OCAPI

O ocapi (Okapia johnstoni) é um mamífero ungulado (possui cascos) da família dos Girafídeos, que ocorre unicamente na África Central. Os exemplares dessa espécie são menores que um boi e assemelhados à girafa (embora com pescoço mais curto), e seus machos apresentam cornos laterais cobertos de pele, com um pequeno ramo de 1cm, aproximadamente, o que não acontece nas fêmeas. No terço posterior e nas patas dianteiras, sua coloração é zebrada com listras de cor creme e avermelhada, predominando no resto do corpo um tom castanho avermelhado, exceção feita às faces, que são amareladas.

 

Extremamente esquivo e assustadiço por natureza, o ocapi só foi descoberto no início da década de 1900, pelo explorador e administrador colonial inglês, Sir Henry "Harry" Hamilton Johnston, nas florestas úmidas da atual República Democrática do Congo (antigo Zaire e Congo Belga), graças ao bom relacionamento que o mesmo mantinha com os pigmeus, nativos de pequeníssima estatura que habitam aquela região central do continente africano. Apesar disso, sua descrição se tornou conhecida somente em 1917, quando um exemplar da espécie foi capturado por zoólogos norte-americanos. Embora hoje seja possível encontrá-lo como atração em alguns zoológicos europeus, o ocapi continua sendo muito pouco conhecido por estudiosos e pesquisadores da vida animal. 

 

Segundo consta, seu nome científico – Okapia – é atribuído ao som peculiar que produz, enquanto o epíteto – johnstoni­ – representa uma homenagem ao explorador britânico que o revelou para o mundo. Nessa época ele foi classificado como uma espécie desconhecida de cavalo selvagem, mas posteriormente os pesquisadores concluíram que era primo da girafa e o incluíram na família Girafidae, que conta com dois grupos, apenas: o dele próprio, e o das girafas.

 

Ruminante que tem, em média, cerca de 2,20m de comprimento, 1,50m de altura no garrote (parte situada entre o pescoço e o dorso), pescoço relativamente longo, porém de tamanho bem menor que o da girafa, 40cm de cauda e peso em torno de 300kg, aproximadamente, o ocapi prefere viver em altitudes entre 500 e 1.000 metros, podendo subir ocasionalmente a maiores alturas, de onde retorna, porém, em curto espaço de tempo. Herbívoro, sua alimentação básica inclui gramíneas, ervas, folhas, frutos e brotos das árvores, colhidos com o auxílio da língua comprida que possui (30cm de comprimento, aproximadamente), tão longa e flexível que lhe permite lavar as próprias pálpebras e limpar as orelhas (é o único mamífero que consegue fazer isso).

 

Solitários, os ocapis  juntam-se apenas para o acasalamento. As fêmeas da espécie têm um período de gestação que se estende por 14 meses, em média, mas pode durar até 450 dias, ao fim dos quais nasce um filhote com peso aproximado de 15kg, que começa a mamar entre 6 e 12 horas após o nascimento, e seu período de amamentação dura em torno de dez meses. Sua maturidade é alcançada entre os três e quatro anos de idade.         

 

Perseguido por caçadores e predadores como o leopardo (especialmente no que diz respeito aos filhotes), o ocapi, assim como a zebra, se vale de seu listrado enganador para tentar escapar dos que andam à sua procura.. As listras de suas ancas e pernas embaçam seu contorno quando ele se recolhe à vegetação rasteira, e sua parte inferior, mais clara, aumenta o efeito furta-cor.

 

No caso das zebras, muitas teorias foram desenvolvidas para tentar explicar sua estampa extremamente chamativa. Talvez a razão seja dificultar o ataque do leão ou outro predador, que não pode distingui-las individualmente quando estão protegidas na manada, em meio a uma massa de listras agitando-se na confusão.

 

Estima-se que existam cerca de 5.000 desses animais em liberdade, e pouco menos de uma centena em cativeiro. Embora não seja considerada como em ameaça de extinção, ainda assim a espécie vem sofrendo os efeitos danosos provocados pela caça furtiva e destruição continuada do seu habitat. Dentre os esforços que estão sendo desenvolvidos pelas autoridades congolesas no sentido de proteger esses estranhos animais, inclui-se a criação, em 1992, de uma reserva para os mesmos, o que tem permitido a continuidade de maiores e melhores estudos sobre seu comportamento.