nas regiões mais quentes da Terra os homens primitivos andavam nus porque não possuíam qualquer noção de pudor. Dados como esses originaram a certeza de que foram as variações meteorológicas que impuseram ao homem antigo a necessidade de cobrir o corpo com alguma coisa.
Documentos da Idade da Pedra Polida evidenciam que o homem de então usava uma proteção sumária igual à tanga ainda hoje utilizada por alguns povos selvagens, acrescida, no inverno, de peles de animais. Mais adiante, na Assíria e Babilônia, o traje resumia-se a uma espécie de camisões com mangas que diferenciavam as classes sociais apenas pela tonalidade do tecido. Os egípcios vestiam-se com um avental pendente da cintura, também adotado pelas classes mais ricas durante as ...
Continue a leitura...
Insone, a moça Luísa
Salta do leito, em camisa.
Verão, verão de rachar.
Calor, calor que devora,
Luísa vai dormir fora,
Ao luar...
Ardente noite estrelada...
Entre as plantas, descansada,
Põe-se Luísa a roncar.
Dorme toda a natureza...
E que esplendor! Que beleza,
No luar...
Olha-a o luar com ciúmes.
E sobem vivos perfumes
Do jardim e do pomar:
E ela, em camisa, formosa,
Repousa, como uma rosa,
Ao luar...
Mas alguém (um fantasma ou gente?)
Chega-se prudentemente,
Para o seu sono espreitar.
Alguém que, ardendo em desejo,
Lhe põe nos lábios um ...
Continue a leitura...
Uma versão pouco conhecida sobre essa data comemorativa revela que tudo começou em 249 da nossa era, quando Décio Caio Trajano foi proclamado imperador romano pelos soldados que comandava. Dois anos depois ele morreu em combate e foi substituído por Valentino, que preso pelos persas em 260 deixou o trono para o filho Galieno. Este era um déspota cruel e sanguinário, e por isso foi assassinado por seus oficiais em 268, durante o cerco ao general Aureolo, que havia se colocado como chefão do império. Resolvido o problema da usurpação, os comandantes imediatamente indicaram Marco Aurélio Cláudio Gótico como imperador, e sendo este um estrategista brilhante, contou com a aprovação unânime dos senadores em Roma, que viam nele a chance de eliminar a ameaça iminente da invasão bárbara.
Assim o poder foi entregue a Cláudio II, militar dedicado e consciente de que suas legiões deveriam estar bem preparadas para enfrentar os inimigos que rondavam o império. Daí, por achar que durante a guerra os legionários solteiros seriam mais eficientes que os casados, ele proibiu o casamento durante esse ...
Continue a leitura...
O jogo de damas se faz sobre um tabuleiro regularmente dividido em 64 ou 100 pequenos quadrados com duas cores alternadas, onde cada jogador possui doze ou vinte peças denominadas tabulas, ou pedras, de cor diferente das do seu adversário, e as movimenta de modo a inutilizar ou comer todas as pedras do oponente (na ilustração, tela Jogo de Damas, de 1927, exposta no Museu do Chiado, em Portugal).
A origem do divertimento é desconhecida, embora digam que ele nasceu no Egito cerca de dois mil anos antes de Cristo com o nome de alquerque, que são pedrinhas usadas em mosaicos embutidos e com as quais se praticava um jogo semelhante ao atual. Naquela época, eram muitos os sábios, conselheiros, curandeiros e videntes que usavam determinados tipos de jogos como “instrumentos de adivinhação”, transformando-os em veículos de um alegado poder que diziam possuir e que lhes permitia prever acontecimentos futuros, impressionando com isso as pessoas crédulas da sociedade em que viviam. E o jogo de damas era um deles. Não existem, porém, indícios seguros de que essas informações ...
Continue a leitura...
ALCO E A GASOLINA
Patativa de Assaré
Neste mundo de pecado / Ninguém qué vivê sozinho / Quem viaja acompanhado / Incurta mais o caminho / Tudo que no mundo existe / Se achando sozinho e triste, / O alco vivia só / Sem ninguém lhe querê bem / E a gasolina também / Vivia no caritó.
O alco tanto sofreu / Sua dura e triste sina / Até que um dia ofreceu / Seu amô a gasolina / Perguntou se ela queria / Ele em sua companhia, / Pois andava aperriado / Era grande o padecê / Não podia mais vivê / Sem companhêra ao seu lado.
Disse ela: dou-lhe a resposta / Mas fazendo uma proposta / Sei que de mim você gosta / E eu não lhe acho tão feio / Porém eu sou moça fina, / Sou a prenda gasolina / ...
Continue a leitura...
Dezembro é o mês de uma infinidade de frases, que se repetem em todos os anos, sempre as mesmas. Vamos lembrar algumas, que estão sendo ditas, desde o dia 1º:
"O ano passou num abrir e fechar de olhos".
"Você reparou quanta gente conhecida morreu este ano?".
"E todas quando a gente menos esperava".
"Eu espero que o ano que vem seja um pouquinho melhor".
"Pois eu, minha filha, não tenho nada que me queixar. Luís Mário passou de ano".
"Nunca houve um ano tão ruim para negócios".
"Vocês já viram quanto está custando um quilo de castanhas?".
"Minha filha, com a vida pelo preço que está, nós não vamos fazer nada. Mas, se você quiser aparecer lá em casa, com as crianças, só ...
Continue a leitura...
O polvo pertence ao filo dos moluscos, onde também se encontram seus parentes próximos: os caramujos, os caracóis e as lesmas, mas integra uma classe diferente, a dos cefalópodes, da qual fazem parte a lula, a sépia, o nautilus e o argonauta. A palavra cefalópode significa pés na cabeça, e é justificada pelo fato dos oito tentáculos do polvo, usados por ele para tudo (comer, movimentar-se, caçar, acasalar e etc.), nascerem diretamente da sua cabeça.
Formado quase totalmente por músculos, esses tentáculos são incrivelmente fortes e flexíveis, tendo força suficiente para, inclusive, lutar com tubarões. Como não possuem ossos e juntas (o polvo é um animal invertebrado), os tentáculos têm ampla liberdade de movimentos, podendo dobrar-se para a direita e para a esquerda, para cima e para baixo, e até mesmo imitar um braço humano, o que fazem tornando-se semi-rígidos e curvando-se nos lugares precisos. Estudos revelam que três quintos dos nervos dos polvos estão distribuídos ao longo dos seus tentáculos, admitindo-se, a partir daí, que nestes animais tais apêndices têm sistema nervoso independente. O que significa dizer que o ...
Continue a leitura...
Eurico Gaspar Dutra nasceu em Cuiabá, em 1883. Militar, ingressou na Escola Militar da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro, em 1904. Nesse ano, junto com companheiros de corporação, participou da Revolta da Vacina, deflagrada na capital federal contra o governo do presidente Rodrigues Alves. Por conta disso foi expulso da Escola Militar, só retomando seus estudos no ano seguinte, quando foi anistiado. Em 1906, ingressou na Escola de Guerra de Porto Alegre, e em seguida cursou a Escola de Artilharia e Engenharia. Durante a década de 10 foi colaborador freqüente da revista Defesa Nacional, destinada ao meio militar. Em 1922, concluiu o curso da Escola do Estado-Maior.
Durante a década de 20, esteve envolvido por várias vezes na repressão aos levantes tenentistas então deflagrados contra o governo federal, como em 1922, no Rio de Janeiro, e em 1924, em São Paulo. Convidado a participar da Revolução de 1930, preferiu manter-se ao lado das forças legalistas.
Aproximou-se do governo Vargas a partir de 1932, quando teve importante participação no combate ao ...
Continue a leitura...
O Círculo Polar Ártico é o paralelo da latitude 69°33’39” Norte, limite da área que circunda o Pólo Norte, nela incluídos mares e terras onde prevalecem as condições características das regiões polares. Ao norte desse paralelo a temperatura permanece abaixo do ponto de congelamento praticamente durante o ano inteiro, embora nessa latitude a amplitude térmica anual possa variar de vários graus abaixo de zero (no inverno boreal) a poucos graus acima de zero (no verão boreal). Por essa razão o oceano Ártico, no período mais frio, costuma congelar, formando uma calota de gelo que permanece inteira durante alguns meses;
Muitos, porém, não o consideram como limite geográfico satisfatório, motivo pelo qual a linha onde termina o crescimento de árvores é normalmente aceita como tal. Dessa forma, parte do Alasca; do Canadá, a Groenlândia, o norte da Noruega e da Islândia, o litoral russo até a Sibéria e o oceano Ártico, ou Glacial Ártico, estão incluídos nas regiões árticas. Geralmente, as terras e as ilhas que nelas se encontram apresentam as mesmas características geológicas dos continentes de que estão próximas. ...
Continue a leitura...
O poeta e novelista Giovanni Boccaccio (1313-1373), nascido em Paris, França, e falecido em Florença, Itália, produziu uma obra literária que lhe garantiu lugar destacado entre os grandes escritores italianos do seu tempo. Ao falar de si mesmo, dizia ele: "eu me lembro que antes de ter atingido a idade de sete anos, quando não tinha conhecimento de nenhuma ficção poética e que não tinha tido ainda nenhum mestre - apenas deveria possuir os primeiros elementos das letras -, uma secreta impulsão de minha natureza me inspirava o desejo de imaginar alguma fábula".
E foi o que ele fez, dedicando-se à literatura e terminando entre 1336 e 1338 o seu primeiro livro bem sucedido, o Filostrato, cujo tema é um autêntico relato de paixão sensual e embriagadora. Porém, o mais importante de todos os trabalhos de Boccaccio foi Decameron (dez dias, em grego), escrito entre os anos de 1348 e 1353, reunindo uma série de narrativas satíricas sobre os costumes florentinos e cujo enredo revela a história de dez jovens refugiados durante dez dias em determinado ...
Continue a leitura...
Daquela vez o inverno havia chegado com um rigor maior do que nos últimos anos, e o gelo que ele trouxera consigo havia tomado conta da paisagem alvejando os campos, as matas, os rios e os montes existentes em todas as direções alcançadas pela vista. Foi nessa época que a certa altura de determinado dia, quando temperatura havia descido a níveis quase insuportáveis, o jumento procurava abrigo porque se sentia extremamente cansado. Trôpego e desanimado, ele resolveu deitar-se ali mesmo onde estava e descansar por alguns momentos, a fim de recuperar as forças.
- Vou ficar aqui! - disse ele, acomodando-se no chão da melhor forma que conseguiu.
Instantes depois um passarinho deixou o lugar aonde se protegera da friagem e voando até o jumento disse em seu ouvido:
- Jumento, eu vim lhe avisar que você não está deitado em terreno firme, mas sim sobre um lago congelado. Portanto, trate de sair daí bem depressa, antes que ...
Continue a leitura...
Alfredo de Freitas Dias Gomes (1922-1999), mais conhecido como Dias Gomes, foi um dramaturgo e autor de telenovelas brasileiro. Entre seus trabalhos inclui-se a comédia musical As primícias, encenada pela primeira vez em 1979, que se passa em uma aldeia da Europa, ou da América Latina, entre os séculos 6 e 10. Um casal às vésperas de suas núpcias sofre com o dia que chega, quando o senhor das terras terá o direito da primeira noite, ou direito das primícias, antes do noivo.
Apresentando a peça classificada por muitos como uma alegoria político-sexual, o autor diz que: “O Direito das Primícias, ou Direito de Pernada, ou Direito da Primeira Noite, (jus primae noctis), foi uma instituição que vigorou na Idade Média e que, em alguns países, como a França, chegou até à Revolução de 89 (Beaumarchais, O Casamento de Fígaro), havendo noticia de que tenha persistido na Itália (Sicília) até meados do século passado. Era o direito do senhor feudal de desvirginar as noivas na noite de sua boda. No Brasil colonial, como lei não escrita, semelhante direito ...
Continue a leitura...