MESA-REDONDA

Talvez não exista uma só pessoa com um mínimo de cultura que desconheça a história do rei Artur e sua Távola Redonda. Isso porque as aventuras vividas por esse lendário soberano e seus cavaleiros, já foram contadas em versos, em filmes, em livros e em revistas de quadrinhos.

 

Figura central de um grande ciclo de romances de cavalaria, Artur transmitiu aos que tomaram conhecimento dessas narrativas sobre sua vida, ensinamentos importantes a respeito de lealdade, justiça, honradez, bravura e firmeza de caráter, predicados humanos tão escassos nos dias atuais. Tendo vivido, ao que parece, nos séculos 5 e 6 da era cristã, o rei do país de Gales comandou vitoriosamente os bretões contra os saxões, mas além disso, pouco mais se sabe concretamente sobre ele. A literatura presumidamente histórica que cresceu em torno do seu nome, a partir do século 9, reflete tradições folclóricas aliadas a conceitos mitológicos.

 

Segunda a lenda, Artur nasceu na Cornualha e viveu em Caerleon, país de Gales, com sua esposa Ginevra. Ele instituiu a Ordem dos Cavaleiros da Távola Redonda, célebres por suas proezas, entre os quais se incluía sir Lancelot, ou Lancelote do Lago, um dos personagens mais populares do ciclo. Dos registros sobre sua vida constam, entre outros, a conquista de muitas terras; a traição cometida por sua mulher e Lancelot, o mais querido de seus cavaleiros; e a narrativa de que quando ferido mortalmente na batalha contra seu sobrinho Medraud, foi levado por três rainhas de fadas para uma península inglesa chamada Avalon, de onde deverá voltar quando isso se tornar necessário. Outra versão diz que o rei foi levado para a mesma Avalon pelo mago Merlin.

 

As reuniões de Artur com seus cavaleiros eram feitas em uma mesa de formato redondo, ao redor da qual todos se acomodavam sem distinção de lugares. Isso simbolizava a igualdade entre eles, pois não havia cabeceira que pudesse transmitir a idéia de alguém dirigindo os trabalhos. Sobre o surgimento da irmandade, assim escreveu o inglês Alfred Tenny em “Os Ilídios do Rei”: :"Quando os romanos partiram e as suas leis deixaram de ter efeito entre nós, se desencadeou uma horda de abusos e saques. Aqui e ali ocorreram ações que tentaram pôr cobro a isto. Mas foi ele o primeiro a reunir cavaleiros errantes deste e de outros reinos. Foi seu chefe na formosa Ordem da Mesa Redonda, companhia gloriosa, flor da humanidade, modelo daquele mundo, magnífico inicio de uma nova época".

 

O rei Artur impôs a seus cavaleiros uma lei severa e sublime, obrigando-os a pôr as suas mãos sobre as suas e jurar honrar o rei, como se fosse a sua própria consciência, e sua consciência como se fosse a do rei; a cavalgar fora da Pátria corrigindo os erros humanos; a não dar crédito ás calúnias; levar uma vida digna e casta; a amar e unir-se a uma só mulher, ganhando o seu amor durante anos mediante nobres empresas e conquistas.

 

Em 1887, o inglês Guilherme G. Harcout (1827-1904) sugeriu aos membros do Partido Liberal com os quais estava reunido, que dali em diante qualquer reunião destinada a debater idéias fosse chamada de “mesa-redonda”, independente do formato do móvel em torno do qual os participantes se sentassem. A moda pegou, e hoje, até mesmo o encontro no boteco da esquina, para decidir onde e como vai ser a pescaria no fim de semana, também pode ser apelidado com esse nome.