DO ARCO-DA-VELHA

A explicação científica para o arco-íris é de que se trata de um meteoro luminoso provocado pela refração e reflexão da luz solar nas gotas de água em suspensão na atmosfera. Em outras palavras, quando um raio de luz solar incide obliquamente sobre uma gota d’água, ele é refratado (sofre um desvio em sua direção primitiva) e penetra na gota; uma parte é refletida (segue em caminho contrário ao primitivo) sobre a superfície interna da gota e de novo refratada na sua saída, ou retorno ao espaço. Em conseqüência dessas duas refrações (quando entra e quando sai da gota), os raios luminosos são decompostos em suas sete cores básicas (vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta), chegando dessa forma à retina do observador que estiver de frente para a gota, e de costas para o Sol.

 

Quanto ao aspecto religioso, em Gênesis, na Bíblia, está escrito (9:13/16) o que Deus disse a Noé e seus filhos, após o Dilúvio: “Ponho o meu arco nas nuvens para que ele seja o sinal de aliança entre mim e a terra. Quando eu tiver coberto o céu de nuvens, o meu arco aparecerá nas nuvens, e eu me lembrarei das alianças que fiz convosco e com todo ser vivo de toda espécie, e as águas não causarão mais dilúvio que extermine toda criatura. Quando eu vir o arco nas nuvens, eu me lembrarei da aliança eterna estabelecida entre Deus e todos os seres vivos de toda a espécie que estão sobre a terra”.

 

Na mitologia greco-romana, a deusa Íris personificava o arco (correspondente à palavra latina arcu) que se acreditava ser a ponte entre o céu e a terra. Era ela quem levava aos homens as manifestações dos deuses, sendo representada coberta por um leve véu que quando exposto ao sol tomava as cores do arco-íris. Já a palavra “velha”, por sua vez, além de identificar as pessoas de mais idade ou coisas antigas, também personaliza tudo o que é contrario ao que consideramos como normalidade na vida, possuindo o sentido figurado de morte e destino, ou considerada por muitos como designação do Mal, da Bruxa, do Estio e Inverno, e portanto, de malefícios à fecundidade das plantas e dos animais.

 

Daí que a mistura de todos esses conceitos, crendices e princípios religiosos que vieram sendo divulgados e alimentados ao longo dos séculos, terminou dando à expressão “do arco-da-velha” a idéia de que ela pode representar com exatidão não só o que se pensa quanto aos acontecimentos inimagináveis que apanham todo mundo de surpresa, mas também as complicações que ninguém esperava, os fatos surpreendentes, ou então reunião de coisas disparatadas e sem sentido.

 

Quanto ao arco-íris, a seqüência das suas cores pode ser lembrada com mais facilidade usando-se a mnemônica: «vermelho lá vai violeta», em que l,a,v,a,i representam o laranja, o amarelo, o verde, o azul e o índigo (ou anil), justamente a ordem em que aparecem no céu. Essas cores são utilizadas atualmente em uma bandeira reconhecida mundialmente como símbolo do movimento LGBT (que agrupa as minorias sexuais, como as lésbicas, os gays, os bissexuais e os transexuais), sendo também usada como símbolo da paz. O uso generalizado da bandeira arco-íris em manifestações LGBT começou nos anos 80, e a sua versão mais atual tem seis barras horizontais, cada uma com uma cor diferente, de cima para baixo, vermelho, laranja, amarelo, verde, azul e violeta. É impossível determinar a sua versão original, já que o seu uso acontece há longo tempo e em diferentes partes do mundo, como, por exemplo, durante a Guerra dos Camponeses, no século XVI na Alemanha, quando foi usada como sinal de esperança em uma nova era.