Bicho-pau é o nome dado a um tipo de inseto que tem extraordinária semelhança com gravetos, galhinhos e pequenos ramos secos. Como o da ilustração, que só pode ser corretamente identificado se observado com um pouco mais de atenção. E ele se vale dessa semelhança para proteger-se dos predadores que estão sempre à procura de algo para comer: assim, quando percebe que um desses indesejáveis caçadores está por perto, simplesmente pára de andar e fica balançando o corpo ritmicamente, para lá e para cá, como se fosse um galho fino soprado pelo vento.
Outra estratégia sua é ficar imóvel durante horas seguidas, com as pernas esticadas, as da frente encobrindo a cabeça e as antenas, tal como se fosse um pequeno pedaço de algum ramo que se partiu, porque como muitos caçadores só atacam aquilo que se move, essa imobilidade não atrai a atenção de aves ou quem mais possa se interessar por ele como alimento. Mas nem todas as espécies de bichos-pau parecem considerar esse tipo de camuflagem como suficiente, porque algumas delas ainda eliminam um fluído leitoso e repugnante que serve para desencorajar possíveis agressores, enquanto outras têm o poder de regenerar membros perdidos. Em tais casos, se algum bicho-pau for apanhado por pássaro, morcego ou qualquer predador, pode, como recurso extremo, deixar uma perna para trás, para o caçador comê-la, enquanto escapa mutilado, mas ainda vivo.
Existem diversas espécies de bicho-pau, das quais algumas são encontradas no Brasil, vivendo em bosques e matas, alimentando-se exclusivamente de folhas e brotos das plantas silvestres, mas nunca chegando a formar uma população suficientemente numerosa capaz de causar danos a agricultura. Por isso são consideradas inofensivas. Os maiores, entre nós, são o Bactridium grande, com 26,5 cm, e a Otocrania aurita, de 24,5 cm (estes são os tamanhos das fêmeas; os machos costumam ser bem menores e mais raros também).
Machos e fêmeas têm a cabeça curta e antenas longas. As pernas, muito finas, são apropriadas para caminhar, e não para saltar. Em algumas poucas espécies os machos, quando adultos, têm asas que lhes permitem realizar pequenos vôos, mas a maioria é desprovida desses órgãos de locomoção aérea. De movimentos lentos e hábitos noturnos, os bichos-pau machos, que vivem em média cerca de 18 meses, são bem menores que as fêmeas, cujo tempo de vida pode chegar aos 30 meses, sendo encontrados com maior facilidade nos estados do Rio de Janeiro, Bahia, Espírito Santo e Amazônia. Apesar de viverem preferencialmente em locais densamente arborizados, como as matas e bosques, também podem ser encontrados em zonas urbanas, especialmente em goiabeiras.
A reprodução da espécie é feita através do cruzamento entre macho e fêmea. De tamanho menor, ele a cavalga na hora da cópula, e a fertiliza. Consumado o ato, ela está pronta para a postura que acontece pouco depois, quando os ovos, muito parecidos com pequenas sementes, são lançados no solo ao acaso, sem qualquer escolha prévia de local. Ali eles ficam durante um período que pode se estender até cinco meses, e quando a eclosão acontece, o inseto jovem, ainda chamado de ninfa, surge para a vida com a mesma aparência dos adultos. Curiosamente, pouco depois do nascimento o seu tamanho fica bem maior do que o do ovo em que ele foi formado, o que ocorre porque o corpo do recém-nascido se distende instantes após sair da casca.
Algumas particularidades da vida dos bichos-pau são realmente interessantes. Como é comum o ataque de vespas parasitas a muitos insetos, o bicho-pau, que desova no chão, estimula as formigas a juntarem e enterrarem seus ovos fora do alcance das potenciais atacantes. Cada ovo seu tem na superfície uma pequena protuberância que a torna semelhante a uma semente. Nesta, tal protuberância constitui um tecido nutritivo comido pelas formigas, e embora no ovo não aconteça a mesma coisa, as habitantes do formigueiro são enganadas e levam as pseudo-sementes para baixo da terra, guardando-as nos seus ninhos (ilustração).
Quanto à reprodução, muitas espécies de insetos vivem apenas o suficiente para produzir um grande número de ovos, porque a seca e outras contingências podem acabar facilmente, e de uma só vez, com grande parte da ninhada. Mesmo assim, alguns bichos-de-pau australianos conseguem driblar esse risco. Preparados para o seu ambiente hostil e imprevisível, eles põem ovos que se desenvolvem de forma igualmente imprevisível. Alguns irrompem em poucos dias, outros levam semanas, meses ou até mesmo anos para eclodirem, o que aumenta as chances de ao menos alguns filhotes nascerem em um tempo favorável à sua sobrevivência.
No tocante ao mimetismo, capacidade de alguns animais em se camuflarem para escapar de predadores, alguns deles realçam esse disfarce através de seu comportamento. Dentre esse atores encontra-se o bicho-de-pau que vive na Nova Guiné. Seu corpo achatado e esfiapado parece uma folha quase completamente comida por insetos, e ele enfatiza essa impressão dependurando-se por uma das pernas em um arbusto e rodopiando na brisa, assim como se fosse uma folha na iminência de cair.
No Brasil, país de dimensões continentais e com características próprias em cada uma das regiões que o compõem, o bicho-de-pau é conhecido por vários nomes. Entre eles incluem-se: cavalinho-do-diabo, cipó-seco, gafanhoto-de-jurema, gafanhoto-de-marmeleiro, mane-magro, manuel-magro, taquarinha e treme-treme.