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ADÃO E EVA

31/08/2010 às 15:23:10

Uma senhora de engenho, na Bahia, pelos anos de mil setecentos e tantos, tendo algumas pessoas íntimas à mesa, anunciou a um dos convivas, grande lambareiro, um certo doce particular. Ele quis logo saber o que era; a dona da casa chamou-lhe curioso. Não foi preciso mais; daí a pouco estavam todos discutindo a curiosidade, se era masculina ou feminina, e se a responsabilidade da perda do paraíso devia caber a Eva ou a Adão. As senhoras diziam que a Adão, os homens que a Eva, menos o juiz-de-fora, que não dizia nada, e Frei Bento, carmelita, que interrogado pela dona da casa, D. Leonor, respondeu sorrindo - Eu, senhora minha, toco viola -; e não mentia, porque era insigne na viola e na harpa, não menos que na teologia.

 

Consultado, o juiz-de-fora respondeu que não havia matéria para opinião; porque as coisas no paraíso terrestre passaram-se de modo diferente do que está contado no primeiro livro do Pentateuco, que é apócrifo. Espanto geral, riso do carmelita, que conhecia o juiz-de-fora como um dos mais piedosos sujeitos da cidade, e sabia que era também jovial e inventivo, ...

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Atanásio da Cruz Aguirre (1804-1875), presidente da República Oriental do Uruguai no biênio 1864/1865, e partidário da facção política de seu país conhecida como blancos, provocou com sua eleição a revolta dos rivais colorados, liderados pelo general Venâncio Flores (1809-1868), que iniciaram uma revolta armada contra o seu governo recém-empossado. Na época, as relações diplomáticas entre Brasil e Uruguai não eram boas, o que se agravava com os atos de agressão praticados contra estancieiros brasileiros na fronteira da então província do Rio Grande do Sul, que passaram a ter as suas propriedades invadidas e o seu gado furtado durante operações popularmente conhecidas como califórnias.

 

Ao mesmo tempo em que iniciava as operações militares contra os rebelados, Aguirre também acirrava a perseguição aos brasileiros residentes em terras uruguaias, estimados em cerca de 40 mil pessoas, fazendo com que o Brasil concentrasse do seu lado da fronteira um exército de 4.000 homens, comandados pelo general Mena Barreto (ilustração acima), e enviasse ao estuário do rio da Prata uma pequena frota de guerra comandada pelo almirante Tamandaré. Dominado por um nacionalismo cego o ...

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NAVALHA, A

15/07/2010 às 06:29:03

Certo dia uma navalha cansou-se da vida que levava. Ela morava em uma barbearia movimentada e por isso desempenhava sua tarefa de barbeação várias vezes durante o dia. Isso foi se repetindo ao longo de alguns meses, até que não tendo mais motivação para continuar fazendo o que fazia, a navalha aproveitou um momento em que o salão estava vazio, desprendeu-se do cabo que a guardava e saiu para a rua, disposta a descobrir o que existia lá fora.

 

Ao avistar o sol de meio-dia a navalha ficou surpresa com tamanha luminosidade, e logo em seguida maravilhou-se com o reflexo daquela luz brilhante em si mesma. E sua emoção chegou a tal ponto que ela murmurou decidida:

 

- Voltar para aquela loja de onde consegui escapar? Nunca!... Tenho certeza de que os deuses aprovarão a decisão que tomei, pois como poderia eu continuar desonrando a beleza que tenho com essa rotina sem glória de raspar dia após dia a barba de camponeses que jamais se deram conta de como sou elegante ...

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ESOPO

09/07/2010 às 06:53:52

Esopo foi um moralista e fabulista grego do século 6 antes de Cristo, que teria nascido em alguma cidade da Anatólia, no extremo oeste da Ásia. Sobre sua vida existem algumas versões incertas e contraditórias, sendo a mais antiga encontrada em Heródoto: segundo este historiador, e também na opinião de Plutarco, Esopo era um escravo gago e corcunda, mas dono de grande inteligência, que ao obter sua liberdade viajou pela Ásia, Egito e Grécia.

 

Durante essas andanças ele se tornou amigo do rei Creso, da Lídia, que o encarregou de levar oferendas ao templo de Delfos, mas chegando lá, e percebendo a cobiça dos sacerdotes, o fabulista dirigiu sarcasmos aos religiosos, não lhes deu o dinheiro que o rei enviara e se limitou a fazer sacrifícios aos deuses. Enraivecidos, os sacerdotes decidiram vingar-se daquela atitude, e para isso esconderam na bagagem de Éfeso um copo - ou faca - de ouro, acusando-o em seguida de roubo. Por essa razão o ex-escravo foi preso e condenado a ser jogado do alto de uma rocha.

 

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Houve uma época em que o leão começou a elaborar projetos de conquista, mas para realizá-los ele se deu conta de que deveria preparar, também, planos guerreiros nos quais os seus vassalos estariam diretamente envolvidos. Sendo assim, o rei dos animais mandou mensageiros aos súditos mais importantes, convocando-os para a reunião em que a estratégia militar seria discutida e definida.

 

Nesse encontro cada um dos presentes deu o palpite que julgava acertado, ficando decidido que o elefante levaria no dorso os apetrechos de que precisariam, além de valer-se de seu corpanzil para ajudar os companheiros durante o combate; o urso foi aconselhado a preparar-se adequadamente para a luta, pois certamente ela seria desenvolvida em várias e difíceis batalhas; à raposa entregaram a tarefa de iludir o inimigo com disfarces, pois sendo reconhecidamente matreira e ardilosa, ninguém melhor que ela para desempenhar essa tarefa; e assim em diante.

 

Foi quando alguém falou que o burro e a lebre deveriam ser deixados de lado, porque como todos sabiam que o primeiro era pouco ...

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AMIGO DA ONÇA

19/08/2010 às 16:35:54

A piada é da velha guarda - mas não tão antiga assim - e certamente há de ser lembrada por muita gente. Diz ela que o caçador mentiroso descrevia para um grupo de amigos as situações perigosas com que se defrontara ao longo de sua carreira de matador de bichos. Em uma dessas passagens ele fora acuado por uma onça faminta quando não dispunha de nenhuma arma para se defender, e muito menos de um caminho por onde pudesse escapulir, e por isso o recurso que usou foi o de dar um berro tão forte, mas tão forte, que a fera assustou-se com o barulho, pulou para trás e fugiu apavorada. Um dos presentes não se conteve, deu uma risadinha de mofa e comentou que aquela história era difícil de ser engolida, mas o caçador não perdeu a ponta da meada, ficou aparentemente indignado e retrucou com cara séria: “Afinal de contas, você é meu amigo ou amigo da onça?”.

 

Foi essa anedota - ou outra a ela assemelhada - que inspirou o cartunista Péricles de Andrade Maranhão ...

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CETÁCEOS

11/03/2010 às 17:47:45

Por sua adaptação em ambientes aquáticos os cetáceos constituem um dos grupos mais especializados entre os mamíferos. Seu corpo é semelhante ao de um peixe, e na maioria das espécies a cabeça alcança até um terço do comprimento total. A boca é grande, e muitas espécies apresentam uma projeção óssea cujo formato muito se assemelha a um bico. Falta-lhes um nariz verdadeiro equivalente ao de outros mamíferos, pois sua cavidade nasal comunica-se com o exterior por meio de duas aberturas localizadas na parte superior da cabeça. Os olhos são pequenos e fracos, e as orelhas desprovidas de pavilhão auricular.  

 

Apenas os membros anteriores existem, muito reduzidos em relação ao resto do corpo e transformados em nadadeiras bem distintas. Os membros posteriores praticamente desapareceram, restando pequenos rudimentos da bacia, da tíbia e do fêmur, que se encontram soltos e sem função. Na parte posterior o corpo se afina gradualmente formando a cauda, poderoso órgão muscular de propulsão disposto em plano horizontal, ao contrário do que acontece em um peixe, cuja nadadeira caudal está posicionada verticalmente.

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Chamava-se Albertina, mas era a própria Nega Fulô: pretinha, retorcida, encabulada. No primeiro dia me perguntou o que eu queria para o jantar:

- Qualquer coisa — respondi.

Lançou-me um olhar patético e desencorajado. Resolvi dar-lhe algumas instruções: mostrei-lhe as coisas na cozinha, dei-lhe dinheiro para as compras, pedi que tomasse nota de tudo que gastasse.

- Você sabe escrever?

- Sei sim senhor — balbuciou ela.

- Veja se tem um lápis aí na gaveta.

- Não tem não senhor.

 -  Como não tem? Pus um lápis aí agora mesmo!

Ela abaixou a cabeça, levou um dedo à boca, ficou pensando.

- O que é lapisai? - perguntou finalmente.

 Resolvi que já era tarde para esperar que ela fizesse o jantar. Comeria fora naquela noite.

- Amanhã você começa - conclui. - Hoje não precisa fazer nada.

Então ela se trancou ...

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TEORIA E PRÁTICA

 

http://fernandod.com.br/images/textos/TEORIA E PRATICA.jpgEm um curso de treinamento para executivos patrocinado pela Acipeve - Associação Comercial e Industrial de Periquitinho Verde, ensinava-se que a solução para os problemas empresariais de qualquer ordem - administrativos, financeiros, de produção, vendas ou qualquer outro - não pode e nem deve ficar distante do que acontece no cotidiano das pessoas, porque mesmo sendo de natureza diferentes, eles dependem do bom senso de quem os esteja enfrentando para chegarem a um final feliz. Foi por essa razão que o professor contratado pela entidade patronal achou por bem mostrar, em cada aula, algumas situações difíceis - para não dizer outra coisa - que não são tão incomuns assim na vida particular de muitos homens e mulheres, valendo-se delas para concluir sobre o que deve ou não deve ser feito na gestão empresarial que pretende ter o sucesso como companheiro. Vejamos quais são elas:

 

AULA 1 - Uma linda jovem passeia com o seu namorado. Em dado momento, os dois ouvem ...

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Um filhote de cervo perguntou à sua mãe:

 

- Mãe, me diga uma coisa: a senhora é bem maior que um lobo, mais veloz do que ele, e também possui chifres com os quais pode se defender perfeitamente. Então, se é assim, me diga por que o teme tanto?

 

E a mãe respondeu, sorrindo amargamente:

 

- Tudo isso é a pura verdade, meu filho. Mas acontece que mesmo sendo assim, toda vez em que eu ouço um latido de lobo me sinto tão fraca, tão desprotegida, que a única coisa em que consigo pensar é correr para o mais longe possível, e o mais rápido que minhas pernas puderem fazê-lo.

 

Moral da história: Para a maioria das pessoas, é mais fácil conviver com os seus medos e fraquezas, mesmo sabendo que não é difícil superá-los.

 

Baseado em uma fábula de Esopo.

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No dia 11 de junho de 1865 travou-se no rio Paraná uma violenta batalha naval entre as esquadras do Brasil e Paraguai. Os navios brasileiros haviam navegado rio acima com a missão de bloquear os portos paraguaios, mas o ditador paraguaio Francisco Solano Lopez, ciente do perigo que isso representava para o seu projeto de poder, decidiu atacá-los na foz do arroio Riachuelo, situada perto da cidade argentina de Corrientes, onde numerosas ilhas e ilhotas dificultam a passagem. Nesse lugar os paraguaios haviam guarnecido em segredo a margem direita do rio, com uma bateria de 22 canhões (na ilustração, Batalha de Riachuelo-1872, óleo sobre tela de Victor Meirelles, Museu Histórico Nacional-RJ).

 

A esquadra do almirante Francisco Manuel Barroso da Silva (ilustração abaixo), futuro barão do Amazonas, era composta por 5 navios, com um total de 59 bocas-de-fogo e 2.287 homens embarcados, enquanto os paraguaios, comandados pelo capitão-de-fragata Pedro Inácio Meza, dispunham de 8 navios e seis baterias flutuantes, ou chatas, com 67 bocas-de-fogo e 5 mil homens. O combate entre essas duas forças navais começou pela manhã, e em determinado ...

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A lagoa Rodrigo de Freitas está situada na zona sul da cidade do Rio de Janeiro, entre os bairros da Gávea, Jardim Botânico, Ipanema e Leblon, e embora receba a vazão de alguns rios que descem das encostas que a cercam, suas águas são salgadas. Acredita-se que sua existência tenha relação com um braço de mar que ali existiu em tempos remotos, mas quando este desapareceu em virtude da ação dos ventos e das correntes marinhas, interrompeu a ligação entre ela e as águas oceânicas (na ilustração, à esquerda, como era o contorno da lagoa no século 16; à direita, seu contorno nos dias de hoje).

 

Data de 1575, ano em que Antônio Salema, desembargador português, assumiu o governo da capitania do Rio de Janeiro, o primeiro registro a respeito da lagoa. Na época, as terras da região eram habitadas pelos índios tamoios, mas o governador decidiu aproveitá-las para o plantio da cana-de-açúcar. Como os indígenas recusavam-se a abandonar a área, Salema espalhou por perto da água roupas antes usadas por doentes de varíola, artifício que deu ...

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JILÓ

15/08/2012 às 21:37:55

JILÓ

 

http://fernandod.com.br/images/textos/JILO 1.jpgGeralmente considerado como legume, o jiló é na verdade o fruto de uma planta (jiloeiro) da família das solanáceas (tal como a berinjela), que pode atingir qtpe 1,5 metro de altura. Suas flores são brancas, dispostas de duas a três em pequenos cachos, com pedúnculo curto.

 

O fruto pode ser oblongo, alongado ou quase esférico, conforme a variedade, de coloração verde-clara ou escura e peso de 14 a 17 gramas. Sua polpa é macia, porosa e com pequenas sementes brancas,

 

A origem do jiló é desconhecida, mas por ser abundante na África e Brasil, é provável que seja proveniente dessas duas regiões.  Bastante popular pelo seu gosto amargo, o jiló, ou jinjilo, como é conhecido em algumas regiões do país, é uma boa fonte de cálcio, fósforo e ferro.

 

Com baixo teor calórico, o fruto também possui significativas quantidades de vitaminas A, B e C. Ele deve ser ...

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Choco é uma perturbação orgânica e fisiológica que sobrevém às galinhas após o período de postura (podendo também ser provocada por uma alimentação deficiente), caracterizada de forma geral pela elevação de sua temperatura corporal, falta de apetite e irritabilidade, o que normalmente leva essas aves a aninhar. Daí o surgimento da expressão popular ‘ficar no choco’, cujo sentido é o de alguém se mantendo no leito ou ficando recolhido em casa.

 

Em virtude disso é comum que se use, no interior do país, o processo caseiro de fazer com que as galinhas saiam o mais depressa possível desse período em que sua produção de ovos fica reduzida à zero, ou seja, a ave é colocada debaixo de um balaio (cesto de palha, taquara, cipó ou bambu, com ou sem tampa, usado para guardar ou transportar alguma coisa) e de pé sobre uma poça d’água, para que não possa se deitar na posição em que normalmente permanece durante essa época de chocagem, e assim acabe esquecendo em pouco tempo o seu instinto de chocadeira e volte a produzir ...

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CUNHAMBEBE

08/12/2010 às 10:40:44

Os tamoios eram os indígenas que habitavam a região hoje pertencente ao Estado do Rio. Na época da invasão francesa, ocorrida ainda na primeira fase do período colonial brasileiro, eles organizaram uma coligação de tribos conhecida como Confederação dos Tamoios, aliando-se aos franceses e oferecendo tenaz resistência aos portugueses. O nome desses índios vem do tupi “tamuya” que significa “os velhos, os idosos, os anciãos”, e segundo os historiadores, era usado comumente como referência à aliança formada, em 1560, por três experientes caciques tupinambás e mais algumas aldeias de outras etnias (goitacazes, guaianazes e aimorés), visando combater os perós, nome que eles davam aos portugueses e às tribos que os apoiassem.

 

A aldeia do chefe indígena Cunhambebe (na ilustração acima, em tela de André Thevet, que acompanhava a expedição de Villegaignon) ficava perto de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Apoiado por todos os caciques tamoios na sua resistência contra a dominação portuguesa, sua fama de homem valente, arrojado e destemido era tão grande, que a seu respeito existe a versão de que guardava na taba onde morava, um ...

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